Comercialização de Resinas
Tabela acima: Preço Internacional das Resinas Termoplásticas

PREÇOS EM ALTA ESPREMEM VAREJO E TRANSFORMAÇÃO

Margens reduzidas impedem o setor de absorver parte dos aumentos e força o repasse à transformação, que também não suporta maiores  cargas em seus custos de produção

Maria Aparecida de Sino Reto

A despeito dos aumentos sucessivos nos preços das resinas, pressionados pela turbulência no petróleo, com o barril na casa dos 50 dólares, encarecendo todos os insumos da cadeia petroquímica, a indústria brasileira aqueceu e empurrou para cima a demanda de resinas termoplásticas, sobretudo as commodities. Bom para os produtores de resinas, que têm seus preços baseados nas cotações internacionais, mas nem tanto para o mercado varejista, impossibilitado de repassar os aumentos na mesma velocidade que as petroquímicas, pela incapacidade da transformação de absorvê-los de imediato. Pelas estimativas do setor, de janeiro a setembro os preços das resinas aumentaram algo entre 35% e 40%.

“O mercado está nervoso, os aumentos consecutivos começam a preocupar a saúde das empresas, pois muitos transformadores estão perdendo liquidez porque não conseguem repassar os aumentos instantaneamente, como as petroquímicas fazem com os distribuidores, que por sua vez também não conseguem fazer repasses na íntegra”, avalia o diretor comercial da Resinet, de São Paulo, Jaime Utrera.

O gerente comercial da divisão polímeros da Global World, de Guarulhos-SP, Alexandre Ribeiro do Couto, compartilha de igual opinião: 

 “Se, por um lado, as petroquímicas conseguem repassar os aumentos dos insumos, a situação dos convertedores não é tão confortável, é muitas vezes crítica, pois o convertedor acaba, na maioria das vezes, absorvendo parte do aumento da matéria-prima.” O diretor da SM, de São Paulo, Eduardo Sonesso faz coro ao grupo, temendo a inadimplência do mercado. Cuca Jorge
Couto pede união do setor paraviabiliazar crescimento

Igualmente com os custos atrelados ao petróleo, as resinas de engenharia também sofreram alterações nos seus preços. Salvo exceções, a maioria desses polímeros é importada, com aumentos em dólar, sobrecarregando ainda mais revenda e transformador. O maior impacto ficou com as poliamidas (6 e 6.6) e o ABS, testemunha o gerente de negócios da Thathi, de São Paulo, João Rodrigues. O policarbonato também entra nesse rol, segundo a opinião de Rogério Tadiotto, sócio-diretor da Petropol, de Mauá-SP. Nas contas dele, os plásticos de engenharia subiram 20% em dólar neste ano. “A gordura que o setor tinha para queimar, já queimou”, diz Tadiotto. Já para Rodrigues, a situação complica ainda mais com o aperto nas tabelas de custos de seus clientes, restringindo os repasses.

Com margens muito reduzidas, a distribuição faz o que pode para driblar a crise. De acordo com o diretor executivo da Ruttino, de Barueri-SP, Roberto Cuschnir, as margens encolheram tanto que não é possível absorver parte alguma dos aumentos. “Somos obrigados a repassar na íntegra, não dá nem para escalonar”, confessa. O gerente de negócios da SPP Resinas, de São Paulo, Amarildo Bazan concorda. “A margem bruta hoje se situa na casa dos 10%, não tem mais como cortar”. A saída para Bazan é jogar com a capacidade de compra e estoque, planejando o repasse com prazo para o transformador.

O gerente da Thathi adotou medida semelhante: “A saída é fracionar os aumentos dentro do mês”, diz Rodrigues. Já o diretor da Activas, de Santo André-SP, Laércio Gonçalves, não conseguiu repassar o acréscimo na íntegra e ainda escalonou os índices durante os primeiros dias, a partir da alta, e mesmo assim viu suas vendas minguarem. “Nossos clientes estão com muita dificuldade para absorver e repassar os aumentos.”

Para o gerente nacional de negócios da Ipiranga Química, de São Paulo, João Miguel Thomé Chamma, a maioria dos transformadores tenta resolver a situação com custo médio, na base do estoque. Saída pouco provável para outras distribuidoras, como é o caso da Resinet. “Os transformadores não têm condições para fazer grandes estoques por questões de caixa”, diz.

Será bolha? – Que o consumo de resinas em geral subiu mesmo com os significativos aumentos de preços é fato. A ponto de faltar alguns grades de PEBD, por exemplo. Sem novos investimentos em ampliação de capacidades, o mercado dessa resina comporta pouco altas pressões na demanda. Na opinião de Utrera, o polipropileno também pode passar por apertos. 

 “O consumo cresce significativamente a cada ano, com toda produção sendo absorvida”, resume. A alta chegou também nos plásticos de engenharia, favorecendo a procura por mais especialidades, atesta Tadiotto. Agora, se o crescimento se sustenta, é outra questão. Cuca Jorge
Utrera: aumentos fragilizam a saúde da indústria moldadora

Boa parte do setor varejista de resinas percebe crescimento generalizado da indústria, entre todos os segmentos consumidores de plástico. “A maioria dos mercados está aquecida, com forte procura”, declara Cuschnir. A área de injeção se destaca, sobretudo os segmentos automotivos e de eletroeletrônicos, avalia Utrera.

Para algumas empresas, porém, a alta é parcial e provisória. No entender de Rodrigues, ocorreram picos de demanda nos últimos meses como reflexo da alta nas vendas de alguns setores sazonais. 

O gerente da Ipiranga Química vê o quadro com outros olhos: “Tradicionalmente o segundo semestre é mais aquecido, e este semestre está aquecido sim, mas parte desse aumento é especulativa, é uma bolha de consumo gerada pelos aumentos de preços”, acredita Chamma.  Cuca Jorge
Rodrigues observou pico de denabda em setor sazonais

Já o diretor industrial e administrativo da Fortymil, de Itatiba-SP, Ricardo G. Mason, sequer chegou a sentir alterações na demanda. “Ainda não sentimos esse efeito otimista”, declara. Na opinião dele, o aumento detectado se refere mais às grandes indústrias de transformação ligadas às petroquímicas. Mas admite que, aos poucos, o movimento deve atingir os pequenos e médios transformadores. O diretor da Activas experimenta situação semelhante. Na opinião de Gonçalves, a demanda aqueceu nas petroquímicas, sem dúvida, mas ainda não chegou na distribuição, o que só deve acontecer mais para o final do ano.

Ordem e progresso – Quase todo o varejo concorda que o mercado cresceu em volume e faturamento. Equivalente a 23% do consumo nacional de resinas em 2003, o varejo chega a 25% neste ano, enquanto o faturamento sobe de R$ 1,8 bilhão para R$ 2,5 bilhões, estima a maioria. Agora, quando se trata de mapear o mercado e demarcar as áreas da distribuição e da revenda há muita controvérsia.

A falta de consenso encalha nas questões mais polêmicas do setor – organização e profissionalismo –, indicando um longo caminho a percorrer. Para alguns varejistas, começou a derrocada dos especuladores e o setor tende a se fortalecer. Pensam assim Amarildo Bazan, da SPP, Jaime Utrera, da Resinet, e Laércio Gonçalves, da Activas. “A tendência aponta para uma distribuição mais formal, com pequenos movimentos de baixa na informalidade”, declara Utrera. “Caiu o número de empresas especuladoras e oportunistas”, assina em baixo Bazan. Na sua opinião , o mercado passa por um processo de profissionalização, com as distribuidoras mais preocupadas em melhorar a qualidade, se preparando para solidificar-se no mercado. O diretor da Activas compartilha opinião semelhante. A alta competitividade do segmento e o melhor desempenho dos distribuidores oficiais, agregando mais qualidade e valores de serviços, contribuem para inverter o quadro geral, a favor do comércio com bandeira.

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