RECICLAGEM

RESINAS NOBRES APOSTAM NA REVALORIZAÇÃO

Processo envolve controle rigoroso já na separação dos plásticos, além de secagem, exclusão do pó gerado, e ainda correção das propriedades  

Simone Ferro

Destinar corretamente os resíduos industriais (borra, apara, galho ou peça defeituosa) deixou de ser a única meta das indústrias de transformação preocupadas com a produtividade e com o ambiente. Mais do que se livrar do “lixo” as empresas buscam agregar valor ao material que tempos atrás trilhava a rota dos sucateiros, sobretudo no campo dos plásticos de engenharia - resinas nobres e de custo elevado.

Para tanto, há pelo menos três caminhos: fazer a recuperação na própria fábrica, vender o material para recicladores ou terceirizar o beneficiamento. As duas últimas opções têm sido as mais empregadas para os plásticos especiais, cuja recuperação, muitas vezes, vai além da simples moagem. Grande parte das resinas de engenharia necessita de secagem e exclusão do pó gerado no processo, além da correção das características técnicas relativas ao impacto e outras propriedades perdidas com o reprocessamento. A separação inicial também deve ser rigorosa para evitar a contaminação.

O material recuperado nas recicladoras especializadas segue para o varejo de resinas, sendo reaproveitado em aplicações menos nobres em relação às originais, como autopeças de segunda linha para o mercado de reposição, produtos elétricos e da construção civil, entre outros. No beneficiamento terceirizado, retornam à produção das fábricas de origem, em linhas diferenciadas ou nos produtos cuja mistura de virgem com reciclado é viável em proporções pré-determinadas.

A reciclagem bem feita é capaz de recuperar boa parte das propriedades físicas, mecânicas e térmicas dos plásticos, segundo as empresas do setor. Talvez por isso, os recicladores trocaram a denominação “resina reciclada” por “resina industrial”, mais técnica. As ações, provavelmente, embutem ainda a tentativa de retirar os reciclados da margem da cadeia. Apesar de todos os avanços registrados no País nesse campo, o assunto ainda causa constrangimento e algumas distorções, principalmente na transformação.

Quanto mais investem na área mais os transformadores se esforçam para esconder a atividade, numa tentativa de colocar o “lixo bom” embaixo do tapete. Quem faz dificilmente divulga. Na verdade, os grandes clientes da transformação, em especial as montadoras de automóveis preocupadas com qualidade e segurança, controlam e especificam rigorosamente o uso de recuperado.

Para evitar eventuais saias justas, um bom recurso é não falar no assunto, mesmo quando o recuperado segue para linhas menos nobres ou com desempenho diferenciado. Trata-se de uma verdadeira pedra no caminho, quase um tabu. Porém, o setor também tende a evoluir nesse aspecto e, gradativamente, ultrapassar tais obstáculos. Afinal, quanto mais profissional e eficiente a reciclagem, melhor a sua imagem entre os clientes da transformação. Quanto mais técnica e controlada a recuperação, melhor será a resina final.

      

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