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NOTÍCIAS NOVA CISTERNA DE PVC Para
surfar na onda social das instituições governamentais e não-governamentais
que iniciaram a instalação do pretendido um milhão de cisternas nos
semiáridos do Nordeste e de Minas, a Sansuy S.A indústria de plásticos,
transformadora de PVC instalada em Camaçari (BA), desenvolveu em parceria
com a Braskem uma cisterna de vinil para 8 mil litros que pode ser montada
e desmontada sem necessidade de ferramentas.
A “cisterna prática de
vinil”, assim é apresentada, foi testada por 35 famílias ruralistas do
Semiárido, passou por ajustes técnicos e agora está sendo submetida à
homologação dos potenciais compradores, instituições públicas e
privadas que executam os projetos sociais e comunitários. É oferecida
como mais um recurso para conviver com a estiagem, uma alternativa à
cisterna de alvenaria que começou a ser conectada aos telhados dos 2,2
milhões de domicílios rurais do Semiárido. A vida útil é estimada
pelo fabricante em mais de oito anos. A pretensão da Sansuy não
é substituir indistintamente a cisterna de alvenaria, até mesmo admite
que se a comunidade é organizada e a construção da cisterna for
empreendida via mutirão, a de alvenaria é realmente a solução mais
adequada. Mas é para milhares de famílias que vivem isoladamente em
pequenas propriedades que a de vinil é destinada. “A vantagem é logística,
não é preciso engenharia, a própria família monta e desmonta”
valoriza Dultra. “É fácil montar, limpar, desmontar, transportar e
reinstalar diversas vezes em outros lugares”. É indicada também para
lugares propensos a serem inundados por açudes e barragens. “A casa
fica em baixo da água, mas a cisterna segue com a família”. As peças que compõem o kit-cisterna
são: o reservatório, pesando 26 quilos, e a cobertura, de 21 quilos,
incluindo a estrutura tubular em aço galvanizado dotada dos encaixes que
dispensam ferramentas. “O kit pesa menos do que apenas um dos
mais de 20 sacos de cimento exigidos na cisterna de alvenaria, pode ser
transportado por uma pessoa”, proclama Dultra. Ele acredita que este
diferencial será decisivo também para assegurar vendas em países com
semiáridos similares. Estão listados México, Venezuela, África do Sul,
Índia, Argélia e Angola. O padrão para o Semiárido
indica que a cisterna deve acumular 16 mil litros, volume calculado para
uma família de cinco pessoas e seus pequenos animais domésticos terem água
em casa nos nove meses de estiagem. A exigência pode ser atendida por
duas cisternas da Sansuy, conectadas. Nos três meses das águas, chove
normalmente mais de 450 mm nas regiões mais secas do Nordeste,
“pluviometria suficiente para um telhado de 40 metros quadrados captar
chuva para encher ambas”. Produção - Na formulação
do composto de vinil usado para produzir o reservatório da cisterna são
usados, exclusivamente, aditivos que a Sansuy considera graus alimentícios,
incluindo os dois plastificantes: o dioctilftalato (DOP) e o óleo de
soja desodorizado e epoxidado. O estabilizante é o cálcio/zinco. “O
vinil fica completamente inodoro e atóxico, e a boa qualidade da água é
preservada”. O laminado sai da
calandragem com 0,60 mm de espessura e assim segue para a máquina de
revestimento, onde é acrescido do não-tecido em um dos lados. É a proteção
geotêxtil que ficará em contato com a terra. “O não-tecido multiplica
muitas vezes a resistência do vinil, sobra resistência na cisterna
contra tensões, e perfurações”. No setor de confecção, o laminado
é moldado, cortado e termossoldado pelo processo de alta freqüência,
formando um cilindro. A cobertura do cilindro é
proporcionada por uma lona dupla face de formato octogonal
- um “sanduíche” composto por duas camadas de vinil com um
“recheio” de poliéster, o reforçador ajustado na máquina de
revestimento. Na formulação do vinil é acrescentada “forte aditivação”
antiultravioleta, à base de benzofenona, e aditivos antioxidante, de
base fenólica. A face externa da
cobertura é branca e a interna preta para barrar a fotossíntese, impedir
a formação de algas. Para obstruir o acesso de pequenos animais, as
bordas são enterradas em uma vala que acompanha o entorno da cavidade
onde o reservatório estiver armado. Armada, a cisterna
apresenta duas mangas na cobertura, ambas com telas protetoras - uma para
possibilitar a entrada da água que chega do telhado por um tubo de PVC
conectado à calha; e a outra para a eventual extravasão. Uma janela tipo
barraca de camping, com ziperes também em PVC, é a passagem do
balde. “Mas é possível adaptar uma bomba e puxar a água pela mesma
janela”. O kit cisterna,
incluindo o tubo sobressalente de cola vinil e cortes de vinil para possíveis
reparos, chegará ao mercado ao custo estimado de R$700,00,
proporcionalmente o mesmo da cisterna de alvenaria, que apresenta o dobro
da capacidade e, segundo Dultra, fica em torno de R$1.400,00. Show do milhão - As mais de
800 entidades envolvidas no movimento Articulação do Semi-Árido (ASA)
elegeram a instalação de cisternas, domiciliares e comunitárias, como
uma das linhas de atuação prioritária. Cerca de 46 mil já foram
instaladas, mas a demanda, estimada em aproximadamente 2 milhões, só
deve ser atendida em dez anos. O Ministério do
Meio-Ambiente e a Agência Nacional das Águas (ANA) lançaram o programa
Um Milhão de Cisternas (P1MC), iniciativa que também está no ideário
do Sede Zero, a versão do Fome Zero imaginada para aplacar a sede do
nordestino. No âmbito da Bahia, há o programa Cabra Forte, que incluiu a
construção de cisternas entre as ações de infra-estrutura em
propriedades rurais. A onda pró-captação de água de chuva no Nordeste já inspirou iniciativas como a formação da Associação Brasileira para Captação e Manejo de Água de Chuva (ABCMAC), que congrega pesquisadores da Embrapa, universidades e outras instituições. José Valverde |
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