Há espaço para crescer mas falta mão-de-obra

Evolução dos softwares de CAD e CAM é grande, mas usuários ainda reclamam dos preços e da complexidade dos programas. A falta de mão-de-obra e o parque de máquinas CNC reduzido támbém emperram o mercado

Márcio Azevedo

Desde os simples utensílios domésticos até as sofisticadas peças técnicas empregadas na montagem de automóveis, os artefatos plásticos injetados são manufaturados com geometrias mais complexas, paredes mais finas e limites de tolerância na variação de suas medidas mais estreitos. Seja para o atendimento de requisitos técnicos crescentes, como a resistência mecânica, quanto para a redução da massa de matéria-prima plástica utilizada na injeção de cada peça, como também para a redução do seu tempo de fabricação, as exigências dos transformadores provocaram mudanças no perfil das ferramentarias, as empresas responsáveis pela fabricação dos moldes utilizados nas máquinas de injeção.

Na luta pela adequação a padrões técnicos mais rígidos, demandas por qualidade maiores e exigências de prazos menores, a microinformática é uma das grandes aliadas dos produtores de moldes, particularmente após o advento de programas de computador criados para auxiliar o projeto e a fabricação dessas ferramentas. Desenvolvidos há mais de três décadas, os softwares de CAD (computer aided design, ou projeto auxiliado por computador) e CAM (computer aided manufacturing, manufatura auxiliada por computador) têm grande peso no desenvolvimento de técnicas e máquinas modernas de usinagem, e seu uso é imprescindível para ferramentarias candidatas a fabricar moldes de maior valor agregado, embora a resistência ao uso de novas tecnologias, aliada ao alto preço dos programas, ainda sejam impeditivos para uma grande quantidade de empresas que, encurraladas, podem acabar – se já não estão – fora do mercado.

A situação é ainda mais séria para as pequenas ferramentarias, já que o investimento de alguns milhares de dólares (os programas mais simples de CAM podem custar ao redor de US$ 15 mil) não é compatível com o faturamento da maioria delas. Mesmo assim, as vantagens que os softwares de CAD e CAM proporcionam justificam o alto investimento para algumas dessas pequenas empresas, como a ferramentaria Omini, de São Paulo.
Com atividade centrada na fabricação de moldes para a injeção de plásticos (principalmente utilidades domésticas) e de borracha, a empresa projeta seus moldes na versão 2000 do Solid Works, programa de CAD da francesa Dassault Systemes.

Fotos: Cuca Jorge

Após o desenho em CAD e a criação de uma programação de usinagem, o molde é confeccionado em máquinas CNC (da esq. para a dir.)

Para projetar um molde utilizando o programa, a empresa pode partir de um projeto do produto (a peça plástica que se deseja injetar), de uma amostra ou de um desenho. Após a modelagem da peça, feita no Solid Works, a ferramenta completa é desenhada no mesmo programa, incluindo partes que não são fabricadas na etapa de usinagem, como mecanismo de extração, refrigeração, buchas, colunas e elementos de fixação. Segundo o diretor administrativo Clemente Pinto, na etapa de design da peça, em que a Omini interage com o cliente, é valioso o auxílio do CAD, já que torna possível a visualização exata da peça, em oposição ao que acontecia quando os projetos eram feitos em 2D, ou em perspectiva. 

“Outro detalhe interessante é a possibilidade de se determinar a massa da peça, já que o programa tem uma biblioteca de materiais com os respectivos pesos específicos. A massa é estimada com boa aproximação, e isso é importante para o transformador, pois em alguns casos ele sabe quanto os concorrentes cobram por uma peça semelhante”, diz Pinto. Cuca Jorge
Pinto: muita experiência ainda se faz necessária

Antes de migrar para o Solid Works, a Omini utilizava o AutoCAD. Uma das versões do produto, segundo Pinto, possui um módulo denominado Mechanical Desktop, muito parecido com o Solid Works, operando também em 3D. “Mas o Solid Works oferece melhor relação custo benefício”, afirma Pinto.

Na execução das ferramentas, a Omini é auxiliada pelo Machining Strategist, um programa de CAM ainda pouco conhecido no mercado brasileiro. Após um período de demonstração em que foram surpreendidos pelo bom desempenho do programa, os sócios da Omini decidiram comprá-lo, por US$ 13 mil, preço considerado atraente por Pinto. “Muitas pessoas que têm tido contato com o Machining Strategist têm optado por ele. Alguns softwares de CAM, além de serem muito caros, são muito complexos, e o operador precisa de muita experiência para utilizar adequadamente o programa”, explica Pinto.

 

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