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NOVA CISTERNA DE PVC É LEVE E DESMONTÁVEL

Para surfar na onda social das instituições governamentais e não-governamentais que iniciaram a instalação do pretendido um milhão de cisternas nos semiáridos do Nordeste e de Minas, a Sansuy S.A indústria de plásticos, transformadora de PVC instalada em Camaçari (BA), desenvolveu em parceria com a Braskem uma cisterna de vinil para 8 mil litros que pode ser montada e desmontada sem necessidade de ferramentas.  

Divulgação “Basta cavar um buraco de 1,50 m de profundidade e diâmetro de 2,60 m, revestir com o laminado de vinil pré-confeccionado nas mesmas dimensões, encaixar as peças que formam a estrutura tubular e acrescentar a cobertura de vinil reforçado”, recomenda o gerente de desenvolvimento da Sansuy, Antônio Carlos Dultra.  
Cisterna para 8 mil litros de água pesa menos de 50 kg

A “cisterna prática de vinil”, assim é apresentada, foi testada por 35 famílias ruralistas do Semiárido, passou por ajustes técnicos e agora está sendo submetida à homologação dos potenciais compradores, instituições públicas e privadas que executam os projetos sociais e comunitários. É oferecida como mais um recurso para conviver com a estiagem, uma alternativa à cisterna de alvenaria que começou a ser conectada aos telhados dos 2,2 milhões de domicílios rurais do Semiárido. A vida útil é estimada pelo fabricante em mais de oito anos.

A pretensão da Sansuy não é substituir indistintamente a cisterna de alvenaria, até mesmo admite que se a comunidade é organizada e a construção da cisterna for empreendida via mutirão, a de alvenaria é realmente a solução mais adequada. Mas é para milhares de famílias que vivem isoladamente em pequenas propriedades que a de vinil é destinada. “A vantagem é logística, não é preciso engenharia, a própria família monta e desmonta” valoriza Dultra. “É fácil montar, limpar, desmontar, transportar e reinstalar diversas vezes em outros lugares”. É indicada também para lugares propensos a serem inundados por açudes e barragens. “A casa fica em baixo da água, mas a cisterna segue com a família”.

As peças que compõem o kit-cisterna são: o reservatório, pesando 26 quilos, e a cobertura, de 21 quilos, incluindo a estrutura tubular em aço galvanizado dotada dos encaixes que dispensam ferramentas. “O kit pesa menos do que apenas um dos mais de 20 sacos de cimento exigidos na cisterna de alvenaria, pode ser transportado por uma pessoa”, proclama Dultra. Ele acredita que este diferencial será decisivo também para assegurar vendas em países com semiáridos similares. Estão listados México, Venezuela, África do Sul, Índia, Argélia e Angola. 

O padrão para o Semiárido indica que a cisterna deve acumular 16 mil litros, volume calculado para uma família de cinco pessoas e seus pequenos animais domésticos terem água em casa nos nove meses de estiagem. A exigência pode ser atendida por duas cisternas da Sansuy, conectadas. Nos três meses das águas, chove normalmente mais de 450 mm nas regiões mais secas do Nordeste, “pluviometria suficiente para um telhado de 40 metros quadrados captar chuva para encher ambas”.

Produção - Na formulação do composto de vinil usado para produzir o reservatório da cisterna são usados, exclusivamente, aditivos que a Sansuy considera graus alimentícios, incluindo os dois plastificantes: o dioctilftalato (DOP) e o óleo de soja desodorizado e epoxidado. O estabilizante é o cálcio/zinco. “O vinil fica completamente inodoro e atóxico, e a boa qualidade da água é preservada”.

O laminado sai da calandragem com 0,60 mm de espessura e assim segue para a máquina de revestimento, onde é acrescido do não-tecido em um dos lados. É a proteção geotêxtil que ficará em contato com a terra. “O não-tecido multiplica muitas vezes a resistência do vinil, sobra resistência na cisterna contra tensões, e perfurações”. No setor de confecção, o laminado é moldado, cortado e termossoldado pelo processo de alta freqüência, formando um cilindro.

A cobertura do cilindro é proporcionada por uma lona dupla face de formato octogonal  - um “sanduíche” composto por duas camadas de vinil com um “recheio” de poliéster, o reforçador ajustado na máquina de revestimento. Na formulação do vinil é acrescentada “forte aditivação” antiultravioleta, à base de benzofenona, e aditivos antioxidante, de base fenólica.

A face externa da cobertura é branca e a interna preta para barrar a fotossíntese, impedir a formação de algas. Para obstruir o acesso de pequenos animais, as bordas são enterradas em uma vala que acompanha o entorno da cavidade onde o reservatório estiver armado.

Armada, a cisterna apresenta duas mangas na cobertura, ambas com telas protetoras - uma para possibilitar a entrada da água que chega do telhado por um tubo de PVC conectado à calha; e a outra para a eventual extravasão. Uma janela tipo barraca de camping, com ziperes também em PVC, é a passagem do balde. “Mas é possível adaptar uma bomba e puxar a água pela mesma janela”.

O kit cisterna, incluindo o tubo sobressalente de cola vinil e cortes de vinil para possíveis reparos, chegará ao mercado ao custo estimado de R$700,00, proporcionalmente o mesmo da cisterna de alvenaria, que apresenta o dobro da capacidade e, segundo Dultra, fica em torno de R$1.400,00.

Show do milhão - As mais de 800 entidades envolvidas no movimento Articulação do Semi-Árido (ASA) elegeram a instalação de cisternas, domiciliares e comunitárias, como uma das linhas de atuação prioritária. Cerca de 46 mil já foram instaladas, mas a demanda, estimada em aproximadamente 2 milhões, só deve ser atendida em dez anos.

O Ministério do Meio-Ambiente e a Agência Nacional das Águas (ANA) lançaram o programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), iniciativa que também está no ideário do Sede Zero, a versão do Fome Zero imaginada para aplacar a sede do nordestino. No âmbito da Bahia, há o programa Cabra Forte, que incluiu a construção de cisternas entre as ações de infra-estrutura em propriedades rurais.

A onda pró-captação de água de chuva no Nordeste já inspirou iniciativas como a formação da Associação Brasileira para Captação e Manejo de Água de Chuva (ABCMAC), que congrega pesquisadores da Embrapa, universidades e outras instituições.

José Valverde

 

 

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