COMPOSTOS SATISFAZEM TRANSFORMADOR

Desempenho semelhante ao de materiais mais nobres, custo de processamento inferior e maior facilidade de reciclagem: são os principais benefícios alegados pela indústria de transformação para o consumo crescente dos compostos de PP. "O polipropileno requer menos temperatura, assegura alto desempenho, desgasta menos o equipamento e é mais fácil de reciclar, além de outras vantagens", resume o gerente comercial da Plásticos Mueller Ademir Alavarse Bilha.

Produtora de pára-choques, painéis de instrumentos, consoles, caixas de ventilação, reservatórios de compensação e revestimentos laterais e de colunas, entre outras autopeças feitas à base de polipropileno, a Mueller não tem qualquer queixa quanto a fornecimento.  Cuca Jorge
Bilha aprova a tecnologia nacional

"Em termos de tecnologia, o mercado brasileiro está muito bom. A Honda tem requisitos muito rigorosos e aprovou resinas e compostos nacionais", exemplifica. Para ele, os produtos melhoraram muito em diversas propriedades, como a resistência ao impacto e a processabilidade. Segundo ele, os japoneses lideram o uso de PP nos automóveis: "É um modo inteligente, só usam plástico de engenharia onde realmente precisam", opina.

As autopeças representam 58% da produção da empresa e o polipropileno equivale a 60% desse volume, estima Bilha. Os reflexos da alta do petróleo e, por conseqüência, da nafta nos preços das resinas afetaram os negócios da empresa, que só conseguiu repassar o aumento nos custos parcial e lentamente, informou o gerente. No mercado desde 1937, a Mueller conta com capacidade instalada total de 1.300 toneladas mensais de transformação. A produção atual gira em torno de 1.100 toneladas mensais.

Só na unidade de São Paulo dispõe de 57 máquinas injetoras, desde 60 t até 2.500 t de força de fechamento. Em Minas Gerais opera mais duas unidades: uma em Matozinhos, onde produz cabos e pequenas peças injetadas, e outra em Contagem, responsável pela moldagem de pára-choques e painéis. Nesta última atuam 45 injetoras, desde 400 t até 3.000 t de fechamento, com capacidade de transformação de 550 mil toneladas mensais, igual à de São Paulo. Já em Matozinhos, as 40 máquinas de 25 t até 450 t de força de fechamento podem transformar até 200 toneladas mensais.

Relação amigável Regime de parceria é a melhor definição para o relacionamento da Marfinite, de Itaquaquecetuba-SP, com seus fornecedores de resinas, de acordo com seu diretor comercial Vitaliano Raiola. "Não temos problema algum com relação às resinas", assegura. Já quanto ao aumento dos preços: "Subiu, sou obrigado a repassar", disse. Mesmo assim, conseguiu registrar pequeno aumento nas vendas no primeiro semestre deste ano, da ordem de 6% em seus cálculos. "O País está em fase de lenta recuperação", acredita.

Com capacidade para transformar até 1.200 toneladas mensais, a empresa processa hoje metade desse volume. Contentores e pallets, para armazenagem e transporte em geral, representam 60% da produção. A linha de móveis de polipropileno (mesas, cadeiras, espreguiçadeiras, etc.) para áreas interiores e exteriores equivalem a 30% da produção, e os outros 10% ficam por conta de embalagens variadas. Ao todo, a empresa dispõe de 63 injetoras, com força de fechamento de até 2.600 toneladas.

Os produtos da Marfinite se destacam pela elevada resistência mecânica, ressalta Raiola. A empresa dispõe de contentores desde meio litro até mil litros. Já os pallets suportam até 2.500 kg de carga dinâmica (em cima da paleteira). O segmento de móveis, contudo, passa por momento conturbado. "O setor está ruim, nas mãos de produtores que não se importam com a qualidade: quanto pior e mais barato, vende mais", lamenta.

Criada em 1961, a Marfinite iniciou as atividades produzindo bolas de bilhar, feitas de resina fenólica. Mas há cerca de cinco anos, a empresa saiu desse mercado. "Com impostos de 118% e muita empresa fabricando na informalidade, a concorrência ficou insuportável." O diretor prefere apostar mesmo nos contentores, que recebem neste ano investimentos de R$ 2 milhões em ferramentaria, a fim de ampliar a disponibilidade de modelos, hoje em torno de 80. 

Cuca Jorge
Marfinite lança novos modelos de contentores

PP vence o metal - A incursão do polipropileno para brigar com outros materiais na indústria automobilística, uma das maiores usuárias dos plásticos de engenharia e também dos compostos de polipropileno (75% da demanda), vem de longa data. Cerca de trinta anos atrás, a Pepasa desenvolveu um composto de PP com fibra de vidro na cor branca destinado a substituir, pela primeira vez, o Zamak, uma liga metálica até então usada na fabricação da carcaça do farolete traseiro nos carros da General Motors. " Essa liga de zinco com peso específico de 6,61 foi substituída por um composto de PP com 1,04 de peso específico, ou 6,35 vezes menor, facilmente injetável e que já saia da máquina na cor branca, pronta para uso", lembra Zoé. A peça metálica precisava ser injetada, usinada e depois pintada de branco.

Os avanços tecnológicos incorporados à produção, tanto das resinas de PP, com novas gerações de catalisadores e processos, bem como nos compostos, com o desenvolvimento de novos tipos de cargas, aditivos e tecnologia de extrusão, tornam cada vez mais acirrada a concorrência com os metais e os plásticos de engenharia. Versatilidade de propriedades, baixa densidade, facilidade de processamento e reciclagem constituem vantagens decisivas a favor do PP. Na opinião de Alessandra, da Borealis, diversos fatores, como a liberdade de design, a tenacidade, a alta produtividade, a menor densidade e comportamento acústico, entre outros, contribuem para o uso dos compostos de PP em aplicações de engenharia na indústria automobilística, em detrimento dos metais. Para a gerente, as características de fácil processamento (baixa temperatura, facilidade de fluxo e tensões residuais reduzidas) possibilitam design inovador, bem como a produção de peças com geometrias complexas e com alta exigência estrutural e térmica. Neste último caso, impulsionam o uso de PP com fibra de vidro curta ou longa.

Associadas a esses fatores, as mudanças conceituais ocorridas nos últimos anos na indústria também favoreceram o PP, lembra Alessandra. Entre elas, a redução de peso do carro; a preferência por materiais que absorvem o impacto, protegendo o passageiro no caso de uma eventual colisão; e as novas tecnologias de software e prototipagem que asseguram as inovações propostas. "Existe uma grande tendência para o aumento do uso de plástico em peças exteriores, conforme novas legislações americanas e européias, e já existe uma visão clara para o uso dos compostos de PP, possibilitando um novo ciclo de crescimento", prevê Alessandra.

O desenvolvimento sob encomenda para atender aos requisitos dos clientes também situa a Macroplast, de São Bernardo do Campo-SP, entre as empresas dedicadas às especialidades, já há 33 anos. A linha de compostos de PP inclui formulações com carga mineral coloridas, em concentrações desde 5% até 75%. "Atendemos às necessidades específicas de cada cliente ou aplicação, modificando e ajustando propriedades físicas, térmicas, intemperismo, e condutividade térmica, entre outras", diz o diretor comercial Fernando Nicolosi.

Desde janeiro deste ano, a Macroplast adicionou à linha as formulações até então comercializadas pela DSM, que transferiu também sua tecnologia em compostos de PP à empresa brasileira. "Asseguramos a continuidade de produção de grades muito especiais e de alto desempenho, atendendo especificações e necessidades especiais do mercado", informa Nicolosi.

Na opinião do diretor, a combinação de custos competitivos, flexibilidade e facilidade de modificação de propriedades confere aos compostos de PP forte potencial de crescimento em nível mundial em novas aplicações, mas, sobretudo, o de substituir outros polímeros. Na indústria automotiva, o PP concorre com o ABS e novas resinas estirênicas em peças interiores e exteriores dos veículos, além de disputar com as poliamidas e metais não ferrosos na região do motor, informa o diretor da Macroplast. No setor de eletroeletrônicos, compete com o poliestireno, o ABS e ainda com o polietileno em alguns casos. Também tende a substituir o polietileno no mercado de filmes, além do PET e do polietileno na indústria de multifilamentos e fibras.

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