Especialização Tal preocupação faz com que os transformadores busquem cada vez mais o trabalho de empresas especializadas ao invés de reciclar internamente seus resíduos. Para quem gera mais rejeitos do que pode absorver em reciclados, a opção para agregar valor ao material ainda consiste em vendê-lo aos recicladores. O mais importante, no entanto, é assegurar a destinação correta.

Na lista de recicladores de plástico, em constante evolução, chama atenção o reduzido número de indústrias dedicadas exclusivamente aos plásticos de engenharia. O Anuário Brasileiro do Plástico (ABP), da Editora QD, relaciona algumas delas. Há, no entanto, expressivo número de revendas do material, em geral, empresas que reciclam termoplásticos convencionais e terceirizam a recuperação dos especiais.

A Raitek, de Campinas-SP, reprocessa plásticos para terceiros há 12 anos. O diretor da empresa Adalberto A. Beraldo define a atividade de outra forma. Segundo ele, a empresa presta serviços de melhoria de produtividade e redução de custos aos usuários dos plásticos de engenharia. “A regranulação dos materiais provenientes da moldagem possibilita a recuperação no mesmo processo produtivo onde foram gerados.”

Beraldo destaca ainda o empenho das grandes empresas em reduzir as perdas inerentes ao processo de moldagem e evitar desperdícios. “Porém, por menor que seja a quantidade de resíduos, a recuperação deve cumprir as exigências do material, tornando-o adequado ao reprocessamento.” De acordo com ele, a maioria das resinas de engenharia não pode ser simplesmente moída e reaproveitada.   Cuca Jorge
A Raitek identifica, separa, recupera e devolve a resina ao cliente na forma de moídos ou pellets

As peças, aparas e borras encaminhadas pelos clientes são identificadas, separadas, recuperadas e devolvidas na forma de moídos e pellets, de acordo com a solicitação. Podem ainda agregar cargas e reforços, além de receber aditivos e pigmentos. “A boa qualidade do recuperado faz com que o transformador reaproveite melhor o material, ou seja, o processo pode agregar valor aos resíduos, descartados como sucata ou sub-utilizados.”

Na avaliação de Beraldo, o descarte como sucata representa a opção menos viável para os rejeitos. “Em geral, o valor oferecido não faz jus ao potencial desses materiais.” 

Cuca Jorge Restam então duas opções, a moagem e a regranulação, que devem ser analisadas com bastante critério. Na avaliação da Raitek, a moagem pode ser empregada sem comprometer a qualidade do produto final, além de garantir efetiva redução de custos. No entanto, os resultados variam em função da resina ou do produto final transformado, parâmetros capazes de comprometer a eficiência do processo.  
Adalberto Beraldo (esq.) e Rui Couto, da Raitek

Com limites Dentre as limitações, o diretor da Raitek cita a geometria do moído, diferente da granulação dos pellets, dificultando a mistura do material. “É comum ocorrer a segregação no funil de alimentação da injetora. Ora passam os moídos, ora os virgens em quantidades variáveis, gerando misturas não homogêneas.” Os problemas mais comuns são instabilidades de processo em virtude da má homogeneização entre moído e virgem, e manchas e pontos pretos nas peças devido à presença de finos e pós provenientes da moagem.

Outro ponto importante refere-se à secagem ou pré-secagem. Mais uma vez o pó é o grande vilão dos moídos, mesmo após o peneiramento. “O pó interfere na secagem.” Já a regranulação, embora exponha o plástico a novo aquecimento/resfriamento durante o processo de extrusão, garante algumas vantagens. Dentre elas, Beraldo menciona a melhor homogeneização com a resina virgem.

O diretor ainda destaca a possibilidade de eliminar impurezas (pó, partículas metálicas finas, etc.) por meio de filtragem. O processo se conclui com a secagem ou pré-secagem e a formulação de novos compostos. “A aditivação recupera ou agrega propriedades necessárias para cada aplicação, desde a correção da cor até melhorias na estabilidade térmica, na fluidez e na resistência ao impacto e ao efeito dos raios UV”, diz Rui Couto, outro diretor da Raitek. É comum também o uso de aditivos desmoldantes, lubrificantes e antichamas, entre outros.

Dentro desse contexto, o transformador pode encaminhar rejeitos de poliamidas e receber o material regranulado com reforço de fibra de vidro para aplicações distintas. Alguns clientes já encaminham os rejeitos moídos à Raitek, encarregada de recuperar e aditivar o material. Há casos também em que o transformador optou por desativar o setor de moagem e repassar o beneficiamento integral à empresa. “O mercado está ficando cada vez mais especializado”, informa Couto.

Boa parte dessa especialização decorre da grande diversidade de plásticos de engenharia e as variáveis de processamento. Para vencer barreiras relativas à alta capacidade de absorção de umidade de alguns plásticos, a Raitek trocou a degasagem atmosférica pelo processo a vácuo. “A saída de voláteis torna-se mais eficaz com o uso do vácuo. O excesso de água interfere na cadeia molecular da resina, afetando a qualidade do granulado.”

Outro recurso importante refere-se à regranulação com filtração. “Telas de inox, instaladas na saída do granulado, retêm as impurezas que porventura permaneceram no moído.” Dentre os parâmetros mais importantes para a regranulação, Couto cita as condições de secagem, perfil de temperatura de extrusão e a degasagem.

Ressalta ainda a importância de usar roscas com perfis específicos para cada grupo de plásticos de engenharia, além de extrusoras com capacidade de ajuste de velocidade de rosca, respeitando mais uma vez as particularidades dos materiais.

Com base nesses critérios básicos, entre outros, a empresa garante alcançar bons resultados inclusive na recuperação de polibutileno tereftalato (PBT), considerado um dos mais críticos. “Muitos dizem que o material não pode ser reciclado”, afirma Couto, sem detalhar o caminho das pedras.

A Raitek dispõe de tecnologia para recuperar poliamidas 6 e 6.6, policarbonato (PC), PBT, polietileno tereftalato (PET), poliacetal (POM), polipropileno composto e as blendas PC/ABS, ABS/SAN, PC/PBT, PPO/PS alto impacto, PPO/PA, entre outros, fornecidos em sacos de 25 kg identificados por lotes.

Com capacidade para processar 100 toneladas/mês de granulado, a empresa prepara-se para ampliar a produção em mais 20 t mensais. Até 2005, planeja concluir o processo de certificação pela ISO 9000/2000, entre outros investimentos em infra-estrutura e recursos humanos.

      

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