PLASTIMAGEN MOSTRA A FORÇA DO PLÁSTICO NO MÉXICO

Produção cresce 7% ao ano, mas ainda depende muito das importações de resinas, máquinas e moldes, gerando boas oportunidades para fabricantes estrangeiros   

Textos e fotos de Simone Ferro 

Feira no Mexico - Plastimagen 2004

Ao deixar a histórica região central da Cidade do México pela extensa avenida Paseo de la Reforma; cruzar as luxuosas ruas de Las Lomas, o bairro mais elegante do Distrito Federal; e finalmente ingressar no moderno centro comercial e empresarial de Santa Fé, o visitante da 13ª edição da Plastimagen - Exposição Internacional e Conferência da Indústria do Plástico teve uma pequena mostra das transformações vividas por aquele país desde a efetivação do Nafta, em 1994. A exposição, que reuniu pouco mais de 400 empresas de 23 países, de 27 a 30 de abril, deu conta de apresentar o resto.

A economia mexicana, antes dependente do setor primário, como o agropecuário, energético e mineração, diversificou-se e cresceu com a exportação de bens manufaturados. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou com média anual de 3,4%, entre 1998 e 2002, tornando-se maior que o brasileiro. No ano passado, bateu os 653 bilhões de dólares, com superávit comercial de 20 bilhões de dólares.

Feira Plastimagen 2004 - Mexico - Elena - Zertuche - Torres - Araico - defenderam a reforma setorial
Elena, Zertuche, Torres e Araico (da dir. à esq.): defenderam a reforma setorial

Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o México possui o segundo maior parque industrial da América Latina, além de sagrar-se o maior exportador da região. Em 2002, a atividade industrial respondeu por 25,3% do PIB, enquanto a agropecuária representou 5,1%, e os serviços, 64,4%. Para 2004, estima-se crescimento entre 3% e 3,5%, com a retomada da economia e o surgimento de novas oportunidades de negócios.

A indústria do plástico, uma das mais expressivas, gera 180 mil empregos diretos e sua produção representa 0,5% do PIB nacional, ou 3% em relação ao índice do setor industrial. A produção de artigos plásticos cresce em média 7% ao ano, desde 1997, e já atingiu picos de 10% a 15% em alguns períodos. "O consumo per capita é de 40 kg/ano", afirma o presidente da Associação Nacional das Indústrias do Plástico (Anipac), Horacio Lobo Zertuche. A previsão é alcançar 53 kg por habitante até 2005.

Existe, no entanto, uma grande pedra no caminho. O principal gargalo refere-se ao déficit de insumos. Grande produtor e exportador de petróleo, o México importa 50% da demanda de resinas plásticas. Também depende do mercado externo para comprar máquinas e moldes. "A indústria do plástico registra uma balança comercial deficitária superior a dois milhões dólares", diz Zertuche.

Na cerimônia de abertura, as autoridades presentes traçaram um breve panorama do setor e suas principais expectativas. Zertuche foi enfático ao defender a reestruturação da cadeia petroquímica. "É necessário que o governo federal acelere as reformas, visto que hoje a indústria do plástico não é auto-suficiente e nem independente no uso de suas matérias-primas."

Discursaram, além de Zertuche, a diretora da Plastimagen, Elena Maribona; o diretor geral de Indústrias Pesadas e Alta Tecnologia da Secretaria de Economia, Humberto Jasso Torres; e o vice-presidente da Confederação das Câmaras Industriais dos Estados Unidos Mexicanos (Concamin), Gonzalo Araico.


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