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FATURAMENTO ENCOLHE MAS O SETOR INVESTE
EM NOVAS TECNOLOGIAS PARA GANHAR MERCADO
Mesmo com as vendas em baixa, a indústria se rende aos benefícios dos
processos modernos, como o RTM e sua versão light, ganha produtividade e a
chance de melhorar a imagem do setor
RENATO BASSAN PACHINOS
A indústria nacional do compósito fecha 2003 com queda de 10% no faturamento, em relação ao ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Materiais Plásticos Compostos (Asplar). Com receita na casa dos US$ 700 milhões há pelo menos três anos, o setor se movimentou. Para baixo, é bem verdade. No aspecto tecnológico, porém registrou avanços significativos. O setor consolidou o sistema híbrido RTM (Resin Transfer Moulding), em sua versão original e light, contra os tradicionais e cada vez mais enfraquecidos processos hand-lay-up e spray-up. O RTM alavancou o surgimento de novos produtos e prenuncia um outro cenário para o compósito, marcado pelo aprimoramento tecnológico e melhorias de qualidade. Em 2003, a pultrusão, processo contínuo automatizado, também saiu da sombra, fortalecendo o plástico reforçado nos ramos petroquímico e químico.
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Como se vê, as mudanças foram tecnológicas e não mercadológicas, a ponto de a antiga promessa de reestruturação do setor ser capaz de fomentar investimentos tanto do transformador como fabricante de resinas. Na opinião dos especialistas, esse foi o ano das exceções: as empresas de maior destaque estão fora da média do mercado. São, sobretudo, moldadores de grande porte, com capacidade para utilizar processos de moldes fechados, ao contrário da grande maioria ainda presa aos abertos. De acordo com a Asplar, a laminação por projeção corresponde ao processo mais utilizado pela indústria nacional, com 56% de atuação. A laminação manual possui 18% do total, enquanto laminação contínua e a vácuo, 8%, cada. |
Divulgação |
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| Peças moldadas pelo processo de pultrusão
tendem a ganhar mais mercado |
A sensação do momento, o RTM, responde por 6% e a pultrusão por 2%. Ainda incipiente, SMC (Sheet Moulding Compound) e BMC (Bulk Moulding Compound) juntos somam 2%. Esses números refletem o perfil do setor, pois 85% do total dos três mil associados da entidade são micro-empresas.
“O grande filão do compósito são as novas aplicações”, diz o diretor-executivo da WPP – Webber Perfis Pultrudados, de Torres-RS, Rogério Menegaz Rodrigues. Para ele, falta no mercado a disposição das empresas em fazer investimentos a médio prazo e daí migrar para processos mais sofisticados, o que resultaria na melhoria do produto final e na criação de aplicações inéditas. Os especialistas do setor são unânimes quanto à necessidade desse tipo de aprimoramento do compósito. Devagar, porém, o cenário está mudando. A fim de atender a uma demanda crescente por pultrudados, a WPP iniciou operação conjunta com a Reforce Compósitos de Fibras Ltda e criou a marca WPP Compósitos. A nova empresa, na opinião de Rodrigues, traduz a confiança no avanço da pultrusão e sobretudo as expectativas da WPP de crescer 300% até 2006. Para ele, o mercado brasileiro de pultrusão tem muito a evoluir. Como parâmetro, cita a existência de cerca de três mil aplicações catalogadas em produtos pultrudados, pelo mundo.
Confiante nesse avanço, para 2004, a WPP programa desenvolver um galpão modular industrial, destinado ao armazenamento de produtos corrosivos. A iniciativa pretende sinalizar um novo cenário para o pultrudado, diz Rodrigues.
Com a expectativa de encerrar o ano com produção média de 45 toneladas por mês, a WPP vislumbra um cenário positivo para essa tecnologia. De acordo com Rodrigues, esse mercado cresce 20% ao ano e ainda tem muito a avançar, por conta, entre outros fatores, dos efeitos contra a corrosão do produto. Entre os principais clientes da empresa, figura a Petrobras. A WPP participou da construção das plataformas P 43 e P 48 e agora fornece material para a P 50. A história da pultrusão no Brasil sustenta a idéia de crescimento. Dados de Rodrigues dão conta de que, há três anos, a indústria nacional consumia média de 100 toneladas/mês de produtos pultrudados. O ano de 2003 se encerra com média de 280 toneladas/mês. As resinas indicadas para o processo são as termofixas do tipo poliéster insaturado, éster vinílicas, epóxi e as especiais, como as fenólicas. Hoje metade do negócio da WPP corresponde aos compostos para grades de piso, 25% são produtos para a área elétrica, e os 25% restantes, estruturas e perfis especiais.
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