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CAI O CONSUMO DE PET MAS RECICLAGEM SOBE

O consumo do polietileno tereftalato (PET) deve encolher 5% neste ano, com máximo de 285 mil toneladas direcionadas à indústria de embalagem, contra 300 mil no ano passado, estima o presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) Alfredo Sette. Na opinião dele, essa retração reflete a queda no poder aquisitivo do brasileiro e as baixas temperaturas registradas no ano. “O PET é um produto de renda e que está ligado ao clima”, justificou. Essa afirmação embute característica determinante do setor: o seu desempenho depende da venda de refrigerantes, segmento responsável por 66,1% do total consumido de resina. “O refrigerante é um produto sazonal que sofreu de forma muito forte o impacto da economia”, explicou Sette. Outros mercados de destaque são água mineral, com 11,8% do consumo de embalagens PET e, na seqüência, óleos comestíveis, detentores de 11,4% do total, além de outros.

De acordo com dados da associação, o Brasil absorve menos de 5% da produção mundial da resina, indicativo do forte potencial de crescimento da indústria nacional do PET. Segundo estudo da Datamark, a indústria nacional de embalagens movimentou US$ 8,2 bilhões neste ano. Desse total, o plástico rígido respondeu por 24%, seguido pelo metal, com 23%. “Estamos na 33ª posição mundial em consumo per capita de embalagens de PET”, diz Sette. Na opinião de especialistas do setor, o PET ainda está concentrado em alguns segmentos e tem muito espaço para crescer.  Divulgação
Alfredo Sette atesta crescimento de 18% na recuperação de PET pós-uso

De acordo com Sette, a indústria está focada hoje nas embalagens de dois litros, quadro que tende a ser redesenhado nos próximos anos, a partir da diversificação do uso do PET em outros tipos de embalagens. Pesquisas da Datamark apontam que o mercado brasileiro de garrafas PET consumiu 9 bilhões de unidades neste ano. A previsão para 2004 é atingir a marca de 9,4 bilhões de unidades.

Na avaliação de Sette, o segmento de frascos de pequeno volume, sobretudo os destinados à indústria farmacêutica, dá sinais de avanço. “A resina é leve e se o setor investir no PET terá ganhos de logística e de transporte”, ponderou. De acordo com o levantamento da Datamark, a indústria farmacêutica consumiu 93 milhões de unidades em PET neste ano, contra apenas 5 milhões em 2000. 

Crescimento – Também a reciclagem de PET vislumbra um futuro promissor. Essa indústria cresceu 18% em 2002, em comparação ao ano anterior, atingindo cerca de 105 mil toneladas de embalagem PET pós-consumo recicladas. “Neste aspecto, estou otimista. A reciclagem, ao invés de depender da renda, a gera”, comentou Sette. As ações da Abipet comprovam a confiança no crescimento do setor, como o convênio oferecido à Prefeitura de São Paulo, para os associados da Abipet absorverem todo o PET coletado pelo município. “O catador terá a certeza de que o material será vendido”, disse Sette. Para ele, as empresas ligadas à associação representarão uma nova opção para a comercialização do resíduo reciclável. “As cooperativas terão a liberdade para vender a quem quiserem, mas contarão com a segurança de não ficar com o material encalhado”, explicou. O programa está disponível para todas os municípios interessados.

A Abipet também dispõe de programa para capacitar os catadores em sistemas de coleta seletiva. “As grandes cidades têm problemas com a disposição dos resíduos gerados e a coleta seletiva é a forma mais eficiente de redução dos volumes enviados ao aterro sanitário”, comentou o coordenador de comunicação da associação Hermes Contesini. “É uma questão financeira e de cidadania”, acrescentou Sette. Nas estimativas da Abipet, existem pelo menos 500 mil trabalhadores voltados para a coleta de materiais recicláveis em todo o País.

Prêmio Ecopet – Criado pela Abipet para estimular pessoas e empresas a desenvolver estudos, processos inovadores e novos usos para o PET reciclado, o Prêmio EcoPET agraciou, nesta sua quarta edição, projeto de uso de garrafas de PET na construção de casas populares, na fabricação de tubos para construção civil, e ainda um outro trabalho para estimular a preservação do meio ambiente.

Desenvolvido no Centro Federal de Educação Tecnológica de Curitiba, no Paraná, por Cássio D. V. Silvério e outros autores, o trabalho intitulado “A utilização dos blocos de Isopet na construção de casas populares”, foi o melhor na categoria que engloba pesquisas acadêmicas, processos inovadores, máquinas ou processo tecnológico. Isopet é o nome conferido a blocos feitos em concreto leve com poliestireno expandido (EPS) reciclado e garrafas pós-uso de PET. As peças, com encaixes laterais do tipo macho e fêmea, propiciando seu intertravamento, são muito leves e permitem a construção de casas em tempo curto e a um baixo custo.

O vencedor para ações ou projetos empresariais que contribuam para a disseminação da reciclagem do PET foi o Tubopet, de Guido F. Nigra, mentor dos tubos de PET reciclado para uso na construção civil. (ver PM 342, abril de 2003, página 8). Desenvolvida pela Empresa Brasileira de Reciclagem (EBR), de Diadema-SP, a linha desses tubos produzidos a partir da revalorização de garrafas de PET, para emprego em redes de esgoto, proporciona a reciclagem de 100 toneladas mensais da resina, equivalente a cerca de meio milhão de garrafas de dois litros.

A Abipet ainda premiou o trabalho “Arte Mangue”, de Célio Oliveira, do Rio de Janeiro, na categoria de ações da coletividade que incrementam a coleta local de embalagens pós-consumo. Morador do município de Magé, às margens da Baía de Guanabara, Célio construiu uma casa com 10 mil garrafas de PET pós-uso cheias de areia e montou o projeto Arte Mangue, reunindo crianças carentes da região, estimulando a preservação do meio ambiente.

Fundada em 1995, a Abipet congrega os produtores da resina, fabricantes de embalagens e os recicladores das embalagens pós-consumo. Comandada por executivos independentes, a entidade atende pessoas interessadas no negócio da reciclagem ou no mercado das embalagens. Por meio de programas de palestras, leva capacitação a catadores de materiais recicláveis e professores; e também educação ambiental a alunos de todos os níveis. 

R.P./M.A.S.

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