retardantes à chama

RETARDANTES À CHAMA

Legislação omissa inibe a propagação desses aditivos

Halogenados ainda dominam mercado nacional, mas começam a ser incomodados pelos compostos não alogenados, menos poluentes

José Paulo Sant'Anna

Aditivos de materiais poliméricos para torná-los resistentes ao fogo ou à alta temperatura, inibindo ou suprimindo o processo de combustão, os retardantes à chama têm mercado ainda restrito a aplicações mais exigentes em setores como fios e cabos, construção civil, eletroeletrônico e automobilístico. Para ganhar força, o Brasil precisaria seguir o exemplo dos países desenvolvidos e adotar uma legislação rigorosa, que force a utilização de produtos protegidos contra a expansão de incêndios. Não existem números confiáveis sobre o consumo de tais aditivos no País.

“Na Europa e nos Estados Unidos as leis exigem que muitos produtos tenham retardantes à chama em sua composição, casos dos gabinetes de aparelhos de televisão e de computadores, colchões, tintas e até papéis de parede”, revela Selena Ignácio de Mendonça, gerente comercial da Chemtra, importadora e representante comercial no Brasil da empresa israelense Dead Sea, uma das líderes mundiais na fabricação de aditivos derivados de bromo, os mais consumidos em todo o mundo.

Com exceção de algumas normas criadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a fabricação de fios e cabos e de uma lei promulgada em agosto do ano passado pelo Estado de São Paulo, que prevê a adoção de materiais com retardantes em edificações previstas para grande acúmulo de pessoas, não há qualquer obrigatoriedade de uso desses aditivos. Cuca Jorge
Ribeiro: fiscalização ajudaria investimentos em segurança

“Preocupados com a competitividade de seus produtos, os transformadores não investem em segurança se não forem pressionados pela lei e fiscalizados com rigor”, afirma Antonio Alonso Ribeiro, diretor da Itatex, empresa nacional localizada em Campinas e especializada em compostos de alumínio e magnésio.

Diversidade – Existem várias famílias desses aditivos disponíveis no mercado. Cada uma dessas linhas tem características próprias. Os retardantes à chama mais antigos são os compostos halogenados à base de cloro ou bromo, quase sempre enriquecidos com trióxido de antimônio. Os halogenados apresentam excelente desempenho contra a propagação de chamas e têm fórmulas adaptáveis a quase todos os polímeros. Por outro lado, trazem efeitos colaterais indesejáveis. Eles têm em suas fórmulas componentes poluentes, além de nos incêndios produzirem grande quantidade de fumaça e gases tóxicos – as mortes provocadas por intoxicação pela fumaça são, em vários casos, mais numerosas do que as provocadas por queimaduras.

Na última década, com a pressão dos ecologistas, e por questões de segurança, se popularizaram na Europa e Estados Unidos as famílias de retardantes não halogenados, como os derivados de fósforo, cargas inorgânicas ou melaminas, entre outros, que geram menos fumaça e não produzem gases tóxicos. Mas essa nova geração de retardantes também apresenta alguns problemas de uso. Conforme o caso, exige dosagens maiores, o que às vezes resulta na alteração nas propriedades dos polímeros. Além disso, custa mais.

Cuca Jorge Estimativas fornecidas pela Dead Sea revelam que os halógenos bromados suprem uma fatia de 36% do mercado mundial. Surgem, em seguida, os inorgânicos (26%), fosforados (23%), halógenos clorados (7%), melaminas (5%) e outros (3%). Já o perfil de consumo brasileiro é bem diferente. “Aqui os halogenados ainda têm uma fatia superior a 90% do mercado e esta realidade não deve se modificar muito a curto prazo. Acho que o perfil de nosso mercado vai mudar de maneira mais significativa, talvez, daqui a dez anos”, acredita Carlos Dizioli, coordenador técnico de vendas da Bayer, que oferece linhas de retardantes fosforados.
Dizioli: halogenados têm mais de 90% do mercado

O motivo principal da predominância dos halógenos no País é o custo. “Os clientes nacionais não estão dispostos a pagar por retardantes à chama sofisticados”, atesta Carlos Valente, consultor técnico da Cesbra, empresa ligada ao grupo multinacional Brascan, do ramo de aditivos baseados em trióxido de antimônio e em compostos à base de estanho. 

Cuca Jorge “A procura pelos não halogenados no Brasil, por enquanto, só é feita pelos fabricantes de produtos exportados, forçados a seguir as regras adotadas pelos países de seus clientes internacionais”, reforça Soraya Jericó, consultora técnica de vendas da norte-americana Great Lakes, gigante mundial na fabricação de bromados que mantém escritório de vendas no Brasil.
Novas: seleção do aditivo é feita caso a caso
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