|
Notícias
RESINA METALOCÊNICA AGORA “MADE IN BRAZIL”
Lançadas em âmbito mundial há oito anos, as resinas polimerizadas com base nos catalisadores metalocenos vão entrar no rol dos produtos nacionais. Pioneira na produção de polietilenos metalocênicos na América Latina, a Braskem já produziu o primeiro lote industrial, de 3 mil toneladas, distribuído a seus clientes para testes. A iniciativa evidencia o avanço brasileiro em relação a novas tecnologias. O último marco do gênero no País ocorreu em 1991, com a inauguração das primeiras fábricas nacionais de polietileno linear de baixa densidade, após mais de 15 anos de uso corriqueiro desse material no exterior.
Esses polímeros surgiram da emergência da tecnologia dos catalisadores metalocênicos, ou de sítio único, nos Estados Unidos e Europa. Esse tipo de catalisador oferece diversas vantagens na polimerização, como redução nos ciclos de processamento e maior produtividade, além de aprimorar propriedades físicas das resinas, revolucionando o mercado dos plásticos em 1994.
Fabricada no pólo petroquímico de Camaçari-BA, com tecnologia licenciada da americana Univation Technologies, a resina será comercializada já no primeiro trimestre de 2004. O contrato assinado com a Univation limita a 100 mil toneladas anuais a produção com a nova tecnologia. Portanto, a unidade baiana, com capacidade instalada para polimerizar 200 mil toneladas anuais de PELBD, terá metade disponível para o novo produto, ofertado em três grades. A inovação exigiu desembolso da Braskem da ordem de US$ 10 milhões, injetados em pesquisas, desenvolvimento e no licenciamento da tecnologia.
A expectativa para a nova linha é de atingir vendas da ordem de US$ 30 milhões até o final do próximo ano, incluídas nesse montante as primeiras exportações. Com demanda atual da ordem de 35 a 40 mil toneladas anuais, a resina metalocênica representa em torno de 10% do mercado brasileiro de polietileno linear. A Braskem prevê comercializar cerca de 20 mil a 25 mil toneladas do produto em 2004 e, nos anos seguintes, suprir 70% do mercado em volume.
O lançamento do PELBD de base metalocênica evidencia o foco em inovação e a preocupação em buscar melhorar a gama de produtos na área de especialidades, que garantem maior rentabilidade à empresa, opina Luiz de Mendonça, vice-presidente da unidade de negócios de poliolefinas. “Trata-se da resina que faltava em nosso portfólio, refletindo nosso empenho em investir na identificação das necessidades do mercado e na diferenciação de produtos.”
A resina metalocênica faz tanto sucesso por suas propriedades diferenciadas em relação à poliolefina convencional, como maior resistência ao impacto e à perfuração, além de brilho e transparência superiores. O principal foco de aplicações é o segmento de embalagens de maior valor agregado. O preço para o consumidor brasileiro deve se situar em até 50% acima do linear convencional.
Pelos vários benefícios que oferece, a resina metalocênica conquistou o mercado mundial de maneira rápida e exibe potencial ainda muito promissor. Em comparação aos outros polietilenos, é a linha que mais cresce em âmbito global. Só os Estados Unidos consumiu 600 mil toneladas em 2002, registrando crescimento em torno de 25% ao ano.
Os sistemas catalisadores metalocênicos são complexos de metais, como zircônio e titânio, com o ânion ciclopentadienilo (Cp). Ficaram conhecidos como catalisadores de sítio único porque todos os seus sítios reativos são equivalentes em reatividade. Por essa razão, o polímero apresenta menores variações em sua estrutura e uma distribuição de peso molecular mais estreita, com melhor definição das propriedades físicas.
Novo PEAD – Além de contemplar a indústria de transformação com as novas resinas metalocênicas, a Braskem ainda desenvolveu novo grade de polietileno de alta densidade com características que prometem revolucionar o mercado. O produto, desenvolvido nos laboratórios do Centro de Inovação Tecnológica do grupo, em Triunfo-RS, incorpora as propriedades do PEAD e as características de processamento do polietileno de baixa densidade linear (PEBDL). De acordo com o gerente de desenvolvimento Alessandro Bernardi, o novo produto permite completa homogeneização na mistura do polietileno de alta densidade com o de baixa densidade linear para extrusão, resultando em filmes de alta transparência. A compatibilização entre as duas resinas é perfeita, assegura.
|
Assim como o polietileno de baixa densidade linear, o PEADL resulta de uma reação conjunta do monômero básico (eteno) com um outro gás (hexeno, octeno, ou buteno) durante a etapa de polimerização. O produto começou a ser desenvolvido em meados de 2003 e apresentado pela primeira vez por ocasião do Fórum Técnico do Plástico, realizado em Sapucaia do Sul-RS, em agosto. |
Fernando de Castro |
 |
| Bernardi anuncia lançamento em PEAD |
Segundo o gerente de desenvolvimento Alessandro Bernardi, apesar das densidades diferentes, o novo PEAD e o PEBDL têm índice de fluidez iguais. “Numa comparação simples, só muda mesmo a densidade, sendo que as demais propriedades são muito semelhantes”, afirma. Para ele, a mensagem principal é que o produto proporciona melhor adesividade do que o polipropileno num processo de coextrusão entre camadas.
| Fernando de Castro |
Num primeiro momento, o público alvo da nova resina são os fabricantes de embalagens por coextrusão de três camadas obtidas a partir de duas camadas externas de polietileno de baixa densidade linear com uma mistura de polipropileno e polietileno no meio. |
 |
| Novo PEAD substitui PP com vantagens na
coextrusão de filmes |
Por sua incompatibilidade com o PE, o polipropileno ocasiona alguns problemas, como má homogeneização e baixa transparência, quando resfriado sem água gelada. Além disso, a grande diferença na viscosidade elongacional do PP, em relação à do PEBDL, provoca instabilidade no balão, variação de espessura nessa camada intermediária. A incompatibilidade ainda pode provocar delaminação entre as camadas. O novo PEAD promete acabar com todos esses problemas.
Segundo Bernardi, a viscosidade elongacional do produto é similar à do PEBDL e do PEBD utilizados nas estruturas coextrudadas, garantindo baixa variação de espessura no filme do meio e excelente adesividade entre as camadas. Além disso, a compatibilidade entre os polietilenos permite produzir filmes com alta transparência.
O teor de polipropileno na mistura com polietileno para compor a camada intermediária da estrutura coextrudada é, em geral, 50% – acima disso, a incompatibilidade com o PE torna crítica a delaminação. Já o novo PEAD pode ser usado em proporções maiores na composição da camada intermediária com outro polietileno, a fim de elevar o desempenho em rigidez e barreira à gordura, sem comprometer as propriedades mecânicas do filme.
O potencial de vendas para o primeiro ano de vida da nova resina deverá girar em 500 toneladas por mês. No longo prazo, porém, a empresa prevê bom potencial de crescimento do mercado com o avanço do sistema de coextrusão, cada vez mais exigido pelo mercado de embalagens, tornando obrigatório ao transformador oferecer melhora geral na qualidade dos
filmes.
M.A.S./F.C
|
|