Verticais também cisalham - Outra categoria bastante difundida de misturador no setor plástico é constituída de equipamentos cilíndricos verticais, com um eixo também na posição vertical, cujos movimentos proporcionam a intensificação dos materiais, com rotações na faixa desde 60 r.p.m. até superiores a 400 rpm, podendo resultar em cisalhamento e desaglomeração das partículas. Em geral, segundo consideram os técnicos, equipamentos desse tipo se aplicam aos processos de mistura de componentes com baixas densidades e com ciclos de mistura mais curtos, previstos no processo para que não ocorram degradações dos materiais. 

Misturadores também são fundamentais para a solvatação de polímeros, obtida pela agitação de misturas aquecidas em torno de 160°C a 200°C. Durante anos, essas misturas foram feitas em reatores verticais, mas as dificuldades para processar misturas de alta viscosidade e promover trocas de calor levaram as indústrias a substituí-los por misturadores de média intensidade, na faixa de 60 r.p.m a 200 r.p.m., visando processar com maior facilidade as soluções de hot melt.

"Em laboratório, realizamos o processamento em ciclos de mistura entre 30 minutos e 60 minutos, incluindo desde a etapa de fusão da resina até a desaeração da batelada, mas é possível reduzir ainda mais o ciclo se a resina for adicionada fundida ao misturador. Depois da fusão, a solvatação do polímero e de seus estabilizantes, será seguida da etapa em que a mistura será desaerada a vácuo, estando aquecida e livre de bolhas de ar para ser descarregada do misturador através de válvula de contorno, instalada no fundo do equipamento, que garantirá a não-aderência ou depósito do material devido à existência de pontos mortos", explicou Pellegrino.

Muitos fabricantes consideram que os primeiros misturadores foram projetados para atender às necessidades do setor plástico, mas, com o passar do tempo, vieram as novas conquistas, encontrando-se, atualmente, o seu uso cada vez mais difundido em aplicações nas indústrias farmacêuticas e alimentícias, onde se integram às produções de medicamentos e propiciam adicionar vários ingredientes e vitaminas aos alimentos, e também no setor químico que promove misturas, por exemplo, para fabricar tintas e pigmentos.

Devido à variedade de modelos existentes no mercado é importante não só identificar os equipamentos, mas conhecer efetivamente suas funcionalidades até para poder avaliar qual deles melhor se aplica às necessidades específicas de cada indústria.

Misturadores de alta intensidade atuam como recipientes geradores de calor e, mais do que misturas, acabam muitas vezes promovendo fusões de matérias-primas e ingredientes. Os movimentos de atrito que ocorrem internamente entre as partículas e as ferramentas de mistura geram temperaturas elevadas, podendo resultar na descarga dos materiais aquecidos na faixa de 60°C a 250° C.

Máquinas como extrusoras monorroscas promovem o cisalhamento dos compostos por meio de misturadores internos, seções de mistura e roscas especiais, mas também é possível contar com misturadores estáticos que, colocados nas extremidades das extrusoras, aumentam a qualidade da homogeneização e a uniformidade na cor, temperatura e viscosidade de fluxo, considerando-se os vários aditivos de processo e cor incorporados às misturas. Nessa linha de desenvolvimentos, a By Engenharia comercializa no mercado brasileiro os misturadores fabricados pela Dynisco.

"Com esse tipo de misturador, o fluxo de material que seguirá para a matriz é distribuído igualmente ao passar pelo elemento misturador", considerou Marco Antonio Gianesi, da By Engenharia. Composto de vários segmentos de rosca inseridos em tubulação instalada no final da extrusora ou na saída da bomba de fusão, esses misturadores promovem uma contínua distribuição de fluxo do material, fazendo com que seja dividido, reorientado, cisalhado e estirado pelas facas, para formar misturas mais homogêneas.

Misturas mais homogêneas - Tão difundidos como os misturadores intensivos, em razão do fator custo e da simplicidade e facilidade operacionais, os misturadores de média e baixa intensidades realizam homogeneizações físicas dos ingredientes das fórmulas e aditivações de resinas. Um dos sistemas mais empregados é conhecido como "ribbon blender". Providos de hélices internas, que alcançam velocidades de 130 r.p.m. a 150 r.p.m., são utilizados para a mistura de sólidos no setor plástico, mas também encontram largo emprego em misturas de matérias-primas e ingredientes para alimentos, medicamentos, cosméticos, corantes, fertilizantes, inseticidas e rações para animais.

"Esses equipamentos são muito utilizados em processos que requerem misturas e homogeneizações físicas, pois as formas construtivas e as geometrias das ferramentas foram preparadas para essa finalidade. Com algumas adaptações, porém, poderão realizar homogeneizações químicas", considerou Francesco Buffone Filho, diretor da Mecanoplast, fabricante de misturadores instalado em Rio Claro, no interior paulista.

Com sistemas ribbon e de pás, envolvendo lâminas e facas, misturadores produzidos pela Metalúrgica Vêneto são aplicados a pós e grânulos. Em modelos horizontais, verticais, duplo cone, em Y e tambor, fabricados em aço carbono ou inox, esses equipamentos oferecem opcionais para a adição de líquidos, aquecimento e resfriamento.

Com vendas focadas em vários mercados, entre os quais resinas, mas também de argamassas, produtos químicos, alimentícios, comportam ingredientes para misturas nas capacidades de 100 litros até 5 mil litros. Produzida em várias versões, a linha de misturadores verticais abrange modelos providos de roscas simples, duplas e especiais. E para misturar micro-ingredientes ou pigmentos, os misturadores de duplo cone e Y são fabricados em capacidades de 30 litros até 140 litros, tanto em aço carbono, como inox.

Com capacidades de produção projetadas para misturas de 250 kg/h, 350 kg/h, 600 kg/h e 1.000 kg/h e rotações duplas nas hélices do misturador de 1500 r.p.m/750 r.p.m, 1.250 r.p.m./625 r.p.m, 1.100 r.p.m./550 r.p.m. e 860 r.p.m/430 r.p.m., além de 130 r.p.m. nas rotações da hélice do resfriador, os conjuntos de misturadores/resfriadores fabricados pela Miotto são providos de motores elétricos de duas velocidades (125/80 HP), velocidade para o resfriador de 15 HP, e cones adicionais de resfriamento, possuindo ainda painel de comando com ciclo automático e plataforma de acoplamento com corrimão e escada.  Cuca Jorge
Equipamento dispõe de três hélices misturadoras

   

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