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INDÚSTRIA Movimentação
da Renata Pachione Os
polímeros com propriedades de degradação saíram do âmbito acadêmico.
A produção nacional ainda é incipiente, abaixo de um ponto percentual
no mercado brasileiro de resinas termoplásticas. Mas, as pesquisas começam
a transpor as bancadas para chegar ao chão das fábricas. Existe grande
movimentação do setor, a ponto de justificar projeções positivas.
Segundo expectativa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São
Paulo (IPT), a demanda anual de plásticos biodegradáveis pode alcançar
a marca de 20 mil toneladas nos próximos cinco anos. Estimativa
da RES Brasil, empresa sediada em Valinhos – SP, responsável pela
importação e licenciamento de matéria-prima para fabricação de plástico
biodegradável, dá conta da produção nacional de 155 toneladas de
embalagens feitas com seus produtos em 2003. Esse número, no entanto,
reflete somente três meses de efetiva comercialização de insumos,
na avaliação do diretor superintendente Eduardo Van Roost. Os prognósticos
são tão positivos a ponto de motivar a RES S.A., originária de
Luxemburgo, a construir fábrica no Brasil. Se as expectativas da empresa
se confirmarem, em pouco tempo, a produção dos insumos básicos será
local, alavancando a consolidação do conceito no País. O
biopolímero poliidroxibutirato (PHB), desenvolvido pelo IPT na década de
90, até pouco tempo era apenas promessa acadêmica. Mas hoje, fabricada
na Usina da Pedra, do grupo Irmãos Biagi, em Serrana-SP, a resina está
na iminência de se tornar um negócio. O êxito do desenvolvimento serviu
inclusive de respaldo para a criação, em 2000, da empresa PHB
Industrial, detentora da marca Biocycle, nome comercial do biopolímero. O
empreendimento cresceu e instiga perspectivas animadoras. A PHB Industrial
pretende produzir em escala comercial, em no máximo dois anos. Com
inauguração prevista para 2006, a nova unidade deve gerar 4 mil
toneladas do Biocycle ainda no primeiro ano de atividade. Em dois anos,
espera-se operar com capacidade produtiva de 15 mil toneladas. DEGRADAÇÃO DE SACOLA
Porém, somente no ano passado o projeto
saiu do papel e a produção, antes exclusiva para amostras destinadas a
testes, passou a ser comercial.
Os resultados da operação fundamentam as
perspectivas do diretor executivo da Nobelplast Beni Adler. Para ele, em
três anos, 40% do faturamento da empresa deverão ser gerados pela linha
de embalagens com propriedades de biodegradabilidade.
Essa aposta reflete o sucesso de ações realizadas no ano passado.
A partir de uma solicitação da rede de cosméticos Natura, a empresa
fabricou embalagens para o envio de notas fiscais destinadas a 335 mil
consultoras da empresa. “Esse foi só o começo de um trabalho contínuo”,
avalia Adler. Também em 2003 a Nobelplast confeccionou cerca de 20 mil
envelopes de mala-direta para o regulamento do Grande Prêmio de
Jornalismo do Instituto Ayrton Senna. Os dois produtos foram fabricados
com o aditivo pró-degradante EMC, da empresa inglesa Symphony e
representado no País pela RES Brasil. Apesar de incipiente, a linha de degradáveis da Nobelplast, denominada Bioplast, tem potencial de crescimento. Na iminência de novos contratos, Adler prevê fechar este ano com o produto respondendo por 10% da produção.
A
primeira incursão da Nobelplast nesse mercado se deu com a utilização
do biopolímero Mater-Bi, também representado pela RES Brasil. Com
características de biodegradabilidade e compostagem, o material orgânico,
fabricado pela empresa italiana Novamom, destinou-se à criação de
embalagens experimentais. Dois anos após esse desenvolvimento, a
Nobelplast adotou o agente acelerador de degradação EMC em sua produção,
resultando nas ações comerciais realizadas no ano passado.
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