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FEIRA RECUPERA ESPAÇO
COM Mostra
reuniu cerca de 250 Textos e fotos de
Renata Pachione
Apesar dos resquícios da crise vivida há dois anos, a feira
reuniu, segundo estimativa da Câmara Argentina da Indústria Plástica (Caip),
órgão responsável pela organização, mais de 40 mil visitantes e
mostrou a confiança na renovação do setor. O reflexo da retração econômica
do país ficou evidente na edição de 2002. Em números se traduziu no
registro de pouco mais de 15 mil visitantes e na baixa de muitos
expositores. No entanto, no ano seguinte, a Argentina tomou fôlego e o
setor plástico cresceu 9% em relação ao ano anterior. Esse cenário teve efeito
direto nesta décima edição. Apesar do avanço, a Argenplás 2004 não
alcançou os índices do passado, quando chegou a somar até 545
expositores, feito de 2000. Neste ano a feira esteve enxuta, contou com
252 expositores, dos quais 167 eram nacionais e 85 estrangeiros. Há
quatro anos, a Argenplás ocupava 30 mil m², caindo a seguir até a marca
atual dos 13,1 mil m². Mas nem por isso o clima era de derrota. Pelo
contrário, a euforia suplantou as dificuldades e estabeleceu um novo começo
para a indústria plástica, tornando 2004 o ano da virada do setor. Os números
da Argenplás são modestos, se comparados a feiras similares. Apesar
disso, os negócios não sofreram impactos negativos. De forma geral, a
avaliação final dos industriais foi positiva. Todos reconheceram as
qualidades do evento e demonstraram confiança no reaquecimento do
mercado. Sobraram elogios quanto ao amadurecimento da feira. Para muitos,
a sua realização, em certa medida, sinalizou a vitória da indústria
argentina, frente aos percalços da economia. No ritmo das máquinas -
Entre os expositores nacionais, 55,9% representaram o segmento de máquinas,
equipamentos, moldes e acessórios, sendo 17,5% apenas fabricantes de matérias-primas
e insumos. As máquinas funcionando transportavam para a feira o novo
estado de ânimo do industrial argentino. Prova da crença no potencial do
setor, os fabricantes, ao contrário do que ocorreu no ano passado,
investiram na exposição de modelos de grande porte. O destaque ficou por
conta das marcas brasileiras Carnevalli e Rulli Standard, as duas mais
robustas da feira. Muitos olhares também se voltaram para a injetora da
canadense Husky e para a expressiva quantidade de máquinas asiáticas.
Uma das ausências muito comentada nos corredores se deu quanto aos
produtos transformados. Eram apenas 12,7% da feira, sendo superados por
representantes da área de serviços, como entidades e editoras
especializadas, responsável por 13,9% dos estandes. Esse desfalque, em
certa medida, compensou-se com a presença maciça das petroquímicas. O Brasil se destacou entre
os estrangeiros. Ao todo 28 empresas nacionais marcaram presença, entre
as italianas (19), norte-americanas (14) e alemães (8). Também
participaram, porém em menor escala, indústrias do México, Uruguai,
Holanda, Taiwan, Colômbia e Austrália. Apesar do visível encolhimento
da feira ao longo dos anos, a participação brasileira sempre se manteve
expressiva. Se em 1990, eram apenas cinco expositores, doze anos depois, já
somavam 39. Em todas as versões, em número de estandes, o Brasil só
ficou atrás da Argentina. Prova da boa relação entre os dois países se
evidencia nos índices referentes ao comércio exterior. Independente do
momento político, a indústria argentina se manteve aberta ao mercado
internacional, sobretudo o brasileiro. Com claras afinidades, o País
manteve estável sua relação com a Argentina, liderando tanto os índices
de exportações como os de importações de produtos plásticos,
respondendo por 26,0% e 30,6%, respectivamente. PE domina - Um mercado essencialmente de commodity. Assim é a indústria termoplástica argentina. Segundo dados da Caip, os polietilenos (PE) lideram o ranking das resinas, com 44,5% do consumo total. Em seguida, vem o polipropileno (PP), responsável por 21,5% do mercado. O polietileno tereftalato (PET) e o policloretro de vinila (PVC) estão logo atrás, com 14% e 11,3%, respectivamente. O poliestireno (PS) representa o menor consumo, pois responde por 5,4% do total. Outras matérias-primas somam 3,3%. Se depender da maciça presença das petroquímicas na Argenplás, no entanto, a oferta de termoplásticos só tende a crescer. A Polietilenos União, empresa brasileira do Grupo Unipar, foi até Buenos Aires com o objetivo de fortalecer sua presença no país, anunciando a expansão da sua planta integrada ao pólo petroquímico paulista de Santo André-SP. De acordo com o seu responsável pelas vendas e exportações Raul Carlos Almeida, a participação na feira, pela segunda vez consecutiva, representa as intenções da empresa de estabelecer uma política comercial regular na região. “A Argentina não é simplesmente um país de desova de excedentes”, afirmou. Reconhecido como o mercado mais importante do Cone Sul, o argentino responde por até 15% das exportações da companhia.
Por conta da importância
desse mercado para os negócios do grupo, o projeto de aumento de
capacidade produtiva da Polietilenos União também abarcou a indústria
argentina. “A expansão prevista para o primeiro semestre de 2007 vai
atender todo o Cone Sul”, ressaltou Almeida. A unidade funcionará no próprio
site da empresa, em São Paulo, onde são produzidas por ano 130
mil t de polietileno de baixa densidade (PEBD) e de copolímero de
etileno-acetato de vinila (EVA), na proporção de 90% e 10%,
respectivamente. A nova fábrica incrementará a produção em 200 mil
toneladas de resina/ano. Para Almeida, o mercado de polietileno no Cone
Sul avança duas vezes e meia mais que o PIB (Produto Interno Bruto),
justificando a necessidade de aumento na oferta do termoplástico. “Pude
perceber, por meio dos contatos realizados aqui, o novo vigor do
transformador, agora ansioso para investir”, avaliou. De acordo com ele,
a feira apresentou fortes indícios de que a modernização da indústria,
freada em 2002, será reativada no curto prazo. “A Argenplás refletiu o
estado de ânimo da Argentina”. Com esse comentário, o diretor
comercial da Politeno Henrique Lewi fundamentou a constatação de que a
indústria no país está em franca expansão. Conforme observou, a
demanda por resinas específicas como EVA e por grades voltados
para moldagem por injeção e rotomoldagem aumentou, demonstrando o avanço
do setor plástico na região. Confiante no renascimento da indústria, a
Politeno ocupou estande de 152 m² onde, além de apresentar as seis famílias
de produtos de seu portfólio, ministrou palestras técnicas, a fim
de promover os grades especiais. Alguns destaques ficaram por conta
de resinas como a IH-57, desenvolvida para atender o mercado de tampas
para bebidas carbonatadas e produtos agrícolas, em substituição às de
PP, com a vantagem de eliminar o linear interno. A empresa também
ressaltou a resina IJ 33 D, indicada para a injeção de tampas com lacre
e tampas para embalagens de alimentos, utilidades domésticas, recipientes
e peças de uso em geral. Tendo em vista a grande procura por famílias de
EVA, a Politeno também divulgou a resina 2017 IN, recomendada para
compostos expansíveis da indústria de calçados, brinquedos e brindes,
produzidos por injeção, e também misturas com PEBD para a produção de
placas expandidas e moldadas por injeção. Além da promoção de seu
portfólio de resinas, a empresa também pôs em prática a sua visão
do mercado argentino. Para Lewi, o país tem de ser encarado como doméstico.
Daí a necessidade de fortalecer os vínculos na região. Na avaliação
do diretor, a Argenplás evidenciou essa proximidade entre os dois
mercados. “A indústria argentina já é considerada uma extensão da
brasileira”, apontou. Mais da metade do volume exportado pela Politeno
destina-se a essa região. O mercado argentino, em especial, consome cerca
de 80% do total. A distribuição local da marca Politeno fica a cargo de
importantes companhias argentinas, como a Poliamerican, a Poliresin
e Voloschin, além de contar com representação da I.T.C. Construída no
Pólo Petroquímico de Camaçari-BA, a Politeno é uma empresa petroquímica
de segunda geração controlada pelos acionistas SPQ (Grupo Suzano),
Copene Participações (Grupo Braskem), Sumitomo Chemical e Itochu
Corporation. A empresa possui duas unidades e capacidade produtiva de até
360 mil toneladas de resinas por ano. Com centro de distribuição
em Avellaneda, Buenos Aires, a Poliresin conta com o respaldo de outras
importantes empresas brasileiras. Além da Politeno, o grupo possui em seu
portfólio nomes como Ipiranga Petroquímica e Petrobrás. Na opinião
da Laura Doti, responsável pelas vendas da Poliresin, o transformador
argentino reconhece a resina brasileira como um referencial, por isso, a fácil
aceitação. Ao todo a Poliresin distribui cerca de 2 mil t de resinas,
das quais 85% são do tipo commodity e 15%, especialidades. O dado
é animador, mas nem sempre foi assim. Em 2002, houve uma redução do
consumo de termoplásticos da Poliresin para metade desse volume. Para Laura, o cenário atual é outro, a ponto de estimular a empresa a pensar em aumentar sua rede de distribuição. Sem revelar detalhes, confessa interesse em estabelecer contato com outras petroquímicas brasileiras. A relação entre os dois mercados está tão estreita que Laura também antecipou os planos da companhia de instalar, no futuro, um centro de distribuição no Brasil.
Em sintonia – A Braskem, de São
Paulo, mostrou o alinhamento entre a Argentina e o Brasil. Confiante na
revitalização da indústria argentina, a empresa lançou na Argenplás
as linhas Flexus e Symbios, poucos dias após a apresentação ao mercado
nacional. Esse tratamento igualitário traduz o novo posicionamento da
companhia. A Braskem planeja, no médio prazo, consolidar-se na América
Latina, reconhecendo a região como mercado doméstico. Para o responsável
pela área de produtos e serviços da Braskem Marcos Augusto Oliveira, as
fronteiras não impõem limites ao grupo. Ele não descarta inclusive a
possibilidade da empresa construir fábrica fora do Brasil. “Nada está
definido, mas pode acontecer”, instigou. Nem mesmo os percalços vividos
no passado enfraquecem a confiança do grupo no país. Para Oliveira, em
função dos problemas políticos e econômicos, a indústria argentina
retrocedeu cinco anos, mas vem tomando fôlego e em 2003 já recuperou sua
produção na ordem de 20%. Responsável pelo
abastecimento de cerca de 20% de todo o mercado de polietilenos na
Argentina, a Braskem conta com a parceria da Altaplástica, principal
fornecedora da marca no país. Por conta dessa aliança entre os dois
mercados, a participação da companhia na feira também teve um caráter
institucional. Na Argenplás passada, a atual constituição da Braskem
havia acabado de se configurar no cenário petroquímico. A marca, na época,
tinha apenas três meses de existência. Por isso, o grupo aproveitou a
visibilidade da edição atual para fortalecer seu nome na região. Por conta também desse respeito ao mercado argentino, a companhia fez questão de apresentar a linha de resinas metalocênicas Flexus, lançada no Brasil poucos dias antes da realização da feira.
A linha procura atender a
necessidade da indústria de embalagens por produtos de alta resistência
mecânica. Apresentada como o primeiro polietileno base metaloceno
produzido no Brasil, a linha Flexus foi desenvolvida para o segmento de
filmes especiais. Uma das principais características do produto refere-se
à possibilidade de produção de embalagens mais resistentes ao impacto e
à perfuração, com maior brilho e transparência. Até o final do ano, a
Braskem estima vendas da ordem de 30 milhões de dólares do produto,
incluindo-se nesta receita as primeiras exportações brasileiras desta
família. A Braskem também lançou a linha Symbios, família de selantes para filmes de polipropileno bi-orientado (BOPP). Esse tipo de filme é muito utilizado em embalagens de alimentos, como biscoitos, snacks e sorvetes, além de embalagens de cigarros e rótulos de garrafas de refrigerantes.
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