Notícias               

EXPORT PLASTIC JÁ TEM VERBA LIBERADA

Após cerca de dois anos em processo de maturação, o Export Plastic, programa de incentivo às exportações de produtos transformados foi, enfim, assinado pelos presidentes da Agência de Promoção de Exportações (Apex), Juan Quirós, e do Instituto Nacional do Plástico (INP), Merheg Cachum, também presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). O programa prevê investimentos de R$ 5,2 milhões, bancados pela Apex (50%) e INP, representando a cadeia do plástico. À área petroquímica compete colaborar com 38% do montante, e à transformação, 12%. A liberação da verba, porém, fica condicionada aos resultados alcançados. 

“O setor tem prazo de dois anos para se ajustar e atingir os objetivos do programa, caso contrário, os investimentos são cortados”, explica Quirós. A Apex efetuará, primeiro, avaliação trimestral, depois, semestral e anual. Cuca Jorge
Assinatura do programa atrai representantes da cadeia

Posto em prática, o Export Plastic deve encadear série de ações para zerar o atual déficit na balança setorial e torná-la superavitária. Os planos são de longo prazo – cerca de oito anos –, mas ambiciosos. Nesse período, Cachum quer atingir superávit de US$ 1 bilhão na balança comercial do setor, inclusos resinas e produtos transformados. Mas atingir essa meta depende em grande parte do aumento das exportações dos artefatos plásticos, que agregam mais valor quando comparados à venda de insumos básicos. Desde o início da cadeia, considerando-se da nafta até a peça final, Cachum estima agregar valor de 10 até 40 vezes. Segundo ele, o déficit já diminuiu neste ano para US$ 119 milhões, contra 300 milhões em 2002.

Na opinião do presidente do INP e da Abiplast, elevar as exportações é fundamental para a sobrevivência do setor. Para tanto, há necessidade de formar cultura exportadora entre os transformadores de plástico. “Os empresários precisam ter em mente que a exportação é um compromisso de longo prazo, que implica credibilidade e não é apenas um recurso alternativo para ser utilizado nos momentos de crise e depois abandonado, em detrimento do reaquecimento da demanda interna”, ressalta Cachum.

O aporte do Export Plastic se destina a divulgar o produto plástico no exterior: dar apoio, assistência e orientação às empresas para exportar seus produtos, financiar a participação dos transformadores em feiras internacionais setoriais, e com estande, recepcionista e tradutor. Os benefícios são muitos e o desembolso, baixo. Cada empresa participante do programa entra com menos de R$ 500 mensais.

Além de incutir a cultura de exportação no meio transformador, será preciso ter toda a cadeia do plástico unida, a fim de tornar os produtos brasileiros competitivos no mercado externo. Sem preço bom e qualidade idem, não será fácil conquistar mercados como os Estados Unidos, México, Inglaterra, França e Alemanha, destinos prioritários constantes do programa assinado com a Apex. Para ingressar nesses países, a terceira geração precisará ter um parque industrial moderno, e matérias-primas a preços competitivos. Para tanto, é imprescindível a união de toda a cadeia produtiva do plástico, desde a ponta, a Petrobrás, fornecedor dos principais insumos necessários à produção dos polímeros.

Mas a colaboração da Petrobrás, questionada desde o início do projeto, ficou como um ponto de interrogação também durante a assinatura do Export Plastic. Representando a diretoria da empresa na solenidade, Suzana H. Tintner recusou-se a responder pergunta da imprensa a respeito da polêmica questão dos preços da nafta e retirou-se do evento.

Há mais de dois anos, a indústria petroquímica e a Petrobrás travam um cabo de guerra. O motivo, os sucessivos aumentos nos preços da nafta, sempre atrelados aos valores do dólar. De acordo com levantamento apresentado em setembro por José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp), o preço da tonelada da nafta subiu, na média, 41% até aquela data, enquanto os preços internacionais variaram 23,3%, no mesmo período (ver PM 348, outubro de 2003, pág. 46). É bom lembrar que o custo da nafta reflete na competitividade de toda a cadeia.

De acordo com Merheg Cachum, o papel da Petrobrás no Export Plastic é o de colocar a nafta em condições competitivas para a petroquímica, o que ele acredita factível. “Para sermos competitivos é preciso ter a Petrobrás como parceira e se não houvesse a integração da cadeia toda para viabilizar as exportações eu sairia do programa”, contemporizou.

A assinatura do Export Plastic foi o último convênio assinado pela Apex neste ano, ao longo do qual foram assinados 80 programas e liberados R$ 265 milhões, segundo Quirós. Até a primeira quinzena de novembro, a Apex realizou 325 eventos internacionais, dos quais 244 feiras, sete missões comerciais, 31 missões empresariais setoriais, além de 43 projetos compradores e vendedores. Os eventos contaram com a participação de mais de 7.500 empresas, gerando negócios da ordem de US$ 354 milhões e a criação de quase 92 mil empregos no País.

Durante o evento, a Abiplast também aproveitou para divulgar suas projeções para o ano, pois os números do setor ainda não foram fechados. Pelas estimativas da entidade, o consumo aparente de artefatos plásticos deve recuar 2,66% em 2003, com 3,9 mil toneladas de transformados, contra 4 mil em 2002. As exportações tendem a fechar o ano com avanço de 37,32% e as importações com queda de 5,89%. Também a produção deve ficar 1,05% abaixo. Em valores, a produção nacional deste ano deve equivaler a US$ 7,494 bilhões. As exportações, da ordem de US$ 622 milhões, continuam inferiores às importações, estimadas em US$ 781 milhões. 

M.A.S.


<<< Anterior

Próxima >>>