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MERCADO GANHA NOVAS OPÇÕES EM POLIETILENOS

Com participação consolidada no mercado de polietilenos para tubulações de gás e água potável e de olho nas metas do governo na área social, convicta na mobilização de parte desses investimentos em saneamento, a Ipiranga Petroquímica (IPQ) oficializou o lançamento do novo grade de PEAD GM 5250 OC para fabricação de tubos corrugados bimoldados para canalizações de esgoto. A fabricação desses tubos começou no ano passado, em teste em empresas de saneamento, como a gaúcha Corsan; a Sabesp, de São Paulo; e a Casan, de Santa Catarina. O objetivo da Ipiranga e dos fabricantes dos tubos é substituir gradativamente as redes antigas construídas com manilhas cerâmicas ou PVC. 

Nas expectativas da Ipiranga, a União deverá investir R$ 1,4 bilhão em saneamento básico a partir de 2004, além dos projetos para substituir os produtos convencionais. 

Para Fábio Franck, chefe do departamento de mercados especiais da IPQ, a redução no tempo de instalação em 30% e nos custos, da ordem de 20%, são atrativos capazes de consolidar a GM 5250 OC no mercado de tubulações para esgoto sanitário. Fernando de Castro
Franck entrega resina aditivada para assegurar as especificações

Segundo ele, os tubos de PEAD oferecem vantagens, como a estrutura de dupla parede, proporcionando alta resistência mecânica, excelente relação peso por metro, impermeabilidade e resistência a impactos. O material ainda resiste à compressão e a produtos químicos, não permite a sedimentação de detritos e tem baixo coeficiente de atrito. O índice de quebra durante o transporte e instalação é zero, asseguram os fabricantes.

Outra vantagem dos tubos de PEAD em relação às manilhas de argilas e aos tubos de PVC consiste na leveza, permitindo a instalação em locais de difícil acesso. Para ajustar o produto à cultura das canalizações em cerâmica, o produto usa pigmento ocre, explica Franck. A fim de evitar o emprego de pigmentos, reforços e masterbaches fora das especificações, a Ipiranga comercializa a resina já aditivada. “Decidimos entregar a resina pronta para evitar perda da qualidade”, diz Franck. Para ele, igual estratégia já adotada com resina para tubos de gás garantiu à empresa o posto de única com homologação para fabricar as resinas para tubovias de gás.

Na capital gaúcha, de um total de 2,7 mil quilômetros de redes de distribuição de água, 900 quilômetros já são de PEAD. Isto porque o Demae decidiu não mais consertar as redes antigas quando quebram e sim substituí-las totalmente. De acordo com o técnico do Demae Valdir Flores, as licitações atuais do departamento priorizam os projetos em tubulações de PEAD. Por isso, ele prevê a adoção do material também para as redes de esgoto nas próximas licitações a serem abertas a partir do próximo ano.

Na opinião do diretor comercial da IPQ Eduardo Tergolina, os volumes de PEAD para o segmento se aproximarão aos da resina consumida na manufatura dos tubos de distribuição da água potável, algo em torno de 10 mil toneladas/ano. “Esse consumo poderá ser ainda maior em 2004, dependendo do cronograma de liberação de verbas do governo federal para investimentos em infra-estrutura”, acredita.

Filmes – A empresa, que já fabricava o PEAD benchmark (GM 9450 F) para a produção de filmes na América Latina, está aproveitando a iminência da entrada em vigor da norma técnica NBR 14937, que estabelece requisitos e métodos de ensaio para fabricação de sacolas plásticas tipo camiseta, em 30 de abril próximo, para divulgar o novo grade de PEAD GP 9452 F, com melhores propriedades mecânicas que o antecessor. 

Maior produtora de PEAD do Cone Sul, a Ipiranga afirma ser a líder nas vendas de PE no mercado brasileiro. Das três plantas de processo suspensão (slurry) e tecnologia Hoechst, em Triunfo-RS, uma é praticamente dedicada à produção de 100.000 toneladas anuais do grade GM 9450 F, fabricado desde 1992. Nessas plantas, a empresa recebe as matérias-primas para posterior fabricação dos catalisadores, o que lhe assegurou certo domínio do processo e permitiu a investida mais ambiciosa que resultou no MaxiFilm – nome comercial do GP 9452 F. 

O projeto de desenvolvimento do Maxifilm começou em 1998, com testes em reator de bancada e depois em planta piloto. A primeira produção industrial veio em 2000, e a produção regular, em planta industrial, já resultou na fabricação de cerca de 8.000 t. Nessa fase inicial de comercialização, apenas nove transformadoras serão autorizadas a processar a resina: Cipapel, Flexiroll, Orleplast, Plaszom, Rioplastic, Suzuki, Valplast, Zivalplast e Extrusa. Segundo o diretor comercial Eduardo Tergolina, foram investidos US$ 500 mil no projeto, e a produção em escala tem início em janeiro, com preços entre 5% e 10% acima do GM 9450 F.

Mais resistência – A principal característica do MaxiFilm é a resistência mecânica superior em comparação ao GM 9450 F, o antigo campeão no quesito. Para comprová-la, o pesquisador Fernando Castiglia Franceschini apresentou os resultados de testes comparativos com sacolas do tipo camiseta confeccionadas com o GM 9450 F e o GP 9452 F. Foram escolhidos testes prescritos na NBR 14937 (resistência ao impacto por queda de dardo, resistência dinâmica, resistência à carga estática e resistência à perfuração estática) e formulações contendo PEAD e PEBDL na proporção 92/8, com e sem adição de master de dióxido de titânio (em concentrações entre 4% e 5,4%), e filmes com espessuras entre 10m e 18m. 

O GP 9452 F atende às exigências da norma mesmo em filmes de espessura de 12m e 10m, ou em testes de perfuração com dardos de 100 g e 120 g – o exigido é 80 g. “A conclusão é que o GP 9452 F produz filme com maior resistência mecânica, em comparação ao GM 9450 F, se a espessura do filme for a mesma, ou permite redução de até 20% na espessura sem perda de resistência mecânica. Isso significa dizer que o GP 9452 F facilita a adequação das sacolas à especificação da norma NBR”, disse Franceschini.

De acordo com o pesquisador, as propriedades mecânicas superiores do MaxiFilm foram obtidas por modificações no sistema catalítico de polimerização, do tipo Ziegler-Natta, composto por tetracloreto de titânio (catalisador) e um alquil alumínio (co-catalisador), e alterações de processo. Pode-se alterar tanto a composição do sistema catalítico quanto sua forma de preparo, bem como as condições de processo dos reatores (temperatura, pressão, taxa de fluidez e quantidade de matérias-primas) de polimerização. Como o MaxiFilm é uma resina bimodal, a linha de produção é composta por dois reatores, que produzem materiais monomodais (com massas molares diferentes). “Com as modificações que nós introduzimos foi possível um melhor ajuste da distribuição das massas molares”, revela Franceschini. 

As modificações são segredo, mas o pesquisador explica que foi possível refinar o balanço entre cadeias de baixa e alta massa molar. As de alta respondem pela elevada resistência mecânica do filme, mas também elevam a viscosidade do fundido e prejudicam a processabilidade; as cadeias de menor massa molar contribuem para a diminuição da viscosidade, melhorando as possibilidades de transformação.

Roubando a cena – Quem acabou atraindo as atenções no evento da Ipiranga foi o diretor superintende do Instituto Nacional do Plástico, Paulo Dacolina, que apresentou um panorama da normalização dos plásticos no País. 

De maneira geral, na indústria do plástico e, particularmente, na indústria de embalagens, há baixa normalização dos produtos, à exceção do setor de construção civil. Como conseqüência, inexiste padrão mínimo de qualidade. A baixa qualidade assumiu papel de fator competitivo e criou referência de preço no mercado nacional que favorece os produtos de qualidade duvidosa. 

A normalização, por sua vez, possibilitaria a criação e a manutenção de programas de qualidade e certificação dos produtos com um padrão mínimo e um mercado concorrencial perfeito, direcionado pela criatividade e produtividade. Na era da globalização, há ainda outro efeito: a criação de barreiras técnicas às importações predatórias. “Em 1995 o setor calçadista perdeu 170 empresas no Rio Grande do Sul, em São Paulo e em Minas Geras, em razão de produtos chineses de má qualidade que não podiam ser contidos por falta de uma norma técnica”, lembrou Dacolina. “A barreira técnica é importante para nossa indústria. Mais do que isso, o fato de nossa indústria ter um padrão mínimo de qualidade elevado permite que ela se lance ao mercado exportador”, disse. 

Para o superintendente do INP, o caráter da norma não engessa o mercado, pois não determina as medidas ou o peso das sacolas, mas exige o cumprimento do acordado entre comprador e vendedor, quanto às dimensões, à capacidade nominal e o peso. E são as sacolas com as medidas acordadas que deverão resistir aos ensaios exigidos na NBR 14937. 

Mesmo assim, muitos transformadores presentes na platéia demonstraram preocupação com as exigências do novo regulamento. No Brasil, as normas técnicas são desenvolvidas voluntariamente por integrantes dos setores em foco, mas por força do escrito no artigo oitavo do parágrafo 39 do Código de Defesa do Consumidor (Lei N.º 8.078, de 11 de setembro de 1990), “é vedado ao fornecedor de produtos ou serviços colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes, ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Conmetro”, isto é, as normas técnicas da ABNT possuem caráter mandatório. 

Dacolina provocou alvoroço entre os transformadores presentes quando revelou que, devido ao imenso número de empresas processadoras de plásticos, a fiscalização deve se iniciar pelas maiores empresas do setor. Disse um deles: “Eu vou acabar tendo que produzir duas linhas de embalagens, uma de acordo com a norma e outra para os pequenos compradores”, demonstrando certo descontentamento.

Rebuliço maior ainda ocorreu quando o superintendente lembrou que os transformadores serão obrigados a inserir impressoras em suas linhas de produção, já que a norma prevê, sem exceções e de forma indelével, a impressão de um conjunto mínimo de informações, em que figuram a marca ou identificação do fabricante, texto de segurança para crianças, texto para venda de bebidas, símbolo de reciclagem, data de fabricação, dimensões e capacidade nominal. Outro transformador descontente argumentou que possuía produção cativa de sacolas lisas, no que foi acompanhado por outros presentes. Impassível, bem humorado e contumaz, Dacolina respondeu: “As sacolas lisas terão que ser impressas!”. O INP irá certificar os transformadores em conformidade com a norma em parceria com laboratórios credenciados pelo Inmetro. Os infratores serão denunciados ao Ministério Público.

Sopro – O último lançamento do ano da Ipiranga brindou o segmento de garrafas multicamadas do tipo longa vida, embalagens opcionais às caixinhas Tetrapack, para acondicionamento de leite e outros produtos lácteos. O novo grade de polietileno de alta densidade, batizado GE 4960 BR, pretende suprir mercado da ordem de 5.000 t/ano, hoje todo abastecido por resina importada.

O desenvolvimento do novo produto consumiu cerca de dois anos e US$ 500 mil em pesquisas. “Nossas maiores preocupações foram com as questões organolépticas, em como equacionar matérias-primas e processo”, disse Alessandro Cauduro Lima, do departamento de desenvolvimento de produto. Segundo ele, a produção da nova resina exigiu modificações em alguns aspectos da polimerização, de modo a assegurar ausência total de contaminações.

A GE 4960 BR é um PEAD homopolímero com densidade 1.000 g/cm³ e taxa de fluidez 0,50 g/10 min, desenvolvido em especial para o segmento de sopro de frascos coextrudados. A resina já sai da Ipiranga aditivada com dióxido de titânio, que assegura maior longevidade à embalagem. O novo PEAD compõe as partes externa e interna da parede do frasco, protegendo-o dos raios ultravioleta. A camada intermediária, de resina pigmentada com negro de fumo, também contribui para reforçar a proteção e elevar a vida de prateleira da embalagem, estimada em quatro meses.

De acordo com o fabricante, a GE 4960 BR proporciona perfeita homogeneização e uniformidade na pigmentação da embalagem e confere melhor qualidade de acabamento. Outro diferencial fica por conta da garantia de procedência do masterbatch empregado na resina, aprovado para contato com alimentos pela FDA. Em relação às propriedades mecânicas, a resina se destaca por apresentar boa resistência ao empilhamento e ao impacto. O novo grade também é indicado na produção de embalagens de fármacos e cosméticos.

 F.C./M.A/M.A.S.


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