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Mesmo consciente da limitação desse tipo de embalagem a alguns nichos de mercado, como o cosmético, a empresa oferece a versão degradável para todas as linhas da marca. “Podemos fabricar qualquer um de nossos produtos com o aditivo”, explica Adler.
Ação inédita –
Pela primeira vez no Brasil, as embalagens plásticas degradáveis alcançaram
escala industrial. No final do ano passado, a Antilhas Soluções
Integradas para Embalagens fabricou cinco milhões de sacos degradáveis
de polietileno de baixa densidade (PEBD), utilizando o aditivo EMC. A
produção destinou-se à rede de perfumaria e cosméticos O Boticário.
Foi uma ação pontual de Natal, mas o lançamento foi significativo e
sinalizou uma nova fase para a indústria do plástico, na opinião do
analista técnico da Antilhas Carlos Hugo Oliveira. Ele reconhece o subsídio
oferecido por uma marca forte, como O Boticário, no entanto, aposta na rápida
consolidação do conceito, sobretudo em operações específicas. “Vai
demorar para o plástico degradável chegar às embalagens de linha que
envolvem grandes volumes, mas a cada nova ação, mais negócios serão
realizados”, acredita. Antes da comercialização dos sacos plásticos,
a Antilhas não recebia consultas referentes a esse tipo de embalagem. Só
em janeiro, a empresa registrou média de 15 novos contatos. O
lançamento consumiu cerca de cem toneladas de resina, absorvidas na produção
dos cinco milhões de sacos plásticos. Se comparada à produção total
da empresa, o volume foi pouco expressivo, admite Oliveira. Afinal, em períodos
de pico, são fabricadas até nove milhões de sacolas por mês. Porém, a
divulgação do conceito é o mais importante. O produto está no início
de seu desenvolvimento e requer tempo para se consolidar no mercado
nacional de embalagens. De olho no descartável -
Longe de ser ameaça para as poliolefinas convencionais, o plástico biodegradável
está focado em aplicações específicas, em geral, de produtos de rápido
descarte. A praticidade oferecida pela embalagem plástica e a urgência
da vida moderna são um convite ao agravamento da questão ambiental. A
vida útil de uma sacola de supermercado, muitas vezes, é de poucos
minutos, pois além de embalar a compra do consumidor, agrega a função
de acondicionar lixo doméstico. O descarte chega a ser imediato à sua
aquisição, enquanto a degradação natural pode despender até cem anos.
Segundo levantamento da RES Brasil, as redes de supermercado consomem no
País cerca de 700 milhões de sacolas mensais.
Por
conta do grande volume, Van Roost aposta nesse nicho como porta de entrada
efetiva do plástico degradável no mercado de embalagens plásticas.“De
imediato, vislumbro o material sendo incorporado a segmentos de artefatos
de ciclo de vida curta”, opina. Experiência na Inglaterra motiva Van
Roost a acreditar no potencial do setor. De acordo com o executivo, alguns
varejistas ingleses adotaram as sacolas biodegradáveis. Como resultado,
registraram ganhos de imagem, como empresa comprometida com o meio
ambiente, e também financeiros. Diante da possibilidade de contribuir com
a preservação ambiental, o consumidor reduziu a utilização das sacolas
plásticas, na ordem de 25%. Mas, como o preço do material degradável é
superior ao plástico convencional, mesmo com a queda no consumo das
sacolas, o saldo foi positivo.
Para
José Geraldo da Cruz Pradella, do Agrupamento de Biotecnologia – Divisão
de Química do IPT e responsável pelo grupo de desenvolvimento do biopolímero
PHB, o modelo inglês poderia ser seguido no País, sobretudo porque o
brasileiro tem o perfil de quem pagaria mais caro por uma embalagem, se o
propósito fosse a preservação ambiental. Segundo expectativa da RES
Brasil, até o final de 2004 a produção nacional de sacolas plásticas
degradáveis será da ordem de 150 milhões mensais. De acordo com projeção
da empresa, o aumento nas vendas do produto será da ordem de 100% ao ano.
Os transformadores nacionais endossam essa perspectiva. A Sol Embalagens, fornecedora de sacolas plásticas para Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart, entre outros varejistas, está em negociação com grande rede nacional de supermercado, ainda em sigilo, no intuito de comercializar sacolas degradáveis neste semestre.
Há
três anos, a empresa estuda a aplicação de materiais biodegradáveis em
sua linha de produtos, porém só com o aditivo conseguiu preços
competitivos para as embalagens, na opinião de Mani. “A expectativa em
relação à produção de sacolas degradáveis é muito positiva e
promissora”, comenta. No início do ano passado, a Sol teve uma experiência
bem-sucedida com a utilização do biopolímero Mater-Bi. A empresa
ofereceu embalagens feitas com o insumo para a 41ª Festa da Uva,
realizada pela Prefeitura Municipal de Vinhedo – SP. O evento se
destacou porque evitou o depósito de resíduo plástico em aterros ou lixões,
por conta do uso de sacos de lixo plástico biodegradável e compostável.
Eram dois tipos de lixeiras: uma para o lixo sólido e outra para o orgânico.
Após a coleta, os resíduos secos foram destinados a cooperativas de
reciclagem e os úmidos, depositados para compostagem no próprio recinto
da festa. Após 50 dias, todo o lixo úmido se transformou em composto e
passou a ser usado como adubo. Outras
experiências, mesmo estrangeiras, demonstram o avanço do conceito. O
Hospital da Universidade de Harvard e a Universidade de Massachussetts,
ambas dos EUA, utilizam produtos compostáveis e biodegradáveis
fabricados com Mater-Bi em suas cozinhas. Há mais exemplos fora do
ambiente acadêmico. De acordo com informações da RES Brasil, as redes
McDonalds da Suécia e da Áustria adotam linha de embalagens biodegradáveis.
Também nos Jogos Olímpicos de Sydney, realizados na Austrália, em 2000,
os talheres, copos, pratos, canudos, tampas para copos e sacos para lixo
seguiam o conceito de biodegradabilidade do Mater-Bi.
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