Contra a maré - A MVC, do Grupo Marcopolo, de São José dos Pinhais –PR, ignorou a crise do mercado do compósito e também cresceu. A empresa dobrou o faturamento neste ano. Por conta da abertura de duas novas unidades, em Caxias do Sul-RS e em Monterrey, no México, a MVC conseguiu se mostrar imune à retração. “Dobramos a nossa capacidade produtiva”, explica o diretor-geral Gilmar Lima. Mas, na avaliação dele, existe outra justificativa: os negócios só foram ruins para quem não investiu em tecnologia, se restringindo ao emprego de processos manuais. Também contra a corrente, a Tecnofibras, de Joinville-SC, cresceu 10%, em comparação a 2002. Pioneira na utilização do RTM, segundo o diretor comercial Horst Peterhans, a companhia foca sua atuação no segmento automotivo e, por isso, também trabalha com a tecnologia SMC.  Divulgação
Lima dobrou faturamento e capacidade de produção

Apesar de a maior parte dos rendimentos da MVC resultarem dos negócios com termoplásticos, Lima acredita no avanço da resina termofixa. Tanto é assim que apostou todas as fichas no desenvolvimento da casa popular (ver boxe). O lançamento, feito em parceria com a líder no mercado no fornecimento de resinas, a Reichhold, de Mogi das Cruzes-SP, reflete o aspecto empreendedor da direção da MVC, mas sobretudo a possibilidade real de ascensão do compósito, opina o diretor. Além da casa —cuja repercussão só será percebida em 2004, segundo avaliação de Lima —, a MVC também apresentou novidades para o setor automotivo, como um projeto de ar-condicionado para ônibus, feito em RTM light. A companhia introduziu essa tecnologia no mercado e hoje atende aos setores automotivo, aeronáutico e de infra-estrutura, através do emprego de outros processos como vacuum forming, RTM e laminação contínua.

Para Lima, os transformadores nacionais não têm a tradição de investir em processos de molde fechado e por isso, agora sofrem os efeitos da crise do mercado. No entanto, essa acomodação está sendo reavaliada e a tendência é de só sobreviver quem investir em tecnologia. Além de trazer benefícios domésticos, essa migração tem outro porquê. Para Lima, a indústria nacional do compósito quer alcançar o exterior, porém, para tanto, tem o desafio de melhorar a qualidade do seu produto. 

Cuca Jorge Prova de que esse é o caminho consta do balanço da MVC. No ano passado, 1% da receita da empresa veio de fora, enquanto em 2003, esse índice saltou para 6%. Na opinião de Peterhans, para desenvolver a cultura de exportação, o setor, de forma geral, tem de se profissionalizar e atender aos requisitos quanto à tecnologia exigida pelo mercado internacional. Na visão dele, porém, a indústria nacional do compósito é tomada pela informalidade, sobretudo por conta da facilidade de fabricação de peças em PRFV. “Em inúmeras ocasiões, empresas desenvolvem excelentes produtos, mas que são copiados, de forma vergonhosa e com absoluta falta de qualidade, causando descrédito para o compósito”, relata Peterhans.
Para Lazai, o setor precisa se organizar

Corrosão em alta - O gerente comercial da Cromitec, de Piracicaba – SP, Marcio Lazai, concorda com Peterhans. Para ele, antes de focar os esforços em novos mercados, a indústria nacional do compósito precisa voltar-se para si própria e organizar o setor. De momento, algumas mudanças já são percebidas pelo mercado. Uma delas é o avanço do uso do compósito em áreas corrosivas, o que em linhas gerais reflete melhorias do produto, por conta das exigentes especificações da matéria-prima destinada a ambientes corrosivos. A demanda foi tamanha que os fabricantes de resinas tiveram de, ao longo do tempo, incorporar ao seu portfólio resinas específicas para cada aplicação. O lançamento da linha Dion Xtreme, pela Reichhold, em feira realizada nos Estados Unidos, em outubro, é um exemplo. São resinas híbridas de uretano indicadas para aplicações nas quais se exige extrema resistência à corrosão. 

A Reichhold conta com tipos de resinas já consolidadas para laminados de ambientes agressivos. A família mais antiga, Atlac, se complementou depois com a Dion, ofertando ao moldador ampla variedade de resinas isoftálicas, estervinílicas e bisfenólicas. A diversidade dos produtos industriais exige o uso de vários tipos de resinas para otimizar o desempenho dos compósitos, classificadas de acordo com as matérias-primas empregadas em sua fabricação, sendo as principais as isoftálicas, as tereftálicas, as clorêndicas, as viniléster e as bisfenol fumáricas. Dependendo do ambiente, essas resinas têm suas peculiaridades e por isso é importante avaliar pontos positivos e negativos de cada uma. 


<<< Anterior

Próxima >>>