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POLO PLÁSTICO DO SUL Santa Catarina lidera na produção e Rio Grande do Sul, em número de empresas. Já o Paraná é o mais novo pólo da indústria automotiva Fernando de Castro e Rose de Moraes Nem o ritmo desfavorável da economia brasileira é capaz de conter os novos empreendimentos no setor plástico que se espalham pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com o segundo maior nível de consumo de resinas do País - 1,16 milhão de toneladas/ano -, a região Sul continua respondendo com vigor à crise nas demandas internas e atraindo novos investimentos, com empresas nacionais reposicionando-se geograficamente mais próximas de seus clientes, bem como internacionais de alta tecnologia dando preferência à região Sul na hora de programar investimentos para o Brasil, focados principalmente nos mercados mais emergentes da atualidade, representados pelas produções agrícolas, alimentos e automotivas.
No comparativo entre os três Estados, Santa Catarina apresenta o maior nível de consumo de resinas. Absorve 546 mil toneladas/ano, o que corresponde a 13,2% da demanda total, e se caracteriza como o segundo maior parque de produção do País, posição galgada nos últimos anos, tendo em vista que, na década passada, respondia pela terceira posição, com seu parque industrial participando com 9,8% da produção nacional. Em segundo lugar vem o Paraná. Com consumo de resinas de 318 mil toneladas/ano, responde por 7,8% do total demandado no País, seguido pelo Rio Grande do Sul que processa 303 mil toneladas/ano, representando 7,5% do consumo total brasileiro. Mas se Santa Catarina desponta no consumo e no desempenho da produção, o Rio Grande do Sul é o Estado que abriga maior número de empresas do setor e mantém maior nível de empregos. Só a indústria gaúcha faturou R$ 1,95 bilhão em 2002, equivalente a 9% de todo o faturamento do setor plástico brasileiro (da ordem de R$ 22,5 bilhões), aponta pesquisa da consultoria MaxiQuim, de Porto Alegre. Com mais de 700 empresas, gera além de 20 mil empregos, ficando atrás apenas de São Paulo no quesito mão-de-obra. Em segundo lugar, aparece Santa Catarina, com 533 estabelecimentos e mais de 23 mil empregados. Em terceiro está o Paraná, com 480 empresas e mais de 14 mil empregados e produção também concentrada em materiais para construção civil e embalagens, sobressaindo-se mais recentemente pela produção voltada ao setor automotivo, caracterizando a região de Curitiba como pólo plástico que abriga cada vez mais maior número de fornecedores especializados. Ao se analisar o perfil das empresas instaladas nos três Estados, o setor de embalagens é o de maior expressividade, com 552 empresas: 211 instaladas no Rio Grande do Sul; 175, no Paraná; e 166, em Santa Catarina, dados que por si só revelam a alta competitividade existente no setor. A fabricação de laminados também entra na disputa da produção dos três Estados, com o Paraná concentrando o maior número de empresas (27), seguido do Rio Grande do Sul (20) e Santa Catarina (17). Rasteira nos calçados - No Rio Grande do Sul, o segmento mais promissor é o de embalagens. Ultrapassou a área de componentes para calçados no final da década passada. Utilidades domésticas e brinquedos experimentaram expressiva queda de participação na estrutura do valor de produção da indústria: de 18,3%, em 1994, para 9,3%, na segunda metade da década passada, e obtiveram alguma recuperação em 2003. A indústria de componentes técnicos, predominante na região do Nordeste Gaúcho, é a terceira mais importante na estrutura de valor da produção, mas ainda continua sendo a quarta em absorção de mão-de-obra e em consumo de resinas.
A da Serra é especializada em componentes técnicos e móveis. A de Grande Porto Alegre, na transformação de peças e componentes para a construção civil, utilidades domésticas e embalagens. No Vale dos Sinos predomina a indústria de componentes para calçados, produtos para agricultura e semi-acabados. Os segmentos de produtos agrícolas e o de embalagens são os mais desconcentrados, muito embora este último seja uma das especializações da região de Porto Alegre. O Vale dos Sinos detém em torno de 30% do valor da produção e do consumo de matérias-primas e 33,5% do número de empregados. Entretanto, é a região com a menor taxa de crescimento. A segunda posição é disputada pelas regiões de Porto Alegre e da Serra. A primeira é mais importante no número de empregados e no consumo de matéria-prima e a segunda em valor da produção, dado que concentra 69,6% dos componentes técnicos, o segmento com o maior poder de agregar valor. Com isso, a indústria de terceira geração do Rio Grande do Sul se revela bem diversificada, atuando em praticamente todos os segmentos, como o de calçados, embalagens rígidas e flexíveis, utilidades domésticas, brinquedos, componentes técnicos, construção civil, agricultura e móveis. Outros produtos acabados e semi-acabados, como cordas, descartáveis, artigos de toucador, bobinas e lâminas, também compõem seu amplo espectro. Essa diversificação permite uma interface dessa indústria com a maioria dos segmentos presentes na matriz produtiva regional: alimentos (embalagens para grãos, conservas, industrializados), calçados, químico, moveleiro, têxtil, metal-mecânico (componentes para máquinas), automotivo, agricultura, fumo, bebidas e outros. Tubos e descartáveis - Já as indústrias em Santa Catarina estão altamente concentradas na produção de materiais para a construção civil, ao norte do Estado, e embalagens, com empresas distribuídas por várias regiões do Estado, destacando-se ainda pela alta produção de descartáveis, ao sul. O Norte de Santa Catarina concentra mais de 90% da sua produção em materiais para construção civil e componentes técnicos, setor favorecido pelo pólo de ferramentaria existente em Joinville, enquanto o Sul concentra mais de 90% da produção de descartáveis e mais de 30% da produção de embalagens, pulverizada por várias regiões do Estado. Embora a primeira fábrica do segmento de plástico a se estabelecer na região de Criciúma tenha sido criada para produzir embalagens flexíveis, a indústria de transformação na região mudou o rumo e hoje é considerada uma espécie de Vale dos Descartáveis. Das 15 mil toneladas processadas por mês, 40% chegam ao mercado na forma de copos e pratos de poliestireno, a resina mais consumida na região. A capacidade instalada nesse parque é de 18 mil t, volume que poderá ser alcançado até o final de 2004, se a economia crescer na casa dos 3%, como indicam as projeções oficiais e das principais consultorias em atividade no País. O principal mercado comprador é São Paulo, mas existem nichos formados pelos frigoríficos espalhados pelo solo catarinense e fabricantes de fertilizantes, presentes de maneira expressiva no Rio Grande do Sul, clientes da indústria de embalagens flexíveis.
Entretanto, o Sul Catarinense necessitaria mudar o perfil de transformação. "Uma coisa que eu sempre critico é que os empreendimentos aqui continuam direcionados às embalagens flexíveis, quando o aconselhável seria mudar a indústria, buscando desenvolver empresas para a manufatura de plásticos de engenharia. A região está próxima das três montadoras de automóveis do Paraná e da GM, de Gravataí, no Rio Grande do Sul. Então, por que não investir nos plásticos de engenharia que agregam mais valor?" indaga Jayme Zanatta.
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