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CONSUMO CAI, MAS O PREÇO SOBE
O anunciado espetáculo do estado de São revelaram recuo de 3,6% no consumo aparente de plásticos (exceto PET) no ano passado, contrariando a previsão inicial de crescimento ao redor de 6%. O crescimento pífio do PIB brasileiro em 2003 e os juros exorbitantes, mesmo com a inflação domada, derrubaram as vendas internas de todas as principais commodities petroquímicas: PEAD (3,51%), PEBDL (0,90%), PEAD (9,54%), PP (3,83%), PS (0,89%) e PVC (8,04%). A exceção foi o EVA, com crescimento de 7,33%.
A instabilidade da economia nacional no ano passado afetou o setor de plásticos de maneiras diversas: o PVC sofreu com a estagnação do mercado de construção civil; os PEs, muito usados em embalagens, sentiram a diminuição da renda dos consumidores, a despeito das exportações agrícolas aquecidas; o PS, apesar da melhora nos dois últimos meses do ano, foi vítima do financiamento caro, algoz das compras de produtos de linha branca.
A redução de 5,07% nas vendas internas totais, contudo, não foi páreo ao crescimento expressivo das exportações, de 42%, principal artífice da expansão de 6,26% na produção de resinas, no total de 3,80 milhões de toneladas. O campeão dos embarques para o exterior foi o PP, cujas exportações cresceram 155,8%, seguido por PVC (56,60%) e PEBDL (54,83%). A única retração foi registrada no PS, com exportações 14,11% menores em 2003.
Preço atrai - O salto das vendas ao exterior reflete o esforço exportador da cadeia produtiva dos plásticos, como prova o grande aumento nas vendas internas para exportação (VIPE), com alta de 76,14%, em 2003, e o bom cenário internacional. Segundo José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Siresp, o crescimento da economia mundial em ritmo mais acelerado que o esperado e o ímpeto consumidor de Estados Unidos e China aumentaram a demanda por resinas termoplásticas em 2003, acarretando alta das cotações no mercado internacional. Além disso, a Europa, tradicional fornecedora dos asiáticos, está fora do mercado, já que a valorização da moeda tolhe a competitividade da resina produzida na zona do euro. "Com os EUA e a China à plena carga, e com a Europa sem exportar, abre-se a possibilidade da continuação do ritmo de exportações brasileiras a preços muito bons", disse Roriz. O PP homopolímero é vendido hoje a US$ 840/ton na Ásia e pode chegar a US$ 950/ton em março, preço já praticado nos EUA, onde a resina é mais cara. Os altos
preços no mercado internacional também contribuíram para a redução das importações brasileiras, que registraram queda de 17,58% em 2003.
| As margens das petroquímicas brasileiras, no entanto, estão pressionadas pelos aumentos
de custos - leia-se alta da nafta petroquímica acarretada pelos preços do barril de petróleo. Em 2003, a cotação média da tonelada da nafta no mercado nacional (US$ 283) foi 35% superior à média de 2002 (US$ 209/ton). "As empresas já começaram a recompor suas margens em dezembro e janeiro, e prosseguirão em fevereiro", afirmou Roriz. Os preços de resinas devem seguir altos em 2004, pois ao contrário das projeções que situavam a cotação do barril de petróleo entre US$ 24 e US$ 25, o preço ronda os US$ 32. |
Cuca Jorge |
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| Roriz: exportações têm boas perspectivas |
"Ninguém aumentava os preços pois se acreditava que o preço do petróleo cairia, mas o patamar alto se manteve. As matérias-primas subiram, mas as resinas, não", justificou.
Há quatro meses, o mercado supunha que, vencida a guerra no Iraque, a produção de óleo do país cresceria. Também havia percepção de que a Rússia, fora da Opep, aumentaria suas cotas de exportação e derrubaria os preços do petróleo. Mas a produção do Iraque não decolou e a Rússia apresentou grande melhora da economia local e entrou no mercado sem reduzir os preços internacionais do petróleo. Esses fatores, aliados ao aquecimento inesperado da economia mundial, tornam quase impossível um cenário com petróleo a menos de US$ 32 ou US$ 33 por barril. A nafta, cotada entre 9,5 e 10 vezes o preço do petróleo, seguirá alta, e os preços, já em trajetória ascendente no Brasil, tomarão o mesmo rumo no mercado internacional.
Tendências - Em 2004, porém, os números das exportações de resinas deverão encolher devido ao crescimento previsto para o consumo aparente no mercado interno, de 7,5% (supondo crescimento do PIB de 3,5 %). Nesse caso, as exportações retornariam ao patamar histórico de 17% a 18% da produção. "A cadeia prefere aumentar as vendas no mercado interno e exportar produtos transformados, pois possuem maior valor agregado, possibilitam contratos de fornecimento e vendas regulares de produtos diferenciados", disse
Roriz.
Ademais, pequeníssima fração das vendas externas brasileiras é contratada. O mercado da América do Sul é cativo dos produtores nacionais, mas as vendas para Europa, EUA e Ásia são eventuais, estimuladas por preços atrativos ou excedentes de produção. A atuação é focada no mercado spot, limitado a alguns poucos grades não muito sofisticados de resinas plásticas. O mercado de PP, por exemplo, movimenta cerca de 90 diferentes grades, muitos produzidos sob medida para cada cliente, mas o mercado internacional restringe-se a no máximo cinco deles. Diz Roriz ser fácil sair ou entrar nesse mercado, já que são vendidos produtos de tecnologia amplamente dominada ao redor do globo.
Apesar do bom desempenho das vendas externas, sobraram algumas farpas para a condução do projeto conjunto de exportação da cadeia plástica, o Export Plastic. "É absurdo misturar um projeto tão importante como o Export Plastic com a negociação de preços de resinas do dia a dia, como foi feito pela Abiplast. Não se pode confundir a negociação de preços com um projeto de médio e longo prazo", criticou o presidente do Siresp. Segundo ele, "o VIPE é um preço que leva em consideração o diferencial necessário à exportação competitiva.
Hoje não seriam necessários descontos, pois os preços do mercado externo estão maiores que os do mercado nacional. Misturar todas essas coisas toda vez que houver um aumento ou redução de preço no Export Plastic é muito ruim para o projeto", completou Roriz.
Apesar das rusgas, o projeto será responsável por grande aumento das vendas VIPE em 2004, que pode chegar a 60%, em relação a 2003. Embora tenham preço menores em termos absolutos, as vendas VIPE prometem o maior crescimento relativo no ano.
Márcio Azevedo
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