PE's lideram mercado - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul absorveram 33% da demanda nacional dos polietilenos comercializados no Brasil em 2003. Juntos, transformaram quase 500 mil toneladas - 200 mil t de PEBDL, 180 mil t de PEBD e 115 mil t de PEAD -, caracterizando a região com o maior nível de processamento dos polietilenos de todo o País, liderado pelo PEBDL, a resina de maior peso e que mais contribui para o desenvolvimento do setor de embalagens.

O crescimento dos polietilenos na região Sul foi impressionante. Entre 1995 e 2001 as taxas superaram 5% ao ano e as expansões subiram da ordem de 50%. Em alguns casos, como do PEBDL, o crescimento evoluiu a taxas médias de 10% ao ano. 

Na fase subseqüente a 2001, porém, o cenário não foi tão favorável assim. Houve queda na demanda e redução nas margens de lucro, alarmando todo o segmento que acabara de promover investimentos em expansões, elevando as capacidades instaladas.

As perspectivas para 2004 são, porém, otimistas."Os polietilenos no Brasil deverão voltar a crescer a taxas vigorosas, entre 5% a 6% ao ano", acredita Ulisses da Silva, gerente de marketing da unidade poliolefinas da Braskem.

Cuca Jorge
Para Silva, polietilenos crescerão cerca de 6%

A crença de que o Brasil deverá se recuperar e voltar a consumir em níveis mais elevados impulsionou inclusive investimentos recentes feitos pela petroquímica em tecnologia de última geração voltada à produção de polietilenos metalocênicos, que trarão grandes avanços para as indústrias de embalagens.

O diretor comercial da Ipiranga Petroquímica Eduardo Tergolina concorda com as previsões de crescimento em 2004. Segundo ele, o PEAD deve expandir entre 5% e 10%, beneficiando os segmentos de filmes e frascos. Já o PP deve subir em torno de 12% no segmento de ráfia para a agricultura, na faixa de 7% a 12% entre os bens duráveis e componentes para as indústrias automotivas, e da ordem de 7% a 8% em outros segmentos.

Divulgação A região Sul também é grande consumidora dos polipropilenos em todas as suas versões - homopolímeros, copolímeros e randon -, com Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formando o segundo maior mercado de consumo de PP do País. Juntos, os três Estados processam 400 mil t/ano, correspondendo a 42% do volume total nacional, atualmente em torno de 950 mil t/ano.
Embalagens asseguram elevada transparência

Em números absolutos, os PP cresceram em 470 mil toneladas no período de 1995 a 2002, revelando níveis de crescimento semelhantes aos dos países desenvolvidos. "Os polipropilenos cresceram à taxa de 11% ao ano, de 1997 até 2002, ou seja, expandiram-se em mais 50% no período", disse Silva. Em 2003, o mercado se manteve estável em relação a 2002 e deve voltar a crescer à taxa média de 8% ao ano nos próximos cinco anos, acredita.

PP congelado - Fabricar embalagens injetadas em polipropileno transparente e com resistência a temperaturas extremas é uma das especialidades desenvolvidas pela Huhtamaki, empresa finlandesa que escolheu Pinhais-PR para fincar as raízes dos seus empreendimentos no Brasil. Impulsionados pela compra, em 1999, da Brasholanda, fabricante de embalagens e máquinas de envase para o setor de alimentos, os investimentos frutificaram em volume e especialização. Entre os desenvolvimentos, a empresa projetou potes para sorvetes da Kibon, que atende há mais de 20 anos, além de copos para requeijão da Danone.

Cuca Jorge Lançados em outubro de 2003, os potes de PP transparente, que acondicionam a linha de sorvetes premium Carte D'Or, da Kibon, resistem a temperaturas de refrigeração de -30°C. Segundo o diretor de vendas e marketing da Huhtamaki do Brasil Paulo Cesar Thomaz, esse desenvolvimento representa um marco na história das aplicações do PP, pois o mercado brasileiro não conhecia embalagem semelhante, com características de transparência e resistência a temperaturas tão baixas (por ficar translúcido, o PP injetado costuma ser colorido com masterbatches brancos). As embalagens são fabricadas com resina importada, mas a empresa já busca fornecimento local.
Thomaz quer substituir PP importado por local

Outra novidade da Huhtamaki consiste no copo injetado de PP para acondicionar o requeijão Paulista, da Danone, de Poços de Caldas-MG, que migrou do vidro para o plástico depois de superadas dificuldades técnicas relacionadas ao envase produto, realizado à temperatura de 70°C.

"Trata-se de desenvolvimento conjunto entre a Huhtamaki e a Danone que demandou dois anos para a sua concretização, resultando em embalagem rígida de PP, totalmente atóxica e inodora e com transparência bem próxima à do vidro", afirmou Thomaz.

Os lançamentos incluem também os potes para margarinas e queijos cremosos. Na linha de termoformados, os potes de PP embalam a margarina Primê, lançada recentemente pela Coamo - Cooperativa Agropecuária Mourãoense, de Campo Mourão-PR, considerada a maior cooperativa agrícola do Brasil. 

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Embalagens asseguram elevada transparência

"Para o envase dessa margarina, desenvolvemos, além do pote, máquina para selagem e colocação de tampas, promovendo numa etapa seguinte a decoração por sistema de impressão dry-off-set em até 8 cores", disse Thomaz.

Apesar da termoformagem constituir o processo mais requisitado no mix de produção para embalagens de iogurtes, margarinas, doces, sobremesas lácteas, temperos, cremes de leite e outros produtos, Thomaz assinala que a injeção cresce na ordem de 8% ao ano, denotando maior preocupação dos clientes na diferenciação pela qualidade e aparência das embalagens.

Além das linhas de termoformados e injetados, a empresa também fabrica por extrusão laminados em PS para uma série de produtos lácteos, confeccionados especialmente para máquinas de envase de altíssima capacidade - superior a 100 toneladas/mês - instaladas junto aos grandes produtores, que operam com máquinas do tipo form-fill and seal, enformando, enchendo e selando as embalagens. Para produções de menor volume, a empresa fornece a opção de bandejas pré-formadas e máquinas de envase e seladoras.

Coextrusão acelera - Instalada em São Ludgero, próxima a Criciúma, ao sul de Santa Catarina, desde 1970, onde processa 10 mil toneladas/ano de polietilenos, a tradicional Incoplast, dedicada à produção de embalagens alimentícias, previu há oito anos crescimento acelerado no setor e inaugurou, em 1995, sua segunda fábrica em Marialva, próxima de Maringá-PR. Nessa unidade produz 12 mil toneladas/ano de coextrudados de PE/PE, PE/náilon, BOPP/PE, BOPP/PP, PP/PP e PET, transparentes e metalizados.

"Atuávamos com embalagens para biscoitos, massas, salgadinhos, ração animal, aves especiais, embutidos, inclusive com sistemas pouch, mas resolvemos ampliar o leque com a oferta de embalagens para produtos como carnes, fatiados e açúcar", informou o diretor industrial Melito Schlickmann. Com isso, a empresa mais que dobrou a produção e posiciona-se entre os cinco maiores produtores de embalagens laminadas do País.

"Quando começamos a produzir na planta do Paraná, processávamos 200 toneladas/mês, mas desde 2001 alcançamos 1.000 toneladas/mês, e estamos prevendo em 2004 um crescimento de 20% a 30% em tonelagem", afirmou Schlickmann.

Cuca Jorge
Schlickmann prevê expandir até 30%

Com apenas quatro anos de atuação em Morro da Fumaça-SC, a Cristal Embalagens recebeu da Associação Brasileira de Flexografia duas premiações pela qualidade de impressão em suas embalagens de arroz, produzidas com PEBDL, e de fraldas descartáveis, feitas de PEBD/PEBDL.

"O forte da nossa empresa é primar pela qualidade de impressão e atendimento aos clientes, além de buscarmos sempre o que as petroquímicas têm de melhor a oferecer em resinas", afirmou Roberto Carminati, diretor comercial.

Ao iniciar as operações, contava com capacidade de 50 toneladas/mês. Hoje, são 400 t/mês. "O nosso setor está superdimensionado em capacidade, mas a concorrência é encarada como um desafio, motivando a busca permanente de novos mercados."

 

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