Erros – Além do preço acessível e da rotina simples de criação dos programas de usinagem, outra vantagem do Machining Strategist, segundo Pinto, refere-se à ausência de falhas no programa responsáveis pela quebra de ferramentas das máquinas de usinagem. O problema ocorre quando há defeitos no desenho do molde: o Solid Works opera com base em conceito de sólidos, mas outros programas de CAD operam com superfícies.

Os programas que lidam com superfícies oferecem mais recursos para o projeto de peças de geometrias complexas, mas podem enfrentar problemas na comunicação com outros programas de CAD e os desenhos em superfícies podem apresentar falhas. Se o programa de CAM não detecta essas falhas, as ferramentas da máquina de usinagem podem ser danificadas. Mas, no caso do Machining Strategist, de acordo com Pinto, o problema não ocorre.

Cuca Jorge Mesmo a criação de ferramentas de transmissão de dados entre softwares de CAD não solucionam todas as dificuldades. De acordo com Daniel Kapelius, diretor industrial da ferramentaria Neotécnica, de São Bernardo do Campo-SP, na transmissão de arquivos entre programas de CAD apenas as superfícies são transferidas, mas suas propriedades não. “A maioria dos programas são paramétricos, e o histórico das geometrias que foram utilizadas para a construção das superfícies é armazenado em bancos de dados. Mas quando esses desenhos são transmitidos, o histórico paramétrico é perdido”, explica Kapelius.
Kapelius aposta na junção do CAM à máquina CNC

A Neotécnica fabrica matrizes de extrusão e moldes para injeção de plásticos, e utiliza os programas PowerSHAPE (CAD) e PowerMILL (CAM), da inglesa Delcam, desde 1999, motivada pela possibilidade de refinar a repetibilidade de produção das peças e a capacidade de construir peças com geometrias mais complexas. A grande motivação veio da oportunidade de fornecimento para a Embraer, mas, de posse dos pacotes de softwares, acabou se tornando também fornecedores de dispositivos para montadores.

A dificuldade na transmissão de dados se reflete na impossibilidade de editar arquivos transmitidos entre programas. Quando a transferência é para um programa de CAM, não há maiores problemas, pois esses programas operam com base em superfícies, e todos os processos de transmissão convertem construções geométricas em superfícies. “É muito mais difícil editar superfícies. A estrutura paramétrica torna a edição muito mais fácil”, afirma Kapelius.

Nos programas de CAD mais modernos, o desenho é feito com base em sólidos e superfícies paramétricas, e esses parâmetros de criação são conservados. Algumas versões de programas de CAM, segundo Kapelius, permitem a criação de linhas ou alguma geometria simples. Isso é necessário por que a usinagem demanda, em alguns casos, superfícies de saída, por exemplo, quando o molde apresenta cantos vivos e a ferramenta de corte não deve seguir necessariamente essa geometria, mas obedecer uma trajetória retilínea ou plana.

Outra vantagem dos programas de última linha é a versatilidade para aplicações específicas. De acordo com Kapelius, o PowerMILL possui módulos que permitem a criação do modelo macho/matriz a partir do modelo da peça. “Em programas de dois anos atrás, caso se desejasse projetar um molde de injeção, era necessário, a partir da peça, separar a superfície interna da externa, criar uma nova superfície e uma base, e só então criar o modelo matemático de usinagem. Isso já é feito automaticamente hoje”, explica.

Entre as vantagens que delinearam a escolha pelos programas PowerSHAPE e PowerMILL, Kapelius cita a variedade de opções de estratégias de usinagem, com diversas possibilidades para a configuração da estratégia, mas que também tornam o  programa mais sofisticado e sua operação mais complexa – implicando a necessidade de um operador experiente. “A impressão é de que foram programas criados por ferramenteiros”, avalia Kapelius.

Assim como Clemente Pinto, da Omini, ele vê na criação de desenhos tridimensionais um dos grandes avanços dos programas de CAD e CAM. Em peças de encaixe, as chances de erro foram muito reduzidas. Já há programas capazes de executarem análises de interferência de geometrias, sutilezas que freqüentemente pregavam peças quando se lidava com os desenhos em duas dimensões.

Evolução – À despeito da velocidade das mudanças na indústria do plástico, a indústria dos softwares tem se mantido na dianteira das inovações, e oferece novas opções e habilidades em velocidade muito maior que as necessidades do projetistas. Novas versões de programas são lançadas em intervalos que normalmente não superam dois anos, e os profissionais que se utilizam dessas ferramentas também precisam reciclar seu treinamento em período não maior, já que as diferenças entre versões costumam ser significativas. Por conta da evolução sofisticada, os computadores utilizados também precisam receber atenção especial. Memórias cache e RAM, placas de vídeo e velocidades de clock altas precisam integrar os PCs destinados a rodar os pesados programas de CAD e CAM.

Mesmo assim, as vantagens do auxílio da informática delimitam um nível de qualidade que divide as ferramentarias. Para o diretor comercial da Neotécnica, Carlos Alberto Guth, os últimos três anos presenciaram grande popularização tanto dos programas de CAD e CAM (apesar da crise que assola o segmento) quanto das máquinas de usinagem CNC (de comando numérico computadorizado). 

São estações de usinagem automáticas, comandadas por uma central de processamento e que operam em base de programações de usinagem geradas em programas de CAM. “Até 2000, poucas ferramentarias dispunham de máquinas CNC, muitas utilizavam máquinas de usinagem convencionais. Nos últimos anos houve grande popularização das máquinas CNC e, sem os programas de CAM, não se aproveitam os recursos do CNC”, diz Guth. Cuca Jorge
Popularização nos últimos anos é alta, afirma Guth

Além do preço das máquinas CNC e dos softwares de CAD e CAM, pesa contra a maior utilização das tecnologias a escassez de mão-de-obra qualificada. “O programa de CAM deveria ser operado pela mesma pessoa que opera a máquina CNC. Acredito que não se passarão dez anos até que o CAM já venha incorporado à máquina CNC, e já há máquinas experimentais que lêem diretamente a superfície para fazer a usinagem”, filosofa Kapelius. Mas, segundo ele, a maior parte dos profissionais ou domina bem o CAD, ou o CAM, e isso cria algumas dificuldades. Por conta da falta de bons operadores de CAM, ou de projetistas em CAD, a Neotécnica não costuma executar programações de CAM enviadas pelos clientes, e prefere criá-las com seus próprios profissionais, pois em muitos casos o cliente fornece programações em que as ferramentas ou estratégias erradas são escolhidas, acarretando programações de usinagem muito demoradas. Embora o programa de CAM gere o modelo matemático que regerá a etapa de usinagem, dependem do operador escolhas importantes para o sucesso da execução na máquina CNC, como a ferramenta correta a ser utilizada e a estratégia, que depende da geometria da peça.

 

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