SILICAS COMO AGENTES
ANTIBLOQUEIO EM
FILMES POLIOLEFÍNICOS

Os filmes poliolefínicos de polietileno de baixa densidade (PEBD), polieti­leno de baixa densidade linear (PEBDL) e poli­propileno (PP) são propensos ao bloqueio (blocking), isto é, tendem a aderir as faces opostas quando colocadas em contato durante o processo de produção e tal efeito pode causar problemas na etapa final da produção de embalagens.

O problema se resolve com a adição de pequena quantidade de sílica sintética, aditivo que confere à superfície do filme uma micro-ru­go­sidade que elimina o efeito de bloqueio, sem alterar as propriedades físicas e ópticas da película. A micro-ru­gosidade proporcionada pelas sílicas sintéticas reduz a área de contato entre os filmes, permitindo a entrada fácil de ar quando as partes são separadas. As sílicas sintéticas consistem em dióxido de silício (SiO2) na forma hidratada do dióxido de silício sintético amorfo de alta pureza. Não são silicóticas e estão liberadas para uso alimentício no mundo todo.

Variedade A seleção da sílica mais eficiente depende da intensidade da força de bloqueio, espessura e propriedades ópticas do filme em questão. Existem no mercado vários tipos de sílicas sintéticas com densidades aparentes diferentes, bem como variados tamanhos de partículas. Embora o efeito antibloqueio tenha relação diretamente proporcional ao aumento do tamanho das partículas, a escolha da sílica depende da espessura do filme.

Para filmes laminados de PP de espessura muito fina recomenda-se sílica de menor tamanho de partícula, aproximadamente 4 µ. Já para filmes obtidos por extrusão de espessura pouco superior, uma sílica sintética com tamanho de partícula da ordem de 5,5 µ oferecerá melhor eficiência. Para filmes de espessura acima de 100 m indica-se uma sílica com tamanho médio de partícula da ordem de 7 µ.

 

Eficiência A densidade aparente da sílica está relacionada com o número de partículas por unidade de peso. Quanto maior o número de partículas, mais micro-rugosidade será produzida, com maior eficiência antibloqueio. A dosagem de sílica deve ser ajustada de acordo com a força de bloqueio desejada, seguindo gráficos como guia. É bom ressaltar que o excesso de sílica pode alterar propriedades como brilho, transparência e opacidade.

A maioria dos filmes para embalagens precisa também de um bom efeito deslizante. Combinada com agentes deslizantes, a sílica ainda ajuda a reduzir o coeficiente de fricção. Existem sílicas de diferentes porosidades, desde 0,4 até 1,6 cc/g, produzindo alto efeito antibloqueio com baixa absorção daqueles agentes (amidas). No caso de filmes que requerem baixo coeficiente de fricção indica-se o uso de uma sílica de baixo volume de poros, que permite reduzir a dosagem de agentes deslizantes, quando comparada com uma sílica de alto volume de poros (isso devido à menor retenção de material nos poros da sílica). A escolha da melhor sílica está relacionada com o coeficiente de fricção desejado no filme.

Já está disponível no mercado uma nova geração de sílicas sintéticas que combina excelentes propriedades antibloqueio, baixa absorção de aditivos deslizantes e características similares às sílicas de alto volume de poros. O novo desenvolvimento possibilita ao usuário obter o efeito desejado com concentrações menores de sílica, e ainda redução das amidas em até 15%, sem comprometer as propriedades ópticas.

PorosidadeAo contrário das sílicas naturais, todas as sílicas sintéticas são porosas com estrutura tipo esponja, e relativamente macias. São bastante fortes para resistir ao esforço mecânico do proces­samento, mas macias o suficiente para não promover o desgaste dos equipamentos. As sintéticas são particularmente adequadas para filmes poliolefínicos de alta transparência, mas também podem ser utilizadas em filmes de PVC.

Ao contrário dos produtos anti­bloqueio convencionais, como síli­cas naturais e carbonatos, as sílicas sintéticas se destacam por interferir pouco na transparência dos filmes, assegurar efeito antibloqueio instantâneo sem depender da migração de aditivos, e ainda garantir ao filme excelente receptividade à impressão e boa adesão a tintas. Além disso, sua estreita distribuição de tamanho de partícula garante maior eficiência no efeito antibloqueio; não afeta o aroma dos filmes, pois se trata de produto inerte e inodoro; e não deixa resíduos durante a manipulação do filme.

Os benefícios são muitos, porém, a incorporação da sílica na resina é uma operação crítica, pois a dispersão mal feita pode, além de reduzir o efeito antibloqueio, provocar sérios defeitos ao filme. As sílicas sintéticas são melhor incorporadas na forma de masterbatches, em extrusoras de alta eficiência (dupla rosca).     

O AUTOR

Reginaldo Naves Domingos é químico formado pela Universidade de São Paulo de São Carlos. Carrega na bagagem vinte anos de experiência na área de sílicas. Atualmente, é assessor técnico na Ineos Sílicas

 
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