A rentabilidade, porém, deixou a desejar. “Os custos das matérias-primas não pararam de aumentar, ficaram extremamente altos, e precisamos absorver esse impacto, reduzindo a rentabilidade”, lamenta. Cauteloso, prevê para a empresa crescimento da ordem de 5%, o mesmo índice esperado para o mercado brasileiro.  

Cuca Jorge


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Outros fabricantes de renome também disputam a concorrida preferência do transformador: Basf, Radici e Mazzaferro são algumas delas. A Basf, aliás, divide com a DuPont a glória do desenvolvimento das primeiras variedades. À mesma época que a DuPont comercializou o náilon 6.6, a Basf desenvolveu a poliamida 6, também lançada em âmbito mundial no final dos anos 30. Hoje, a empresa alemã produz os dois tipos e ainda os copolímeros 6/6.6.

E por falar em copolímeros, a cinqüentenária Mazzaferro, com fábrica em São Bernardo do Campo-SP, detém a posição de única produtora na América Latina dos copolímeros 6/6.6. “São copolímeros especiais para extrusão, que propiciam ao produto final brilho, transparência, flexibilidade e baixa permeação a gases”, explica o diretor Giorgio Sanfilippo. Estão disponíveis em dois grades, de viscosidade média ou alta.

O copolímero é produzido pelo sistema de bateladas, que comporta mais modificações na base polimérica, diz o diretor. A capacidade instalada totaliza perto de 4.500 toneladas anuais. “Esse mercado é o que mais está crescendo e é nesse sistema que pretendemos investir”, revela. A ala de produção por bateladas deverá receber ainda neste ano investimento ao redor de US$ 700 mil a US$ 800 mil para acrescentar 2.200 t/ano à atual capacidade. A produção atual de copolímeros é da ordem de 3.300 toneladas, estima Sanfilippo. Também há planos para alçar novos vôos tecnológicos. O diretor da Mazzaferro sonda a possibilidade de investir na produção de nanocompósitos. “É uma vertente que estamos acompanhando de perto”, revela.

Também a Rhodia fabrica alguns copolímeros, como o de denominação PA 6.6/6, destacado por Motta. “Melhoramos a característica de acabamento superficial da PA 6.6 com adição de um monômero de caprolactama”, conta o gerente de pesquisa e desenvolvimento.  

Especialidades Além dos copolímeros, a Mazzaferro também detém o posto de única produtora local das poliamidas do tipo 6.10 e 6.12, superiores aos tipos 6 e 6.6 nos quesitos estabilidade dimensional (absorvem menos água) e resistência química. De alto valor agregado, essas duas especialidades representam cerca de 7% da produção. São similares aos náilons 11 e 12, porém com melhor processabilidade

Cuca Jorge

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“No mercado de tubos, no entanto, predominam os tipos 11 e 12, de maior resistência química e estabilidade dimensional superior”, ressalva o gerente comercial Aurélio Giovanni Mosca.

Segundo ele, os náilons 6.10 e 6.12 têm ponto de fusão superior aos náilons 11 e 12, mas inferior às PA 6 e 6.6. “Isso permite uma condição térmica mais adequada para o uso de um determinado grupo de aditivação direto na matriz polimérica”, diz. As cerdas para escovas diversas (6.12) e filtros empregados na indústria de papel e celulose constituem bons exemplos das principais aplicações desses polímeros.

Mas nem só de especialidades vive a Mazzaferro. A empresa ainda tem tradição no campo das PA’s 6, ofertadas em quatro grades com viscosidades desde 2.6 até 4. O grade de viscosidade mais baixa é indicado para o segmento de plástico de engenharia, basicamente para injeção, e também atende o mercado de fios têxteis. Os de viscosidade média seguem para a fabricação de tarugos, fios técnicos e alguns tipos de filmes. Já os de viscosidade entre 3,7 e 4 são indicados nos segmentos de perfilados, tarugos e filmes. O principal mercado da empresa é o de filmes para a indústria de alimentos, seguido dos semi-acabados.

Além da polimerização por batelada, a Mazzaferro produz por sistema contínuo, em área com 6.600 t/ano de capacidade instalada, mais usada na produção dos náilons homopolímeros. Da produção total de 10.500 t, a empresa absorve em torno de 3.300 toneladas só em consumo cativo (atende às coligadas nas áreas têxtil, fios técnicos e outras).

O projeto de expansão da empresa chega em boa hora, com a produção no limite da capacidade, atingida no final do ano passado, e metas de crescimento da ordem de 10% em 2004. Os planos ainda incluem aumento das exportações – basicamente copolímeros –, de atuais 4% da produção para 7% neste ano.

Altíssimas tem temperaturasDe domínio tecnológico da DSM, detentora da patente do produto, o náilon 4.6 sobressai pela alta resistência ao calor  – apresenta temperatura de deflexão ao calor de 285ºC e suporta temperatura de serviço de 166ºC – e à abrasão, por isso é muito usado em aplicações de contato com metais; e ainda possui estabilidade dimensional superior aos outros tipos de náilons, afirma o gerente da área de plásticos de engenharia Edson F. Joaquim. “O ciclo de injeção também é menor em relação aos náilons 6 e 6.6.”  

Para Joaquim, a alta resistência à temperatura coloca o náilon 4.6 em condições de concorrer com o polissulfeto de fenileno (PPS) e com o polímero de cristal líquido (LCP), com a vantagem de propiciar melhor processamento. “O náilon cristaliza mais rápido, portanto, permite ciclos mais rápidos de injeção”, pondera com base nos conhecimentos de plásticos de engenharia adquiridos também como ex-químico da Hoechst.

Cuca Jorge

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A elongação correlacionada com a temperatura de distorção térmica do náilon 4.6 é superior em relação ao LCP, ao PPS e também à poliftalamida, assegura Joaquim. Também a fluência (resistência à deformação em função do tempo) é superior na comparação com os mesmos polímeros. “Quando correlacionamos com temperatura de serviço, também supera os outros produtos.”

Para elevar ainda mais essas propriedades, todas inerentes ao polímero, a DSM incorpora reforços e aditivos. A fibra de vidro, desde 15% até 50%, é incluída para aumentar o módulo de flexão (rigidez), a resistência à fluência e à temperatura, e ainda elevar a estabilidade dimensional (reduz a contração), requisitos indispensáveis para a aplicação da PA. Os principais mercados para esses grades são a indústria eletroeletrônica e automotiva, em conectores, coletores de admissão, sensores e outros componentes.  

 

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