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Normas
em debate – Diante
da encruzilhada técnica e mercadológica, um grupo iniciou discussões e
conclui pela necessidade da regulamentação do setor, de modo a garantir
condições de competição isonômicas para todos os players e uma
base legal para a defesa do consumidor. A iniciativa resultou na criação
de dois grupos, um ligado ao Instituto Nacional do Plástico (INP) e outro
à Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis
(Abief).
A Linpac, por estar sediada no Uruguai e não ser aceita na Abief, e a Goodyear, por questões internas, não aderiram à carta. O documento, em vigência desde 1o de novembro último (as empresas devem se adaptar até 1o de julho de 2004) prevê que o produto acabado filme esticável de PVC seja fornecido em embalagens contendo razão social e CNPJ do produtor, largura da bobina plástica em milímetros e comprimento do filme em metros,
Estabelecido
o padrão mínimo de informação, o grupo setorial pretende atacar
diretamente os problemas da comercialização inadequada das bobinas e da
informalidade (pois a identificação dos produtores força a emissão das
notas fiscais e possibilita a fiscalização), e pode reverter a ditadura
dos baixos preços à medida que os clientes dos distribuidores exijam
filmes de determinada procedência e qualidade. Mas, para garantir a
qualidade do filme produzido no País, as mesmas empresas criaram, no INP,
um grupo de estudos com objetivo de estabelecer uma norma técnica para o
setor.
O
INP congrega as associações mais importantes ligadas à indústria do plástico
(Abiquim, Abiplast, Abimaq e Siresp) e, na condição de Organismo de
Normalização Setorial da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), é o fórum nacional para a elaboração de normas técnicas
relacionadas aos plásticos. De acordo com Paulo Dacolina, diretor
superintendente do INP, a confecção de uma norma demanda em média entre
1,5 ano e dois anos, e começa com a abertura de uma comissão de estudos
tripartite, formada por fornecedores, consumidores e neutros (institutos
de pesquisa e universidades, por exemplo). Essa comissão desenvolve um
texto base, discute requisitos e suas especificações, realizando ensaios
com a ajuda dos elementos neutros, e após obtido consenso, é elaborado
um projeto de norma técnica.
Após
publicação no Diário Oficial da União, o projeto é posto em consulta
pública, normalmente por 60 dias, e submetido à votação. Nessa fase são
analisadas sugestões de modificação. Feitas as necessárias, as decisões
da comissão são soberanas, e o texto final, modificado ou não, é
enviado à ABNT e publicado como norma brasileira.
Segundo
o coordenador do grupo técnico da comissão de estudos Emerson Madaleno,
da Braskem, ele é integrado por produtores de PVC, de plastificantes,
composteiros, e à medida que o texto da norma estiver mais elaborado,
devem ser convidadas as redes supermercadistas e usuários finais,
consoantes com objetivo da norma de “buscar o melhor para o consumidor
final”.
“A
maior parte dos filmes produzidos é comercializada pelos distribuidores;
então o fabricante não conhece a fundo o consumidor final. O
distribuidor conhece, mas não
é elemento tecnicamente adequado para propor melhorias no atendimento ao
mercado”, diz Madaleno. Segundo ele, os filmes de PVC já foram produzidos com espessuras de 17 m, mas hoje possuem 10 m. A norma abordará aspectos técnicos importantes dos filmes, como a transparência, o taque, a permeabilidade e a propriedade antifog, e propriedades mecânicas.
“As empresas do
grupo já estariam adequadas”. Mesmo os transformadores que dispõem de
equipamentos mais antigos não deverão enfrentar grandes dificuldades
para se adaptarem. “Mas para atenderem às exigências mecânicas,
seriam necessários filmes de maior espessura”, explica.
O
projeto em andamento deve contemplar toda a legislação brasileira
relacionada ao tema, incluindo as exigências da Anvisa e do Inmetro. No
caso do Instituto, seu espectro de atuação é muito amplo, e como não
dispõe de especialistas em todos os campos onde atua, é mais fácil o
trabalho em parceria com associações de fabricantes.
Irônico, Madaleno indaga: “No Brasil, nem todo filme é identificado. Por que será?”. A omissão do dado leva a crer na impunidade de quem produz filmes com qualidade questionável. “Com a norma, todos terão de aparecer, e com imagem boa. Quando ocorre um problema, não é o filme do fulano que o criou, é o filme de PVC. Isso denigre a imagem do produto. Esperamos profissionalizar o setor, e evitar o ocorrido com os copinhos descartáveis”, sentencia, referindo-se ao maior exemplo, no País, de queda excessiva de espessuras e, por tabela, de qualidade.
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