MERCADO CRESCE COM IMÓVEIS E CALÇADO

Melhor desempenho da construção civil e boas perspectivas nas áreas calçadista e de saneamento, além de outras, justificam os aportes

Maria Aparecida De Sino Reto

A alta no petróleo, cotado a mais de 40 dólares o barril, e seu reflexo nos preços das resinas, não intimidou os fabricantes brasileiros de PVC que, confiantes na recuperação do setor de construção civil e avanços em outras áreas como saneamento e calçados, anunciam expansões. Braskem e Solvay, os dois únicos produtores locais planejam entrar com nova capacidade em meados do próximo ano: a primeira com 50 mil toneladas a mais e a outra, com acréscimo de 30 mil toneladas. As projeções otimistas de crescimento da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) lastreiam as injeções de recursos. A entidade prevê um consumo de 877 mil toneladas da resina em 2005 e 1,0 milhão de toneladas em 2008. Acareadas com as informações divulgadas pelo Siresp (Sindicato das Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo), com consumo de PVC fechado em 604 mil toneladas no ano passado, as previsões da Abiplast equivalem a aumentos respectivos de 45,2 % e 65,5 % nos períodos considerados.

A Braskem programou sua ampliação em três fases, cada uma de 50 mil toneladas. Só a primeira etapa, prevista para ser concluída em meados de 2005, absorverá R$ 90 milhões e elevará a capacidade atual de 450 mil toneladas de PVC do tipo suspensão para 500 mil toneladas. Esse primeiro desgargalamento contempla a unidade de Marechal Deodoro, em Alagoas. Os outros dois, com investimentos indefinidos, estão planejados para os anos seguintes, de acordo com as necessidades do mercado, informou o diretor comercial de PVC Rui Chammas. O segundo incremento favorece a unidade de Camaçari-BA e o último, as duas fábricas. Segundo ele, as expansões visam apenas o PVC em suspensão. A fábrica de PVC emulsão, em São Paulo, manterá a atual capacidade, de 30 mil toneladas anuais, disse.

Os projetos de ampliação da Solvay também contemplam apenas a produção de PVC suspensão, com capacidade atual de 210 mil toneladas, no complexo industrial de Santo André-SP, informa o gerente de marketing para o Mercosul Nilton Valentim. A capacidade instalada do PVC emulsão, operante no mesmo local, permanece em 30 mil toneladas anuais.

Também consta dos planos da Solvay a auto-suficiência em MVC (monocloreto de vinila), insumo básico para produzir PVC, comenta o gerente. A capacidade de produção de MVC sobe das atuais 160 mil toneladas para 270 mil toneladas anuais, com partida prevista para meados de 2005. Tudo para consumo próprio. Nos dois empreendimentos, a Solvay totaliza investimentos de US$ 45 milhões.

O volume complementar de MVC necessário à Solvay brasileira operar em torno de 90% da capacidade, somados os PVC suspensão e emulsão, virá da sua fábrica argentina. Lá, a capacidade de produção de MVC atinge 230 mil toneladas anuais e a de PVC, 210 mil toneladas anuais, informa Valentim.

Além da alta nas cotações do petróleo, com reflexos nos preços do eteno e nos custos de produção das resinas, também a escassez mundial na oferta de EDC (dicloroetano) e MVC, intermediários necessários à produção do PVC, contribuem para aumentar a pressão nos custos deste polímero. Resultado da falta de injeção de recursos maiores na cadeia soda/cloro, o mercado mundial enfrenta hoje problemas de fornecimento do monômero MVC. Os investimentos em novas fábricas já começaram, o resultado, porém, é de longo prazo. A relação entre oferta e demanda deve continuar apertada ainda neste e no próximo ano. "O quadro só deve reverter em 2006, com a inauguração de novas unidades", avalia Chammas.

<<< Anterior

Próxima >>>