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RETARDANTES À CHAMA Legislação omissa inibe a propagação desses aditivos Halogenados ainda dominam mercado nacional, mas começam a ser incomodados pelos compostos não alogenados, menos poluentes José Paulo Sant'Anna Aditivos de materiais poliméricos para torná-los resistentes ao fogo ou à alta temperatura, inibindo ou suprimindo o processo de combustão, os retardantes à chama têm mercado ainda restrito a aplicações mais exigentes em setores como fios e cabos, construção civil, eletroeletrônico e automobilístico. Para ganhar força, o Brasil precisaria seguir o exemplo dos países desenvolvidos e adotar uma legislação rigorosa, que force a utilização de produtos protegidos contra a expansão de incêndios. Não existem números confiáveis sobre o consumo de tais aditivos no País. “Na Europa e nos Estados Unidos as leis exigem que muitos produtos tenham retardantes à chama em sua composição, casos dos gabinetes de aparelhos de televisão e de computadores, colchões, tintas e até papéis de parede”, revela Selena Ignácio de Mendonça, gerente comercial da Chemtra, importadora e representante comercial no Brasil da empresa israelense Dead Sea, uma das líderes mundiais na fabricação de aditivos derivados de bromo, os mais consumidos em todo o mundo.
“Preocupados com a competitividade de seus produtos, os transformadores não investem em segurança se não forem pressionados pela lei e fiscalizados com rigor”, afirma Antonio Alonso Ribeiro, diretor da Itatex, empresa nacional localizada em Campinas e especializada em compostos de alumínio e magnésio. Diversidade – Existem várias famílias desses aditivos disponíveis no mercado. Cada uma dessas linhas tem características próprias. Os retardantes à chama mais antigos são os compostos halogenados à base de cloro ou bromo, quase sempre enriquecidos com trióxido de antimônio. Os halogenados apresentam excelente desempenho contra a propagação de chamas e têm fórmulas adaptáveis a quase todos os polímeros. Por outro lado, trazem efeitos colaterais indesejáveis. Eles têm em suas fórmulas componentes poluentes, além de nos incêndios produzirem grande quantidade de fumaça e gases tóxicos – as mortes provocadas por intoxicação pela fumaça são, em vários casos, mais numerosas do que as provocadas por queimaduras. Na última década, com a pressão dos ecologistas, e por questões de segurança, se popularizaram na Europa e Estados Unidos as famílias de retardantes não halogenados, como os derivados de fósforo, cargas inorgânicas ou melaminas, entre outros, que geram menos fumaça e não produzem gases tóxicos. Mas essa nova geração de retardantes também apresenta alguns problemas de uso. Conforme o caso, exige dosagens maiores, o que às vezes resulta na alteração nas propriedades dos polímeros. Além disso, custa mais.
O motivo principal da predominância dos halógenos no País é o custo. “Os clientes nacionais não estão dispostos a pagar por retardantes à chama sofisticados”, atesta Carlos Valente, consultor técnico da Cesbra, empresa ligada ao grupo multinacional Brascan, do ramo de aditivos baseados em trióxido de antimônio e em compostos à base de estanho.
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