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Macroplast Aquire o Master Sólida da Basf

Em uma transação que contraria o histórico do capitalismo globalizado, a brasileira Macroplast adquiriu os negócios de masterbatches (concentrados de cor) sólidos no País da gigante alemã Basf. Pelo acordo, a empresa germânica transfere não só a produção, mas também a comercialização do produto.

Entretanto, a Basf continua no mercado, pois também serão transferidas as suas marcas (por um acordo de licenciamento) e tecnologia, incluindo novidades que possam surgir nos laboratórios da empresa ao redor do mundo. A Macroplast também terá acesso às matérias-primas da alemã, como pigmentos, preparações de pigmentos e outros aditivos. O acordo vale para toda a América Latina. Os números envolvidos, porém, não foram revelados.  
Dissinger, Rottchier e Braun ( da esq. para dir.) comemoram negócios " sem pontos fracos"

As matérias-primas a serem fornecidas pela Basf também são vendidas a concorrentes da Macroplast, mas ela terá condições especiais de compra, em parte devido aos grandes volumes da demanda. Futuros investimentos no negócio sairão dos bolsos da empresa brasileira.

“Nossa idéia é manter a identidade Basf pelas marcas da região, e crescer na América do Sul, onde temos baixa representação. Pela Macroplast, cresceremos não só no Brasil, mas também no Mercosul e no México”, explicou Walter Dissinger, diretor da unidade de químicos de performance na América do Sul.

Dissinger, entretanto, foi veemente ao alertar que a multinacional alemã não pretende desfazer-se do negócio de concentrados de cor, nem tampouco vender unidades do negócio em outras partes do mundo, no que foi acompanhado por Karl Rotthier, líder do negócio de masterbatches na área químicos de performance: “Os concentrados de cor fazem parte do core business da Basf”, enfatizou Rotthier.

A aparente contradição entre as diretrizes globais da Basf e a venda no Brasil encontra explicação na peculiaridade do mercado brasileiro, já que a Basf detém produção e comercialização nas suas outras oito unidades, localizadas na Europa e Ásia. No Brasil, a empresa já atuava apenas na parte comercial do negócio, pois uma parceria do tipo tolling arrengement (manufatura nas mãos de terceiros) já transferia para a Macroplast a produção dos masterbatches. O tolling, segundo Dissinger, foi motivado pelo fato de que a Macroplast possuía grande conhecimento técnico do processo de fabricação dos concentrados, e a empresa alemã não dispunha de infraestrutura, no País, comparável à da Macroplast.

Segundo Christian Braun, diretor-presidente da Macroplast, conversas iniciadas há alguns meses mostraram que o acordo de tolling poderia evoluir para um acordo de venda, cujos benefícios, pareciam ser amplos para as duas partes. “Nós realmente não conseguimos identificar pontos fracos nessa negociação. Vamos conseguir oferecer mais para os clientes em serviços e atividades, e isso automaticamente vai gerar novos negócios”, afirmou. Para Dissinger, o negócio representa uma adequação de estrutura, deixando produção e comercialização nas mesmas mãos, e permitirá maior flexibilidade, menor tempo de resposta e uma identidade clara no mercado.

Os produtos da Macroplast não serão canibalizados por rivais Basf, mas completados. A empresa brasileira era dedicada à produção de commodities, mas os produtos Basf que se adicionarão ao portfólio são especialidades, principalmentes masters de altíssima dispersão e alto teor de pigmentos, para fibras e multifilamentos, tecnologia exclusiva da Basf, sem pares no mercado nacional e com poucos concorrentes no internacional. A Macroplast herdará os clientes desse segmento (carpetes, tecidos, fios), em que a alemã é especialmente forte e competitiva.

O aumento do portfólio também deverá incrementar as exportações da Macroplast, principalmente para Colômbia, Peru, Chile, Argentina e México.

Os executivos também ressaltaram a manutenção dos postos de trabalho da maior parte da equipe de 18 pessoas, da Basf, ligadas ao negócio. A maior parte desses funcionários já está integrada à Macroplast, por conta do antigo acordo de tolling.

Márcio Azevedo  

 

 
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