Mesmo consciente da limitação desse tipo de embalagem a alguns nichos de mercado, como o cosmético, a empresa oferece a versão degradável para todas as linhas da marca. “Podemos fabricar qualquer um de nossos produtos com o aditivo”, explica Adler.

Além de traduzir uma tendência de mercado, na opinião do industrial, essa oferta está relacionada à viabilidade do insumo. “O produto é 97% nacional, o que diminui o preço final da embalagem”, comenta. Para a embalagem se degradar, requer em sua formulação apenas 3% do aditivo. Além disso, o EMC mantém intactas as propriedades da resina.   Divulgação
Boticário aposta na degradabilidade

Ação inédita Pela primeira vez no Brasil, as embalagens plásticas degradáveis alcançaram escala industrial. No final do ano passado, a Antilhas Soluções Integradas para Embalagens fabricou cinco milhões de sacos degradáveis de polietileno de baixa densidade (PEBD), utilizando o aditivo EMC. A produção destinou-se à rede de perfumaria e cosméticos O Boticário. Foi uma ação pontual de Natal, mas o lançamento foi significativo e sinalizou uma nova fase para a indústria do plástico, na opinião do analista técnico da Antilhas Carlos Hugo Oliveira. Ele reconhece o subsídio oferecido por uma marca forte, como O Boticário, no entanto, aposta na rápida consolidação do conceito, sobretudo em operações específicas. “Vai demorar para o plástico degra­dável chegar às embalagens de linha que envolvem grandes volumes, mas a cada nova ação, mais negócios serão realizados”, acredita. Antes da comercializa­ção dos sacos plásticos, a Antilhas não recebia consultas referentes a esse tipo de embalagem. Só em janeiro, a empresa registrou média de 15 novos contatos.

O lançamento consumiu cerca de cem toneladas de resina, absorvidas na produção dos cinco milhões de sacos plásticos. Se comparada à produção total da empresa, o volume foi pouco expressivo, admite Oliveira. Afinal, em períodos de pico, são fabricadas até nove milhões de sacolas por mês. Porém, a divulgação do conceito é o mais importante. O produto está no início de seu desenvolvimento e requer tempo para se consolidar no mercado nacional de embalagens.

De olho no descartável - Longe de ser ameaça para as poliolefinas convencionais, o plástico biode­gradável está focado em aplicações específicas, em geral, de produtos de rápido descarte. A praticidade oferecida pela embalagem plástica e a urgência da vida moderna são um convite ao agravamento da questão ambiental. A vida útil de uma sacola de supermercado, muitas vezes, é de poucos minutos, pois além de embalar a compra do consumidor, agrega a função de acondicionar lixo doméstico. O descarte chega a ser imediato à sua aquisição, enquanto a degradação natural pode despender até cem anos. Segundo levantamento da RES Brasil, as redes de supermercado consomem no País cerca de 700 milhões de sacolas mensais.

Por conta do grande volume, Van Roost aposta nesse nicho como porta de entrada efetiva do plástico degradável no mercado de embalagens plásticas.“De imediato, vislumbro o material sendo incorporado a segmentos de artefatos de ciclo de vida curta”, opina. Experiência na Inglaterra motiva Van Roost a acreditar no potencial do setor. De acordo com o executivo, alguns varejistas ingleses adotaram as sacolas biodegradáveis. Como resultado, registraram ganhos de imagem, como empresa comprometida com o meio ambiente, e também financeiros. Diante da possibilidade de contribuir com a preservação ambiental, o consumidor reduziu a utilização das sacolas plásticas, na ordem de 25%. Mas, como o preço do material degradável é superior ao plástico convencional, mesmo com a queda no consumo das sacolas, o saldo foi positivo.

Para José Geraldo da Cruz Pradella, do Agrupamento de Biotecnologia – Divisão de Química do IPT e responsável pelo grupo de desenvolvimento do biopolímero PHB, o modelo inglês poderia ser seguido no País, sobretudo porque o brasileiro tem o perfil de quem pagaria mais caro por uma embalagem, se o propósito fosse a preservação ambiental. Segundo expectativa da RES Brasil, até o final de 2004 a produção nacional de sacolas plásticas degradáveis será da ordem de 150 milhões mensais. De acordo com projeção da empresa, o aumento nas vendas do produto será da ordem de 100% ao ano.

Os transformadores nacionais endossam essa perspectiva. A Sol Embalagens, fornecedora de sacolas plásticas para Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart, entre outros varejistas, está em negociação com grande rede nacional de supermercado, ainda em sigilo, no intuito de comercializar sacolas degradáveis neste semestre.

Cuca Jorge As amostras do produto fabricado com o aditivo EMC foram aprovadas por órgãos europeus e aguardam a certificação das propriedades de degradação, de um instituto nacional. Segundo previsão do diretor comercial da Sol Embalagens Rogério Mani, caso o negócio de fato se concretize, as sacolas já estarão ao alcance do consumidor em abril deste ano.  
Adler aposta no aumento do consumo do degradável

Há três anos, a empresa estuda a aplicação de materiais biodegradáveis em sua linha de produtos, porém só com o aditivo conseguiu preços competitivos para as embalagens, na opinião de Mani. “A expectativa em relação à produção de sacolas degradáveis é muito positiva e promissora”, comenta. No início do ano passado, a Sol teve uma experiência bem-sucedida com a utilização do biopolímero Mater-Bi. A empresa ofereceu embalagens feitas com o insumo para a 41ª Festa da Uva, realizada pela Prefeitura Municipal de Vinhedo – SP. O evento se destacou porque evitou o depósito de resíduo plástico em aterros ou lixões, por conta do uso de sacos de lixo plástico biodegradável e compostável. Eram dois tipos de lixeiras: uma para o lixo sólido e outra para o orgânico. Após a coleta, os resíduos secos foram destinados a cooperativas de reciclagem e os úmidos, depositados para compostagem no próprio recinto da festa. Após 50 dias, todo o lixo úmido se transformou em composto e passou a ser usado como adubo.

Outras experiências, mesmo estrangeiras, demonstram o avanço do conceito. O Hospital da Universidade de Harvard e a Universidade de Massachussetts, ambas dos EUA, utilizam produtos compostáveis e biodegradáveis fabricados com Mater-Bi em suas cozinhas. Há mais exemplos fora do ambiente acadêmico. De acordo com informações da RES Brasil, as redes McDonalds da Suécia e da Áustria adotam linha de embalagens biodegradáveis. Também nos Jogos Olímpicos de Sydney, realizados na Austrália, em 2000, os talheres, copos, pratos, canudos, tampas para copos e sacos para lixo seguiam o conceito de biode­gradabilidade do Mater-Bi.  

 

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