SETOR EVOLUI COM NOVAS NORMAS DE SEGURANÇA

Compatíveis com a norma européia, os requisitos impostos pela ABNT elevam as oportunidades de exportação dos moinhos nacionais

Simone Ferro

A norma nacional com os requisitos de segurança para os moinhos granuladores está pronta e deve ser publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) até o final de junho. Os fabricantes terão quatro meses para adaptar seus produtos às novas exigências. O passo seguinte será incluir tais requisitos na convenção coletiva sobre prevenção de acidentes em máquinas injetoras de plástico, com renovação prevista para setembro.

A iniciativa visa atualizar tecnologicamente e em conformidade à norma os equipamentos obsoletos, ainda em operação, tornando-os mais seguros, a exemplo do que já ocorreu com as injetoras. O pesquisador da Fundacentro, Roberto do Valle Giuliano, informa ainda o desejo da comissão tripartite, composta por representantes dos empresários, trabalhadores e do governo, de inserir as sopradoras e extrusoras no texto da convenção. Equipes técnicas formadas pelos fabricantes e capitaneadas pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) trabalham com o tema.

A convenção, assinada em 1995 e renovada a cada dois anos, tende a se tornar cada vez mais abrangente e, possivelmente, mudará de nome para incluir os demais equipamentos. A Fundacentro fica encarregada de elaborar vídeos e cursos de treinamento para os operadores dos moinhos e demais máquinas. "Nossa função é levar as informações aos trabalhadores", diz Giuliano.

A norma técnica com os requisitos de segurança para moinhos granuladores, com registro provisório ABNT 04:016.02-002, representa um grande avanço para o setor. Além de visar a redução dos riscos de acidentes de trabalho e aumentar a segurança durante a operação e manutenção - seus principais objetivos -, a norma aproxima o produto nacional do mercado externo.

Muitos fabricantes estimam aumentar seu potencial exportador. "Depois de implementada, a norma avalizará e certificará os equipamentos para uso em mercados hoje ainda restritos, como o europeu", acredita o diretor comercial da Seibt, de Nova Petrópolis-RS, Breno Theodoro Seibt.

Representantes da Primotécnica, de Mauá-SP; da Piovan e Rone, ambas com fábrica em Osasco-SP; e da Seibt participaram do projeto. Dentre os principais requisitos, o diretor da Rone Ronaldo Cerri destaca a redução da emissão de pó e ruído e a proteção das partes móveis e elétricas, sendo compatível à norma européia, supostamente mais rigorosa que a americana.

Adequação - Agora a Rone, assim como os demais fabricantes, trabalham para adequar suas linhas de produtos às novas exigências. "Buscamos soluções eficientes e econômicas para cumprir todos os itens da norma." Segundo Cerri, os custos de fabricação não serão alterados, assim como o preço final do equipamento, a menos que exista a necessidade de agregar novos dispositivos. Cuca Jorge
Cerri: preços dos equipamentos permanecerão sem acréscimos

Muitos avanços tecnológicos já foram concretizados. A última edição da Brasilplast, de 10 a 14 de março de 2003, em São Paulo, foi palco de boa parte deles (ver PM, edição nº 342, pág. 42). Um exemplo é a linha C de moinhos sem partes móveis em exposição apresentada pela Rone.

A empresa também trabalha num novo projeto. "O equipamento promove a separação vibratória na descarga, ou seja, retira os grãos finos dos ideais", explica Cerri. O principal alvo é o material cristal, como o policarbonato.

Ainda em fase de teste, o equipamento será adaptado como acessório dos moinhos de baixa rotação que trabalham ao pé da máquina injetora ou sopradora. A linha de moinhos da empresa, composta por mais de 300 modelos, vai de 2 hp até 200 hp de potência, além de projetos especiais. A Rone também investe alto nas exportações.

A empresa reforçou a participação em feiras internacionais e aguarda para os próximos meses o início da montagem de equipamentos no México (ver PM, edição nº 354, pág. 8). Dentre as principais tendências do mercado, Cerri cita a consolidação dos moinhos de baixa rotação.

Divulgação O vice-presidente para a América do Sul da Piovan Ricardo Prado também aposta no avanço da moagem ao pé da máquina. "O mercado solicita cada vez mais moinhos próprios para aplicações específicas. Trata-se de uma tendência irreversível em virtude das vantagens oferecidas na redução de contaminações, geração de pó e de estoques de diversos tipos de materiais moídos, além de aumentar a produtividade."
Moinho Rapid já atende aos novos requisitos brasileiros

Já as centrais de moagem destinam-se à recuperação de peças grandes, como pára-choques, caixarias, bombonas, etc. "Outra aplicação importantíssima para os equipamentos centrais é a reciclagem de grandes volumes", afirma Prado.

A Piovan fabrica moinhos especiais para trabalho ao lado da máquina processadora. "Atendem a aplicações onde se exige boa homogeneidade da granulometria, além de garantir baixa geração de pó e emissão de ruído." A linha da Piovan inclui unidades de baixa rotação com boca de alimentação desde 15 cm x 15 cm até 30 cm x 45cm. Cuca Jorge
Para Prado, moagem ao pé da máquina é tendência irreversível

Os modelos com boca de alimentação de até 20 cm x 30 cm são montados no Brasil, com a importação de parte dos componentes. Os demais continuam importados. Dentre os mais vendidos, Prado destaca o modelo com bocal de 15 cm x 30 cm. "Permite vasta área de aplicação em máquinas injetoras e sopradoras convencionais."

Cuca Jorge Recentemente, a empresa lançou a segunda geração de moinhos série RS 15 cm x 15 cm até 15 cm x 38 cm, cuja revisão do projeto visou melhorias de desempenho. "A linha já está a venda no Brasil." Em virtude das dimensões dos moinhos que fabrica, a Piovan não tem muita atuação no campo da reciclagem pós-consumo. Tem, porém, forte participação na recuperação de polietileno tereftalato (PET) por sistemas especiais de cristalização e secagem, e de grandes sistemas especiais para aproveitamento do reciclado em extrusão. Na avaliação de Prado, o mercado está em crescimento e já aponta para um aumento dos pedidos em torno de 50%.
Moinho de baixa permite vasta área de aplicação

 

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