|

ACUSAÇÕES DE TOXICIDADE CAEM NO VAZIO
E FTALATOS DOMINAM O MERCADO MUNDIAL
Preferência nacional segue a tendência, inclusive a de servir no cardápio outras
variedades de plastificantes, entre adipatos, maleatos, trimelitatos e especialidades
Aparecida De Sino Reto
Estimado em 140 mil toneladas anuais e faturamento entre 700 milhões e um bilhão de reais ao ano, o mercado brasileiro de plastificantes segue tendência mundial com os ftalatos na liderança do consumo, a despeito dos ataques sofridos pelas organizações ambientais, acusando-os de serem tóxicos e cancerígenos. Trinta e poucos anos e mais de 100 milhões de dólares em pesquisas depois, nada ficou comprovado em definitivo contra essas substâncias, largamente usadas pela indústria do PVC (a resina absorve mais de 90% da produção de plastificantes).
De acordo com informações do Conselho Europeu de Plastificantes e Intermediários, pertencente ao Conselho da Indústria Química Européia, só a Europa Ocidental produz cerca de um milhão de toneladas anuais de fltalatos, com destaque para o di-octilfltalato (DOP), também denominado di-2-etilhexil ftalato, ou DEHP. O DOP move também a indústria nacional. Líder do mercado, a Elekeiroz, de Várzea Paulista-SP, estima que o DOP responda por mais de 60% do mercado brasileiro de plastificantes, seguido pelo di-isononil ftalato (DINP) e pelo di-isobutil ftalato (DIBP), nessa ordem.
Os ftalatos fazem tanto sucesso talvez por terem iniciado a prole dos plastificantes e continuam ainda na crista da onda porque constituem as substâncias que oferecem a melhor relação custo/benefício associada a um bom pacote de propriedades.
| O DOP puxa a fila e exibe, inclusive, aprovação do FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos e de instituições similares em vários países para ser utilizado em embalagens de alimentos. Também o mercado brasileiro dispõe do plastificante no grau alimentício. "O DOP é o campeão de consumo porque confere propriedades adequadas a uma grande variedade de aplicações a um custo competitivo", justifica Elisabete Moskalenko, coordenadora de assistência técnica e marketing da
Elekeiroz. |
Cuca Jorge |
 |
| Elisabete: escolha deve considerar o produto final |
Segundo ela, o di-octil ftalato é considerado plastificante padrão e de uso geral. Destaca-se pela estabilidade, baixa volatilidade, excelentes características dielétricas, resistência ao calor e à luz ultravioleta e baixa solubilidade em água. Ainda confere ótima transparência, facilidade de mistura, ótima gelificação e resistência à ruptura a baixas temperaturas. Pode ser usado na maioria das formulações do PVC destinadas a aplicações, desde mangueiras, calçados, embalagens, e até bolsas de sangue e simuladores de tecido humano (de acordo com informações do Instituto do PVC, o uso em produtos médicos é autorizado pelo FDA em doses determinadas). Os principais fabricantes nacionais produzem o grau alimentício do DOP, com elevada pureza e isento de odor.
De acordo com o diretor comercial da Elekeiroz Carlos Calvo, o DOP grau alimentício apresenta elevada pureza em éster, eliminando qualquer possibilidade de migração do plastificante para o produto embalado, ainda que usado em concentração inadequada.
Além do DOP, o mercado brasileiro dispõe de um cardápio variado de plastificantes, ofertados pelas três principais concorrentes do setor: a Elekeiroz, líder nacional com capacidade instalada de 126 mil toneladas anuais, responsável pelo abastecimento de 55% do consumo; a Exxon, maior produtora mundial de álcoois e plastificantes, atuante no mercado brasileiro com produção terceirizada pela Petrom; e a Scandiflex, cujo forte são as especialidades. No conjunto, a indústria de PVC tem a seu dispor ampla família de plastificantes ftalatos, adipatos, maleatos, trimelitatos e citratos, entre outros.
"Ao escolher um plastificante temos que levar em conta as necessidades específicas do produto final, tais como o ambiente em que o produto será exposto, a temperatura de operação, a flexibilidade desejada, a aparência superficial, a resistividade elétrica, a resistência a luz, entre outras exigências", pondera Elisabete. Os parâmetros no produto acabado mais importantes determinam a opção mais adequada, considerando-se custo e desempenho.
|
|