|
PREÇOS EM ALTA ESPREMEM VAREJO E TRANSFORMAÇÃO Margens reduzidas impedem o setor de absorver parte dos aumentos e força o repasse à transformação, que também não suporta maiores cargas em seus custos de produção Maria Aparecida de Sino Reto
A
despeito dos aumentos sucessivos nos preços das resinas, pressionados pela turbulência no
petróleo, com o barril na casa dos 50 dólares, encarecendo todos os insumos da cadeia
petroquímica, a indústria brasileira aqueceu e empurrou para cima a demanda de resinas
termoplásticas, sobretudo as commodities. Bom para os produtores de resinas, que têm seus preços
baseados nas cotações internacionais, mas nem tanto para o mercado varejista, impossibilitado de
repassar os aumentos na mesma velocidade que as petroquímicas, pela incapacidade da transformação
de absorvê-los de imediato. Pelas estimativas do setor, de janeiro a setembro os preços das
resinas aumentaram algo entre 35% e 40%.
Igualmente com os custos atrelados ao petróleo, as resinas de engenharia também sofreram alterações nos seus preços. Salvo exceções, a maioria desses polímeros é importada, com aumentos em dólar, sobrecarregando ainda mais revenda e transformador. O maior impacto ficou com as poliamidas (6 e 6.6) e o ABS, testemunha o gerente de negócios da Thathi, de São Paulo, João Rodrigues. O policarbonato também entra nesse rol, segundo a opinião de Rogério Tadiotto, sócio-diretor da Petropol, de Mauá-SP. Nas contas dele, os plásticos de engenharia subiram 20% em dólar neste ano. “A gordura que o setor tinha para queimar, já queimou”, diz Tadiotto. Já para Rodrigues, a situação complica ainda mais com o aperto nas tabelas de custos de seus clientes, restringindo os repasses. Com margens muito reduzidas, a distribuição faz o que pode para driblar a crise. De acordo com o diretor executivo da Ruttino, de Barueri-SP, Roberto Cuschnir, as margens encolheram tanto que não é possível absorver parte alguma dos aumentos. “Somos obrigados a repassar na íntegra, não dá nem para escalonar”, confessa. O gerente de negócios da SPP Resinas, de São Paulo, Amarildo Bazan concorda. “A margem bruta hoje se situa na casa dos 10%, não tem mais como cortar”. A saída para Bazan é jogar com a capacidade de compra e estoque, planejando o repasse com prazo para o transformador.
O gerente da Thathi adotou medida semelhante: “A saída é fracionar os aumentos dentro do mês”,
diz Rodrigues. Já o diretor da Activas, de Santo André-SP, Laércio Gonçalves, não conseguiu
repassar o acréscimo na íntegra e ainda escalonou os índices durante os primeiros dias, a partir
da alta, e mesmo assim viu suas vendas minguarem. “Nossos clientes estão com muita dificuldade
para absorver e repassar os aumentos.”
Boa parte do setor varejista de resinas percebe crescimento generalizado da indústria, entre todos os segmentos consumidores de plástico. “A maioria dos mercados está aquecida, com forte procura”, declara Cuschnir. A área de injeção se destaca, sobretudo os segmentos automotivos e de eletroeletrônicos, avalia Utrera. Para algumas empresas, porém, a alta é parcial e provisória. No entender de Rodrigues, ocorreram picos de demanda nos últimos meses como reflexo da alta nas vendas de alguns setores sazonais.
Já o diretor industrial e administrativo da Fortymil, de Itatiba-SP, Ricardo G. Mason, sequer
chegou a sentir alterações na demanda. “Ainda não sentimos esse efeito otimista”, declara. Na
opinião dele, o aumento detectado se refere mais às grandes indústrias de transformação ligadas
às petroquímicas. Mas admite que, aos poucos, o movimento deve atingir os pequenos e médios
transformadores. O diretor da Activas experimenta situação semelhante. Na opinião de Gonçalves, a
demanda aqueceu nas petroquímicas, sem dúvida, mas ainda não chegou na distribuição, o que só
deve acontecer mais para o final do ano. |
|||||||||||||||
| <<< Anterior | |||||||||||||||