Mais Spheripol - Mesmo o menor produtor brasileiro, a Ipiranga, com fábrica de 150 mil toneladas anuais, polimeriza seus polipropilenos com base na tecnologia da Basell. "Cada fabricante procura adequar os produtos aos seus segmentos de atuação e clientes, desenvolvendo grades com diferentes índices de fluidez, transparência e bimodalidade, entre outros", opina o assessor comercial Geraldo Luiz Markus. Para ele, a Spheripol é a tecnologia com maior flexibilidade de produção, com ampla gama de grades, associada à baixa geração de material fora de especificação.

Expansões, por ora, estão fora de cogitação. "A oferta está equilibrada e, além disso, falta matéria-prima à Ipiranga para construir nova fábrica", informa. A produção atual da empresa hoje é limitada a 130 mil toneladas, equivalente ao propeno disponível pela Copesul.  Cuca Jorge
Markus: propeno limitado tolhe expansão 

Maiores volumes só em 2005, com a disponibilidade do propeno da Refap (Petrobrás), que será convertido em grau polímero para alimentar os reatores da Ipiranga. A Copesul para isso deverá aumentar a produção de propeno mediante implantação de novo forno na Central, com oferta adicional apenas em 2006.

Markus compartilha a mesma opinião de Felli e de Coelho a respeito do mercado de BOPP. "É um segmento que está crescendo e impulsionando bastante o mercado de polipropileno, cada nova indústria de BOPP absorve cerca de 20 mil toneladas anuais de resina", pondera.

O mercado de polipropileno registra crescimento bastante sustentável, avalia Markus. "A resina está muito vinculada ao varejo e aos bens duráveis", acredita. A Ipiranga também produz homopolímeros, copolímeros de alto impacto e randômico. Os copolímeros randômicos apresentam transparência e alta fluidez, assegurando maior processabilidade, ideais para injetar embalagens. Os tipos de alto impacto se destacam pela resistência superior sob altas e baixas temperaturas e atendem em especial ao segmento de embalagens para refrigeração, baldes e autopeças. Já os homopolímeros constituem as commodities do PP, indicados para uso geral em injeção, extrusão, filmes, fibras e ráfia, entre outros.

A Ipiranga oferece ao mercado 23 variedades de polipropileno. Na área de desenvolvimento, a empresa busca novos tipos com maior índice de fluidez para o mercado de injeção. "O foco é obter maior processabilidade com redução no ciclo", informa Markus. Para tanto, conta com dois laboratórios: o físico, onde são realizadas pesquisas e desenvolvimento de novos produtos; e o de controle de qualidade, para testes e simulação do desempenho no processo de transformação do cliente. 

PP CONCORRE COM RESINAS ESPECIAIS

Embora correspondam a apenas cerca de 10% do mercado de PP, as formulações baseadas nessa resina ostentam posição importante na indústria brasileira do plástico. No ano passado, representaram em torno de 80 mil toneladas e devem atingir 90 mil toneladas neste ano, nos cálculos do gerente comercial da Polibrasil Ricardo Duarte de Souza.

Resina das mais versáteis, o polipropileno permite a incorporação de diversos tipos de cargas e aditivos, bem como blendas com outros polímeros. "Tais modificações podem ocorrer em reator ou pelo processo de extrusão, com o objetivo de modificação de suas propriedades intrínsecas", explica Alessandra Holmo, gerente de desenvolvimento de mercado da Boralis Brasil.

Com a incorporação de cargas, reforços e aditivos, o PP tem as propriedades e desempenho elevados de tal forma que concorrem inclusive com os plásticos de engenharia. "O uso de fibra de vidro quimicamente acoplada pode multiplicar por 2 a 3 vezes a resistência à tração do PP, atingindo valores equivalentes às das poliamidas não modificadas, a rigidez aumenta de 4 a 5 vezes, e a temperatura de deflexão pode atingir 150ºC", explica Zoé Moncorvo, diretora superintendente da Pepasa Plásticos de Engenharia, de Santos-SP. Cuca Jorge
Alessandra prevê novo ciclo de alta do pp

O acréscimo da carga carbonato de cálcio propicia ao polipropileno maior rigidez e melhora nas propriedades térmicas, mas reduz a resistência ao impacto e à tração. Dedicada à produção de especialidades, a Pepasa também incorpora à resina micro-esferas de vidro, mica, wollastonita, sulfato de bário e pós metálicos com objetivos definidos caso a caso: as micro-esferas têm o propósito de elevar a estabilidade dimensional; a mica, a rigidez. Além de elevar a opacidade aos raios X, o sulfato de bário também aumenta a densidade da resina, enquanto os metais são empregados para acrescentar peso.

Os diversos aditivos disponíveis no mercado ainda incorporam ao PP novas propriedades e ajudam a eliminar alguns defeitos. O polipropileno se degrada sob a radiação ultravioleta; assim, a incorporação de aditivos antiultravioleta evita o problema. Já o uso de agentes condutores de eletricidade o transforma de material isolante em dissipador de eletricidade estática. Outro problema do PP, a baixa resistência superficial aos riscos pode ser superada com aditivos especiais.

O polipropileno ainda é opção interessante na composição de blendas. "As propriedades de baixíssima absorção de umidade levaram-no a blendas com outras resinas, como algumas poliamidas que, sendo hidrofílicas, apresentam pouca estabilidade dimensional, prejudicando a sua aplicação onde essa propriedade for indispensável", comenta Zoé. Segundo ela, as blendas de PP/PA lubrificadas (com PTFE, ou politetrafluoretileno) reduzem a absorção de umidade a níveis inferiores a 0,4%. Também é possível a produção outras blendas com PP, assegura a diretora.


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