MASTERBATCH

DIFERENCIAÇÃO GARANTE SOBREVIVÊNCIA

Mercado abarrotado exige do fabricante de master  constantes investimentos em novas plantas, agilidade na prestação de serviço e oferta de linhas especiais 

Renata Pachione

A indústria de masterbatches busca fôlego na máxima diferenciação. Com vocação para oferecer vantagem competitiva ao transformador, os fabricantes de concentrados sentem na pele a necessidade de agregar valor ao negócio. Para manter os saldos positivos, o setor investe em novas plantas, agilidade na prestação de serviços e na oferta de especialidades. Quando se trata de dimensionar o mercado, no entanto, falta consenso entre os fornecedores.  Cuca Jorge
Perolados avançam para novas aplicações

Uns apontam demanda de 60 mil t/ano e outros falam de índices abaixo de 50 mil t/ano. Mas essa indefinição incomoda pouco. Atrapalha menos do que a avalanche de novas empresas vista nos últimos anos. Nesse quesito, sim, existe concordância. Para eles, o mercado está abarrotado e enfrenta uma relação desigual entre oferta e procura. Do mesmo tamanho há alguns anos, o setor passa a ser disputado ferozmente por um número cada vez maior de fabricantes de concentrados. 

Na opinião do diretor geral da Macroplast, de São Paulo, Fernando Nicolosi, essa característica é nociva, pois existem poucas empresas capazes de oferecer qualidade e alta tecnologia. Para Luciano Tadeu Nacif de Rezende, da Termocrom Concentrados Técnicos, São Paulo, esse fenômeno tem influência direta do grande número de fabricantes de pequeno porte. "Temos poucas empresas especializadas, muitos entraram no mercado achando que fabricar masterbatch é só misturar pigmento com resina e entregar ao cliente", critica. A indústria estima a existencia de cerca de cem fabricantes de masterbatch. Desse total, Nicolosi estima em 95% as pequenas e micro empresas. 

As fatias, cada vez menores, tornam o mercado ainda mais competitivo e obrigam os fabricantes a investirem alto no seu poder de fogo. Por conta desse cenário, as companhias têm optado por rotas alternativas, como a ampliação do portfólio e o foco permanente nas necessidades específicas dos clientes. 

Na avaliação do diretor geral da Polimaster Marco Juarez Reichert, o excesso de concorrência prejudica o setor. "As pequenas empresas ficam com poucas chances de crescer, e as grandes, com dificuldades de custos, já que têm uma estrutura cara para sustentar", explica. Por conta dessa situação, ele prevê possível enxugamento do setor nos próximos anos. "As multinacionais vão acabar comprando empresas nacionais", aponta Reichert. Nicolosi compartilha dessa opinião. Para ele, os grupos se aglutinarão, de forma a concentrar a produção do masterbatch no País. "Isso aconteceu nos Estados Unidos, na década de 60. O Brasil seguirá o mesmo caminho", diagnostica.

Outra tendência anunciada dá conta de provável seleção natural do setor, a partir da qual só irão prosperar as empresas capazes de oferecer tecnologia ao transformador. "Sobrarão as companhias que investirem mais e tiverem condições de atender às exigências dos clientes", acredita Nicolosi. De acordo com ele, essa mudança deve acontecer ao longo dos próximos cinco anos.

Investimentos - Os indícios dessas previsões já começaram a aparecer. Em abril deste ano, a alemã Basf transferiu a atividade comercial e industrial do negócio masterbatch na América do Sul para a Macroplast. 

Cuca Jorge O ano de 2004 também marca um período de investimentos para grande parte do setor. O grupo suíço Clariant e a norte-americana Ampacet instalaram novas plantas no Brasil e na Argentina. A Cromex, por sua vez, se renovou e dobrou a capacidade instalada neste semestre. 
Clariant aumenta produção para 8 mil t/ano

A Clariant transferiu a fábrica de masterbatches de São Paulo para seu complexo químico de Suzano - SP. A mudança veio acompanhada também da expansão na capacidade instalada, de 5 mil t/ano para 8 mil t/ano. A unidade absorveu investimento de US$ 1,1 milhão, tornando-se uma das principais entre as 56 espalhadas pelo mundo. A confiança no mercado nacional se reflete também nos projetos da empresa. Para os próximos quatro anos, o grupo planeja injetar mais US$ 15 milhões na América Latina, onde a Clariant possui forte atuação. Além das 8 mil t/ano produzidas no País, tem capacidade para atender outras 7 mil t/ano. Esse volume se divide entre as unidades venezuelana, colombiana e a caçula argentina. No primeiro semestre deste ano, a companhia deu partida à planta de masterbatches em Lomas de Zamora, na Província de Buenos Aires. 

Com aporte de US$ 750 mil, a nova fábrica pode produzir 1 mil t/ano. A empresa possui bons motivos para aplicar no mercado de masterbatches. A atividade representa 12% do faturamento mundial do grupo, equivalentes a US$ 800 milhões. O início da Clariant na indústria nacional de masterbatch data de 1995, como divisão da Sandoz. Cuca Jorge

      

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