Investimentos - Segundo do os cálculos da Anipac, o setor petroquímico necessita de 15 milhões a 20 milhões de dólares para a sua reativação. Na avaliação de Zertuche, a situação atual deriva da falta de investimentos nos últimos 12 anos. "A produção deficitária de insumos e quase inexistente de maquinários contribuem para a perda de competitividade do transformador mexicano", afirma. No entanto, encontram-se nessas áreas as principais oportunidades de investimento. "Perdemos mercado para as importações e essa dependência nos torna vulneráveis."

De acordo com informações do Centro Empresarial do Plástico, os polietileno estão entre os materiais mais consumidos, seguidos pelo polipropileno (PP), polietileno tereftalato (PET), policloreto de vinila (PVC), e outros. 

Só para se ter uma idéia da defasagem, 484 mil das 615 mil toneladas de polietileno de alta densidade consumidos em 2001 foram importadas. As importações de PP alcançaram 405 mil t, contra 180 mil t da resina de origem nacional.
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A principal novidade para começar a alterar esse quadro foi divulgada pela Indelpro no primeiro dia do evento. A companhia, líder mexicano na produção de PP, anunciou que planeja construir nova fábrica com capacidade para 350 mil t/ano, e partida prevista para o segundo semestre de 2006. A nova unidade garantirá uma capacidade total de 570 mil t/ano, convertendo as instalações de Altamira em um dos maiores complexos de produção de PP da América do Norte.

A Indelpro é uma empresa mexicana, subsidiária da Alpek, pertencente ao grupo petroquímico Alfa, maior produtor de insumos petroquímicos do México; e da Basell, líder na produção de PP, detentora da tecnologia Spheripol e Spherizone. 
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"A nova planta fortalecerá a posição da Indelpro no mercado mexicano, além de ampliar a gama de produtos com grades de alta qualidade e a participação em nichos que hoje não usam os nossos produtos", avalia o diretor geral Raúl Millares.

Destaque latino - De acordo com dados da Anipac, o México possui 4.500 transformadores, responsáveis pelo consumo de mais de 4 milhões de toneladas de resinas em 2003, o equivalente a 4,1% da demanda mundial. Dentre os moldadores, 91% classificam-se como micro e pequenas empresas, 6% integram o rol das médias e apenas 3% são consideradas grandes companhias.

Os principais centros de produção estão no Distrito Federal e no Estado do México, que em conjunto concentram 43% das empresas. Na seqüência, por grau de importância, ficam Jalisco com 14% e Nuevo León com 9%. Há empresas de plástico em todos os Estados, com maior concentração em nove deles. Integram a lista, além dos já citados, Baja Califórnia Norte, Chihuahua, Tamaulipas, Coahuila, Querétaro e Guanajuato que, com os demais totalizam os 34% restantes.

A localização geográfica é um ponto bastante favorável para o comércio com Estados Unidos, Canadá e América Central, que juntos importam mais de 4 milhões de toneladas de produtos plásticos, segundo dados do Banco Nacional de Comércio Exterior. Só os Estados Unidos absorvem 80% das exportações mexicanas. Tais números classificam o México como o 170 maior consumidor mundial de plástico e o segundo da América Latina, pelas estatísticas da Anipac.

Zertuche também atribuiu à falta de financiamentos parte das dificuldades enfrentadas pelo setor. "Os transformadores precisam investir em tecnologia e modernizar suas plantas industriais." Embora as taxas de juros estejam em queda desde 2000, o acesso ao crédito ainda é vetado à maioria das empresas e consumidores mexicanos. Não deixou de salientar o apoio do governo federal em relação aos anseios e planos estratégicos do setor. "Em três anos, a produção nacional de plásticos suprirá 65% da demanda", estima.

Serão colocados em prática ainda programas para aumentar a competitividade das empresas. Dentre as oportunidades de negócios, inclusive para o capital estrangeiro, ressalta os segmentos de embalagens rígidas e flexíveis, a substituição das importações pela fabricação local de moldes e o abastecimento da indústria maquiladora com produtos nacionais.

Maquiladoras - Calcula-se a existência de mais de 3.000 indústrias maquinadoras de exportação no México, conforme classificação criada pela Secretaria de Comércio e Fomento Industrial. Dessas, pelo menos 600 são usuárias de plásticos. Como o nome diz, tais empresas "maquiam" produtos primários de procedência estrangeira, importados temporariamente, que retornam manufaturados ao país de origem, em especial para os Estados Unidos. Os processadores para exportação montam televisores, computadores, autopeças, entre outros artigos.

Estima-se que em 2002 as importações de artigos plásticos somaram 7,4 bilhões de dólares, das quais a maior parte não se destina ao consumo interno. Criadas em 1965, por meio de um acordo com os Estados Unidos, e disseminadas nos últimos dez anos, as maquiladores atraem investidores com vantagens especiais, como isenção alfandegária e proteção à propriedade internacional, e deixam a economia mexicana 100% aberta ao capital estrangeiro.

Classificado pelo presidente Vicente Fox Quesada como o motor da economia mexicana, o modelo é alvo de duras críticas em virtude da exploração da mão-de-obra barata dos países de terceiro mundo e, conseqüentemente, por desrespeitar os direitos humanos e leis de proteção ambiental. Além disso, alguns fatores têm debilitado o setor maquilador, como a concorrência asiática, o aumento do custo da produção e os acordos de livre comércio com outros países, causando forte desemprego na zona norte do México, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

São incontestáveis, no entanto, os esforços para atrair o capital estrangeiro, a começar pela eliminação dos trâmites federais necessários para a abertura de um negócio. De acordo com o Banco Mundial, são necessários 51 dias para montar uma empresa no México, contra 3 da Austrália, país que apresenta as melhores condições, e 203 dias no Haiti, o mais problemático de todos.

Com relação aos trâmites legais, o México soma sete procedimentos, classificando-se abaixo da China (11) e Brasil (15), e acima dos Estados Unidos (5). No entanto, perde nos custos, com mais de mil dólares, contra 135, 331 e 210 dólares respectivamente. Entre 1994 e 2003, os investimentos estrangeiros diretos no país somam 136,2 bilhões de dólares. Os principais investidores foram os Estados Unidos (75,3%), seguidos pela Alemanha (4,9%), Holanda (4%), França (3,8%), Canadá (3,5%), Espanha (1,4%), Japão (1,3%) e Reino Unido (1,1%).


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