CONGRESSO CRESCE E BATE RECORDE DE PALETRAS

Com mais de 50 trabalhos inscritos, o 10º Congresso Brasileiro de Tecnologia da Borracha deverá constituir uma das programações mais bem-sucedidas da ABTB. Na programação do dia 28, duas palestras terão dês taque. Uma delas irá focalizar como melhorar as propriedades do poliestireno de alto impacto (PSAI) com a incorporação da borracha termoplástica do tipo SBS, ampliando-se as possibilidades de uso em artefatos e peças para eletrodomésticos, eletroeletrônicos e embalagens, inclusive para baixas temperaturas, a -18°C. Para chegar a esses resultados, as autoras do estudo, Selma B.Jaconis e Regiane Defácio, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), ensaiaram o PSAI do tipo R850 E, super alto impacto produzido pela Innova, incorporando diferentes teores de SBS (Coperflex TR 1061, da Petroflex) - 2%, 5%, 10%, l5% e 20%. Para cada composição determinaram as propriedades físicas e mecânicas, envolvendo resistências à tração e flexão, dureza, temperatura de deflexão sob carga (HDT), índice de fluidez (230°C/5kg) e resistência ao impacto Izod com entalhe em duas temperaturas ( 23°C e -18°C). Como resultados, o estudo comprovou melhorias da ordem de 60% nos ensaios realizados, empregando-se respectivamente teores de SBS de 15% e 20%.

Na seqüência das apresentações do dia 28, o público poderá conferir as "Aplicações do óxido de zinco (Ozn) na indústria da borracha", em palestra de Rodolfo Mc Ewan, gerente de desenvolvimento da Oxido Metal, empresa do Grupo Industrial C&C, da Argentina. Aplicado nas indústrias da borracha há mais de 150 anos, o óxido de zinco tem como função principal ativar ou desempenhar papel de agente de cura para os compostos de borrachas natural ou sintética. Em sua abordagem, porém, o especialista dará nova dimensão ao tema, trazendo à tona incompatibilidades e métodos de manufatura, e também como esse composto químico pode favorecer uma série de propriedades e condições de processo, como dureza, resistências térmica e à abrasão, proteção contra a luz ultravioleta, contração do produto moldado e limpeza do molde.

Ainda no primeiro dia da programação, Paulo Montanha, da Dow Corning, abordará o tema "Elastômeros de silicone no século XXI", com ênfase em aplicações tanto das borrachas de silicone de alta consistência, como das borrachas de silicone líquidas. Na linha de alta consistência, destaca o tipo sponge, isento de riscos toxicológicos. Quanto às borrachas líquidas, o palestrante ressalta o aumento de consumo mundial, devido à alta produtividade e qualidade final conferida aos produtos. No mesmo dia, a DSM Brasil divulga as vantagens do EPDM 8340 (veja pormenores em matéria nesta edição sobre o mercado das borrachas).

No dia 29, o especialista da DuPont Dow Elastomers Stephen Bowers, atuante no laboratório da central européia da empresa, em Genebra, Suíça, destaca as possibilidades de aplicação dos novos grades de fluorelastômeros, desenvolvidos para aplicações industriais sob condições de extrema exigência.

Em seguida, Marcelo Eduardo da Silva, gerente da Flexsys, mostra como é possível promover o abrandamento de compostos de borracha natural e melhorar a sua processabilidade antes de agregar cargas, adicionando-se um antidegradante multifuncional (quinona de diimina) à base de parafenileno diamina.

Lançado há cerca de cinco anos no mercado internacional, o produto comprovou melhorar a fluidez da borracha natural e tornou-se bastante conhecido entre os asiáticos, tendo alto consumo na China, Malásia e Japão. Os resultados decorrentes de seu emprego são comparados com os resultados dos peptizantes, com indicações dos tempos requeridos para as misturas e para as dispersões homogêneas do negro-de-fumo, visando aplicações em pneus. A comparação dos resultados evidencia efeitos similares, destacando as vantagens de manutenção das propriedades físicas da borracha natural, como tensão de ruptura, hesterese e desenvolvimento de calor (heat-build-up). 

Ainda no último dia da programação, o congressista é convidado a conferir os resultados do estudo de interação da blenda elastomérica SBR-BR com cargas particuladas (sílicas) na formação de compósitos apresentado por pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá-PR. O emprego de sílica como carga reforçante de formulações para bandas de rodagem de pneus tem se revelado alternativa de grande interesse frente à possibilidade de, ao substituir parte do negro-de-fumo, conferir aos pneus menor aderência às pistas, reduzindo o consumo de combustíveis e a emissão de gases poluentes para a atmosfera.

De acordo com a pesquisa, em baixas concentrações (20 phr, partes por cem de borracha), a sílica se revelou mais efetiva que o negro-de-fumo na formação do gel polímero-carga. Em concentrações superiores, ocorreu a formação de aglomerados de sílica, decorrentes das interações carga-carga, via ligações de hidrogênio, concorrendo com interações carga-polímero, necessárias à formação dos compósitos. 

Ainda segundo o estudo, as interações sílica-sílica, porém, não foram formadas quando da adição de organosilano, que compatibiliza a superfície polar da sílica com a não-polaridade da matriz elastomérica SBR-BR. Análises dos produtos de pirólise dos géis obtidos de compósitos carregados com associações de negro-de-fumo e sílica feitas por espectrometria de massa e infravermelho indicaram estruturas semelhantes para os voláteis da degradação das amostras.

Roberto Genova, da Parabor, apresenta os resultados de estudo comparativo entre o emprego de caulim tratado com silano e demais cargas utilizadas em composições elastoméricas, como cargas brancas (carbonato de cálcio e dióxido de silício) e negros de fumo, visando a sua substituição. Como produto inerte, o caulim silanizado atua como carga de reforço em compostos elastoméricos e apresenta propriedades físicas intermediárias entre o dióxido de silício e o carbonato de cálcio precipitado. Devido à sua estrutura, o caulim permite o uso de quantidades bem maiores do que o dióxido de silício, sem ocasionar problemas de processamento, destacando-se ainda pelo fator preço quando comparado com os negros de fumo. 

Para chegar a esses resultados, o pesquisador selecionou cinco compostos à base de SBR em emulsão, utilizando como cargas: caulim tratado com silano, dióxido de silício, carbonato de cálcio precipitado e negro de fumo (N762) (SRF) e caulim tratado com silano com 3% de SRF (Semi-Reinforce Furnace), ou seja, negro de fumo de semi-reforço, utilizado apenas para pigmentar.

O estudioso ainda ajustou as quantidades de cargas utilizadas em cada composto, visando obter durezas Shore A semelhantes, e os tempos de vulcanização, para que os tempos de cura se apresentassem equivalentes. O uso de caulim tratado com silano pretende reduzir os custos de formulação, ou tecnológicas, viabilizando a fabricação de artefatos para as indústrias farmacêuticas e de alimentos.

BORRACHA GANHA ACESSO AO PROJETO PRUMO

As micro e pequenas empresas paulistas do setor de transformação de borrachas contarão a partir deste ano com o apoio tecnológico do projeto Prumo. Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o projeto Prumo propicia a elaboração de diagnósticos dos problemas técnicos e operacionais encontrados nas fábricas, para a sua posterior correção. Todo o atendimento se inicia com uma visita à fábrica que irá gerar um check-list dos problemas encontrados em todo o processo produtivo, seguido de levantamento de todos os pontos que serão alvo de soluções e desgargamentos. Nessas visitas, técnicos e engenheiros deslocam-se até as empresas por intermédio de vans, veículos utilitários que se tornaram marca do Prumo e são providos de todos os equipamentos necessários para oferecer suporte laboratorial às análises das matérias-primas e produtos acabados. 

De acordo com a experiência dos técnicos do IPT, vários problemas costumam ser detectados na fase de diagnóstico. Entre os mais comuns estão aqueles relacionados com os processos de pesagem e mistura das matérias-primas, extrusão e vulcanização das borrachas, seja por compressão, injeção ou ar quente. A esses problemas somam-se os altos custos, a baixa produtividade, as formulações incorretas e a qualidade insatisfatória dos produtos acabados.

Para desenvolver o projeto no segmento das borrachas, os técnicos contam com uma série de equipamentos, como máquina universal para a realização de ensaios, que permite verificar as resistências à tração, ao rasgamento, à compressão e à flexão das borrachas; balancins e dispositivos de corte apropriados para a obtenção de corpos-de-prova padrão e em conformidade com normas nacionais e internacionais; paquímetros e medidores de espessura, utilizados na medição dos corpos-de-prova e artefatos; estufas com circulação forçada de ar, utilizadas para submeter os artefatos a temperaturas elevadas e sob ausência de luz solar, visando avaliar o grau de deterioração das propriedades físicas e químicas das borrachas; além de durômetros, abrasímetros e balanças analíticas.

Para otimizar os processos de vulcanização, os profissionais também têm acesso a vários equipamentos, como reômetros, com cavidade oscilante para a obtenção de curvas reométricas e caracterizações de cura de compostos de borrachas vulcanizáveis, prensas elétricas com placas aquecidas e moldes para a vulcanização de placas-padrão de borrachas e obtenção de corpos-de-prova, além de fornos de microondas para a checagem dos teores de carga e negro-de-fumo em artefatos e corpos-de-prova. A execução das análises ainda é facilitada por microcomputadores portáteis e impressoras, que permitem a coleta de dados dos equipamentos informatizados e a elaboração de relatórios.

Os atendimentos às empresas feitos pelo projeto Prumo geram inúmeros benefícios. Além de diminuir ou zerar o número de reclamações e devoluções de pedidos, a grande vantagem está na possibilidade oferecida às empresas de conquista de clientes mais exigentes, constituindo uma oportunidade para inserir os produtos no mercado externo.

Para participar, basta apresentar faturamento anual inferior a R$ 1,2 milhão. Concebido em 1997 e operacionalizado a partir de 1999, o projeto Prumo é resultante de parceria entre o IPT e o SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Empresas de São Paulo e o INP - Instituto Nacional do Plástico. Informações adicionais podem ser solicitadas pelo 0800-557790 (ligações gratuitas) ou fones: (11) 3767-4281/4282/4684, site: http://www.ipt.br/serviços/prumo/ 

 

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