|
Crescer, só exportando - Caçula do mercado brasileiro com quinze anos de atividade e cerca de 350 máquinas no mercado, a JAC se volta agora para a exportação, com representantes comerciais no exterior e bons negócios no México e na Venezuela (também mantém contatos no Peru e na Colômbia), mas o México é o foco da empresa em exportação. Como vender para um país à beira do maior mercado no mundo, o norte-americano?
| Cuca Jorge |
"No exterior, a concorrência é com máquinas européias e chinesas, mas não com norte-americanas, e os nossos preços são bem mais baixos. Os dos chineses também, mas a tecnologia desaponta, ao passo que as máquinas brasileiras gozam de boa imagem nas Américas Latina e Central", explica Cristiano Cava, gerente comercial da
JAC. |
 |
| Cava espera diminuir ociosidade exportando |
Como o Brasil há algum tempo compra o mesmo número de máquinas, em anos bons, ou ruins, a JAC procura o exterior para ocupar a ociosidade de sua fábrica. Em 2003, exportou 10% da produção e em 2004, a meta é 15%. Já venderam três máquinas ao exterior, com expectativa de chegar em seis. A JAC espera produzir neste ano, em turno único de trabalho, quarenta máquinas. Mas o número poderia ser triplicado, garante Cava.
Embora reconheça a importância da participação nas feiras internacionais para a estratégia de exportação, a empresa não se sentiu preparada para estar na última edição da Plastimagem, principal feira do mercado que considera prioritário. Os projetos de Cava, porém, incluem a JAC na próxima edição da feira mexicana. No curto prazo, planeja expor na próxima Interplast, de Joinville-SC, onde exibirá a máquina Compacta 5TS, de 5 L e mesa simples, produzindo frascos de 1 L de iogurte. A empresa produz máquinas para embalagens desde 10 mL, até 100 L, e possui projetos para 150 L e 200 L, ainda no papel. Toda a linha opera por extrusão contínua e sopro com acionamentos hidráulicos. A busca por inovação tecnológica e qualidade, de acordo com Cava, resultou na incorporação de CLPs da Moog e programadores de parison, também Moog, de 128 pontos. São quesitos importantes para a produção de peças técnicas, como as automotivas, ou recipientes térmicos (garrafas, por exemplo). A programação de 128 pontos torna mais precisa a distribuição de massa na peça, e possibilita menores pesos e custos.
O carro de transferência da mesa das máquinas da JAC também tem uma peculiaridade: a transferência é linear e possibilita redução do ciclo de sopro. Desde a Brasilplast 2003, quando lançaram a Maximus 20SS, de mesa simples, já apresentaram a Maximus 20 SD, semelhante, com rebarbação automática (a estação de estampagem fica ao lado da de sopro) e saída lateral, para peças de até 20 L, mas com mesa dupla.
| São os únicos produtores com fábrica no Brasil a fazer isso, assegura Cava. "Com o mercado propício à automação, máquinas automáticas com saída lateral podem ser diretamente acopladas a linhas automatizadas de envase ou de rotulagem, como demanda o mercado. A sopradora é o primeiro passo de uma linha automática de produtos embalados", afirma o gerente comercial. |
Cuca Jorge |
 |
| Maximus 20 SD, de mesa dupla, é o último laçamento
de Jac |
Reposicionamento - Nos últimos quatro anos, a JAC se posicionou melhor no mercado, com a saída da SIG do nicho de sopro convencional. Segundo Cava, essa fatia foi tomada pela empresa brasileira, pois se tratam de máquinas tecnicamente muito parecidas, e o fato contribuiu para a produção no atual patamar. A empresa vendeu 15 máquinas em 2000, 22 em 2001, e 35 em 2003. Em 2004, a meta é crescer entre 13% e 15%, com o lastro das exportações e o mercado interno, que a partir do segundo trimestre do ano também se reaqueceu, após três meses de marasmo.
No segundo semestre de 2003 e no primeiro de 2004, os bons resultados vieram da linha de limpeza (embalagens de 5 L e de 0,5 L para detergente, e de 2 L de amaciante). No momento, embalagens para defensivos agrícolas (embalagens de 5 L, de 1 L e bombonas de 20 L e 30 L) também têm bom desempenho, com estimativa de se manter até o fim de 2004. Outro segmento com boa penetração pela JAC é o automotivo, com equipamentos para fabricar grandes peças, como reservatórios de água e coifas de amortecedor em santoprene - a empresa acumulou conhecimentos nesse nicho e a resina é uma de suas especialidades, além das experiências com PP, PE, PVC e TPU. Também estão programadas experiências com o GPET (PET extrudado), para avaliar o desempenho de equipamentos. Caso a resina conquiste mercado suficiente, a especialização também pode ocorrer. "Somos uma empresa nova e gostamos de enfrentar esses novos projetos", disse Cava.
A aposta em inovação rendeu parcerias e vendas como a de máquina para a produção de peças de assento sanitário de 20 L com rebarbação automática, mesa dupla, saída lateral dupla automatizada e capacidade para 240 peças por hora, inédita no Brasil em peças de volumes tão grandes.
No caso da substituição das embalagens acartonadas, no entanto, Cava vê dificuldades pela necessidade de produzir produtos com camadas co-extrudadas. A necessidade de máquinas com mais extrusoras tornam o processo caro. Ao contrário do Brasil, onde há preferência pela embalagem de longa vida, no México o leite é vendido em embalagens monocamada de pequeno tempo de prateleira, e por isso o mercado é mais atrativo.
|
|