DISTRIBUIÇÃO DE RESINAS
Foto: Cuca Jorge

COM FATURAMENTO SUPERIOR A R$ 1,8 BILHÃO, O MERCADO VAREJISTA DESPONTA COM FORTE POTENCIAL DE CRESCIMENTO MAS CARECE DE MAIS ORGANIZAÇÃO

Texto de Simone Ferro

O varejo movimentou cerca de 20% do consumo aparente de resinas termoplásticas, algo em torno de 600 mil toneladas em 2003. A conta exclui o policloreto de vinila (PCV) e o polietileno tereftalato (PET), vendidos diretamente pelos produtores, mas inclui a maioria dos plásticos de engenharia e demais commodities. Formado por 23 distribuidores oficiais, empresas que operam sob a bandeira das petroquímicas, e quase 40 revendas, o setor faturou mais de 1,8 bilhão de reais no ano passado.

Na falta de dados oficiais, os números se baseiam em estatísticas das próprias companhias e na percepção de seus representantes sobre a atividade, e dão uma mostra bastante fiel do potencial e importância do varejo. Falta entender por que um mercado com tal perfil de atuação, tamanha representatividade e capitaneado por empresas de alto nível comercial e operacional ainda se mantém tão desarticulado. “Perdemos muito tempo jogando no escuro”, lamenta o gerente comercial da divisão polímeros da Global World, de Guarulhos-SP, Alexandre Ribeiro do Couto.

Para alguns, parte da luz poderia vir de uma associação capaz de defender os anseios e necessidades da categoria. “O objetivo básico é organizar o mercado e formar alianças fortes entre as empresas do ramo e também com os fabricantes de insumos”, defende Couto. Dessa idéia compartilha o gerente de negócios da SPP Resinas, de São Paulo, Amarildo Bazan. “É o caminho natural. Mas não dá para precisar quando vai acontecer.” Considerado um setor em formação, o varejo sofre com o crescimento desordenado, fruto da informalidade e da concorrência da própria transformação.

Como reflexo, citam a expressiva participação das revendas no volume total. “Superior ao da distribuição oficial”, estima Bazan. O diretor da Piramidal, de Barueri-SP, Wilson Donizetti Cataldi discorda. “A distribuição ficou com 12% do mercado, enquanto as demais empresas dividem os 8% restantes.” Ambos concordam, no entanto, que o setor vem ganhando maturidade e corpo principalmente nos últimos cinco anos. Apesar das pequenas variações estatísticas, os índices comprovam a consolidação do varejo nacional. Falta, porém, organizar a categoria.

“O espaço existe, mas é dividido entre empresas sérias que compram e vendem com nota fiscal e, portanto, pagam impostos, com outras totalmente informais, cuja mercadoria quando não provém de um grande transformador é fruto de roubo”, afirma um distribuidor que prefere não se identificar. Relata ainda que empresas com esse perfil de atuação entram e saem do mercado com muita rapidez. “Algumas mudam apenas o nome e num curto espaço de tempo causam grande instabilidade nos preços, entre outros problemas.”  

Cuca Jorge Na avaliação do diretor da Activas, de Santo André, Laércio Gonçalves a criação de uma associação, a exemplo de outros segmentos, proporcionaria a base para aumentar a representatividade do varejo, além de auto-regulamentar a atividade. “A distribuição ocupa um lugar importante para a indústria e para o País ao atingir mais de 80% dos clientes e suprir 20% da demanda”, afirma. 
Gonçalves: foco é a profissionalização

Não é de hoje, segundo Gonçalves, que empresas do setor questionam essa possibilidade, sem, no entanto, avançar nas discussões. “O foco é a distribuição profissionalizada. Por isso, acreditamos em nossas bandeiras e parceiros e trabalhamos por um mercado sustentável e de valores agregados entendidos e respeitados”, diz.

Já o diretor da SM, de São Paulo, Eduardo Sonesso defende ações específicas por parte das petroquímicas e da Receita Federal. Os primeiros, dificultando a venda de excedentes dos grandes transformadores por meio do controle das cotas e preços ou com a identificação das embalagens. O segundo, criando mecanismos para fiscalizar o setor e punir com rigor a informalidade.

Em 2002, a Global World sugeriu aos produtores o uso de embalagens personalizadas. A identificação consiste em imprimir na lateral da sacaria, no momento do carregamento na petroquímica, o nome do destinatário, alertando ainda que a venda ou uso daquele material é de responsabilidade exclusiva da referida empresa. “A iniciativa, além de dificultar o roubo de carga tornaria mais simples a identificação dos transformadores que se abastecem do mercado paralelo”, defende Couto. Mais uma vez as discussões não avançaram.

De olho no BrasilApesar das dificuldades, o setor dá mostras constantes de sua evolução e do grande potencial de crescimento. Prova disso é a chegada de players mundiais. Depois da espanhola SM, a americana Muehlstein se prepara para aportar em terras nacionais, mais precisamente em São Paulo. À frente da gerência geral, Osvaldo Cruz, ex-Triunfo, estima para maio o início das operações. “Nosso objetivo é contribuir com o crescimento e consolidação do setor e não apenas sermos mais um no mercado”, afirma.

Importante distribuidor da Dow em outros países, a Muehlstein ainda não divulgou seus parceiros no Brasil. Especula-se a provável atuação multimarcas, principalmente de itens importados. Segundo Cruz, as estratégias operacionais e logísticas serão apresentadas em breve. “Certamente vamos agregar algo a mais ao mercado que não sejam os polímeros”, promete.   Cuca Jorge
Couto quer mais segurança contra roubo

A espanhola SM, no País desde 2002, reforçou sua participação a partir do ano passado. Instalada em escritório próprio, na capital paulista, trabalha com dois pontos de estocagem em armazéns gerais, localizados em Diadema-SP e Novo Hamburgo-RS. “Em abril, começamos a operar também em Pinhais, no Paraná”, informa Sonesso. Apesar das dificuldades do mercado impostas pela super oferta e baixo consumo dos últimos anos, a SM conseguiu aumentar a participação ampliando o leque de clientes. “O resultado é fruto do trabalho de divulgação da imagem da empresa.”

Cuca Jorge Ressalta também o arrocho nos preços e margens cada vez mais espremidas. “Na ânsia de vender e segurar o cliente, quem tenta acompanhar os preços da informalidade vê o seu dinheiro escapar. Muitas empresas enfrentam dificuldades financeiras por causa disso.” A SM distribui toda a linha da Dow, dos polietilenos aos plásticos de engenharia, e revende polipropileno (PP) da Polibrasil e poliestireno (PS) da Innova.  
Bazan reforça atuação com diversas filiais novas

Outra autorizada da Dow Química, a Resinet, de São Paulo, aumentou as vendas em 40% e pretende repetir a proeza em 2004, segundo informações do diretor comercial Jaime Utrera. Os investimentos nas novas filiais, no entanto, foram postergados, para o segundo semestre. Dentre as estratégias da companhia, cita a atuação em nível nacional e a oferta de variado portfólio de produtos.

A empresa distribui as resinas da Dow, desde os polietilenos aos plásticos de engenharia nacionais e importados, e PP da Polibrasil. A linha de polietilenos inclui grades especiais para área de fios e cabos. Segundo Utrera, São Paulo absorve metade das vendas. “O restante se divide entre os demais Estados.” Em 2003, investiu em tecnologia de informação e gerenciamento. “Aguardamos até o final do ano a certificação pela norma ISO 9000.”  

 

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