PROJEÇÃO DE MAIOR CONSUMO GERA ONDA DE DESGARGALOS

Preocupados em suprir o mercado, produtores investem e aumentam a oferta em 160 mil t

Maria Aparecida De Sino Reto

SEGMENTO DO MERCADO

Fonte: Abraplast/Complast/Albiquim

A capacidade atual brasileira de produção de polipropileno, de 1.365.000 toneladas, supre com folga o mercado interno, fechado no ano passado em 935.549 toneladas, de acordo com os dados oficiais do Siresp (Sindicato das Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo). Mas, a julgar pelas projeções da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), para o consumo brasileiro em 2005 e 2008, estimado em 1,2 milhão de toneladas e 1,6 milhão de toneladas nesses períodos, as expansões anunciadas pelos dois maiores fabricantes locais da resina - Braskem e Polibrasil - serão insuficientes para atender à nova demanda.

Com recursos da ordem de US$ 7 milhões em desgargalamentos nas duas unidades produtoras em Triunfo-RS, a Braskem adiciona 100 mil toneladas à produção já no início do segundo semestre deste ano, elevando sua capacidade para 650 mil toneladas anuais. De acordo com o diretor comercial da unidade poliolefinas Luis Felli, a empresa efetuou várias melhorias nas fábricas. A mais significativa delas consistiu na troca da parte superior do reator por outra no formato de pêra invertida, que permitiu aumentar a capacidade de produção de copolímeros. Em paralelo, também elevou as capacidades de extrusão, do transporte pneumático e da linha de ensaque.

Além das duas unidades baseadas na consagrada tecnologia Spheripol, da Basell, com produção a plena carga, a Braskem mantém em hibernação uma fábrica de 100 mil t/ano pelo processo Slurry. 

"As plantas de Spheripol são mais novas e eficientes, um negócio mais atrativo em rentabilidade", diz Felli, justificando a preferência pelo desgargalamento dessas unidades, em detrimento da retomada de produção da Slurry. Esta, aliás, só volta a operar se o mercado assim o exigir. Cuca Jorge
Feli: promete novos grades de ciclo rápido

A meta da Braskem é ter nova unidade pronta, com capacidade estimada em 250 mil toneladas anuais, no início de 2007, de modo a atender à demanda prevista pela empresa. Segundo Felli, o mercado brasileiro de PP deve crescer entre 10% e 12% neste ano. "O primeiro semestre foi bom e o segundo deve ser melhor ainda", prevê.

Segmento importante para o polipropileno, o setor agrícola, grande consumidor de sacarias e tecidos técnicos, promete desempenho muito bom neste ano. Também o aquecimento da indústria alimentícia já provoca maior consumo de embalagens. Além disso, observa Felli, a demanda por bens duráveis, postergada em 2003, está acontecendo em 2004.

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