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Pé no chão, Utrera admite que as empresas informais não vão desaparecer do mapa, mas acredita
que o setor entrou num caminho de estruturação: “Cada vez mais a distribuição deve ser uma
extensão da petroquímica e não mais um canal de desova de resina, como era no passado.” Assim
também pensa Bazan. Para ele, a indústria petroquímica cada vez menos atende clientes de uma ou
duas toneladas/mês. Já existe a consciência de que a distribuição é um canal de serviços para os
médios e pequenos usuários, e que cabe ao mercado varejista atuar onde a petroquímica não queira,
porque o volume é muito pequeno, ou não pode, por questões logísticas.
A discórdia começa com Chamma. “O número de revenda cresceu muito e está acima do que seria
interessante para ter uma distribuição organizada”, declara. Em suas contas, o mercado de
distribuição – leia-se empresas com bandeiras – equivale a 50% do varejo, e a revenda a outra
metade. Os dados levantados por Bazan, porém, apontam o caminho oposto, com um movimento de
mudança de revendedores para distribuidores oficiais. “Hoje, dos 25% do volume do mercado
varejista, 15% é distribuição oficial e 10% revenda, sendo que, no ano passado, do total de 23%,
12% era revenda e 11%, oficial; a situação se inverteu, com a mudança de revendedoras para
distribuidoras oficiais”, comemora. “Neste ano a distribuição superou a revenda informal”,
concorda Gonçalves.
Sobram concorrentes e falta seriedade a muitos, reclama Mason, da Fortymil. Para ele, o excesso
de integrantes e poucas empresas empenhadas num trabalho sério dificultam a organização do
mercado varejista. Ainda passa a bola para a segunda geração: “A distribuição precisa ser uma
extensão da petroquímica e é a petroquímica que tem o poder de organizar o varejo”, sentencia.
“Não está desorganizado, cada um faz sua lição de casa, mas falta um órgão representativo”,
contemporiza Cuschnir, da Ruttino. Com poucas palavras, o gerente comercial da Global, Alexandre
Ribeiro do Couto, resume a situação: “Existe a iniciativa, porém falta a finalização. A segunda
geração, os distribuidores e a terceira geração precisam estar mais unidos, visando o crescimento
do setor como um todo e não apenas o individual, a distribuição tem todo interesse neste
alinhamento.”
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O diretor da Activas aponta uma luz no fim do túnel. O projeto de fundar uma associação,
engavetado há algum tempo, voltou à mesa de negociação. “Estamos desenhando uma associação dos
distribuidores e a idéia é ter pessoas neutras na liderança”, informa Gonçalves. O grupo pretende
que o projeto ganhe vulto já no próximo ano.
Cliente e concorrente –
“A informalidade é clássica no setor e, aliada ao excesso de oferta que
perdurou por três anos, provoca distorções”, opina Chamma. Uma das distorções mais criticadas
pela distribuição diz respeito à concorrência com os próprios transformadores. Não os pequenos ou
médios, que não dispõem de fluxo de caixa para ter estoque a esse ponto, mas os grandes, clientes
diretos das petroquímicas, atrelados a cotas de aquisição.
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Cuca Jorge |
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| Sonesso: empresa cresceu dez vezes em um ano e meio |
Entre reduzir as cotas em momento de baixa na produção, e correr o risco de ficar sem resina em
situação de alta, os transformadores preferem manter os níveis de compra e desovar a sobra da
resina no mercado varejista, a preços aviltados. Assim nasce a concorrência com a distribuição.
“As petroquímicas têm por trás investimentos brutais em tecnologia que obrigam as fábricas a
funcionarem a plena carga. Então, os momentos de superoferta forçam que todos os canais de
distribuição apareçam, como empresas ligadas à transformação, o que é uma distorção do mercado”,
justifica Chamma.
O gerente da SPP Amarildo Bazan comprova o problema: “A concorrência com os transformadores é
mais sentida em momentos de sobra de produto.” O gerente da Ipiranga, contudo, acredita que a
situação se regularize em momentos como o atual, de equilíbrio entre oferta e demanda, o que
permite às petroquímicas organizarem seus canais de distribuição. Gonçalves concorda. Para ele,
há uma reação natural a esses subterfúgios quando o mercado normaliza, com a conseqüente perda de
forças e espaço.
“A concorrência com o próprio transformador é um fato e nós, da distribuição, precisamos nos
adaptar a essa realidade, executando o trabalho de diferenciação, variedade de grades,
atendimento, assistência técnica, estoques constantes, postura ética, entre outros aspectos”,
pondera Couto. Mas tudo isso tem um custo. Isento dessas preocupações, o transformador/revendedor
consegue oferecer preço mais baixo. Cabe ao comprador optar por preço ou qualidade.
O segmento de plásticos de engenharia é pouco afetado por práticas desse gênero, porém sofre com
a concorrência de produtos estrangeiros sem garantias de procedência, lamenta Rodrigues, da
Thathi. Por conta disso, diz, entram no mercado muitos produtos fora de especificações. “Os
transformadores devem exigir laudo técnico do produto, nota fiscal, certificado de garantia de
origem”, sugere. Sugestão muito pertinente também para o varejo das commodities.
Diferenciais – Com tamanha disputa, cada competidor se arma como pode para atrair a clientela. Se
a munição dos oportunistas é preço, sem preocupação com qualidade e procedência do produto, a das
empresas sérias é dispor de pronta-entrega e atendimento na medida das necessidades dos
transformadores. “O transformador hoje se sente mais confortável para comprar na distribuição,
valorizando serviços de entrega de pequenos volumes, muitas vezes fora do horário comercial, e
ainda com condições de pagamento flexíveis”, atesta Rodrigues. Ele acredita que essa postura
fortalece a distribuição.
Distribuidora oficial nos Estados de São Paulo e Minas Gerais de toda a divisão de plásticos de
engenharia da DuPont há dez anos, a Thathi reforçou sua atuação no mercado com a revenda dos
plásticos de engenharia da GE (à exceção dos que concorrem com os produtos de sua representada
oficial) em todo o território nacional.
Além disso, a empresa finalizou as negociações e firmou parceria para revender produtos da Dow
(ABS, PC, PU, SAN e alguns outros polímeros) – já dispõe de alguns grades na prateleira – e de um
outro fabricante americano, cujo nome prefere fazer segredo. “Ainda não definimos a posição de
revenda ou distribuição”, justifica Rodrigues. Garante, porém, se tratar de um negócio de forte
impacto. “Deve ser oficializado até janeiro e lançado como negócio grandioso na Brasilplast”,
planeja. Em outra frente, iniciou as obras de construção da sede própria, em Santana do
Parnaíba-SP, no pólo industrial de Tamboré. Rodrigues prevê concluir a obra no primeiro semestre
de 2005.
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A incorporação de material reciclado também constitui parte essencial da estratégia de mercado da
Thathi. O material beneficiado já representa 30% da carteira de volume de vendas, informa o
gerente. Na família dos plásticos especiais, a linha incorpora os náilons 6 e 6.6, ABS e alguns
grades de poliacetal. A oferta se completa com PS de alto impacto (o poliestireno, aliás, só
entra nos negócios referentes aos reciclados). |
Cuca Jorge |
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| Cuschnir aposta em programa de qualidade e frota
própria |
Outra distribuidora que também conta com produtos beneficiados como mais uma opção aos clientes é
a Ipiranga Química. A empresa ressalta tratar-se apenas de reciclados de origem petroquímica. A
operação é terceirizada, com especificações técnicas definidas pela ICQ, explica o gerente de
unidade de negócios Paulo César Pavi.
Mas a principal estratégia para destacar-se no mercado constitui agregar à carteira produtos
diferenciais, como pigmentos, agentes de fluxo, masterbatch, entre outros. “Oferecemos um pacote
maior para o cliente”, diz Pavi. O pacote embute ganho de produtividade, entre outros benefícios.
A empresa ainda promove eventos para oferecer suporte aos clientes.
A Ipiranga Química distribui todos os polietilenos e polipropileno da Ipiranga Petroquímica e o
poliestireno da Innova. Na cesta de produtos diferenciais, destaca o agente de fluxo da
Sasolwaks, fabricante da África do Sul. Derivado de carboquímica, suas vantagens se refletem no
processo do transformador, com incremento de produtividade e menor consumo de energia, assegura
Pavi.
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