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Reação à crise - Na opinião de Moraes, a indústria de máquinas avançou muito nos últimos tempos. No entanto, o transformador não teve condições de adquiri-los. Segundo ele, nem mesmo as novidades apresentadas na Brasilplast foram capazes de aquecer as vendas. Durante o evento, a empresa exibiu sua tradicional série BA e ainda lançou novo modelo para a série BM, mas o setor reagiu com apatia, segundo Moraes.
A linha BM se caracteriza pelo alto nível de automação e elevada capacidade de produção de frascos plásticos ou peças técnicas. São modelos concebidos de forma a permitir produções totalmente acabadas na própria máquina. A novidade da série consiste no modelo BM 602 D. De dupla estação, a sopradora possui sistema de fechamento de 12 t e apresenta como diferencial as máscaras de estampagem montadas no braço do handover, este indexado ao molde, conferindo mais rapidez na troca do molde. Também mostrada na Brasilplast, a BA-25 opera com estação simples, acumulador de cabeçote, sistemas de retirada e estampagem integrados, sopro por baixo e fechamento hidráulico de 20 t. A série BA foi idealizada para soprar embalagens a partir de dez litros e peças técnicas.
Enquanto o poder de compra do transformador não se intensifica, a Bekum aposta em modelos intermediários às linhas BM e BA. De acordo com Moraes, a companhia segue os padrões da matriz alemã e por isso, não permite o rebaixamento da qualidade dos equipamentos. No entanto, resolveu lançar no próximo ano máquina mais acessível à indústria brasileira. Moraes não adianta pormenores do projeto, destinado a conquistar o médio e o pequeno industrial.
“O fabricante de máquina tem condição de oferecer incrementos, mas a indústria de transformação está com dificuldade para agregar valor em seus produtos”, comenta. Neste ano, o destaque da marca ficou por conta de uma linha mais tradicional da empresa, a H. Fundada em 1958, em Berlim, a Bekum comercializa no Brasil a média de 30 a 40 máquinas por ano.
Cuca Jorge

Produtividade é o forte da Maximus 20ss
Criada há 15 anos, a J.A.C. anunciou para janeiro de 2004 o lançamento de nova versão da Maximus 20ss, apresentada na Brasilplast. Trata-se de modelo de mesa dupla e com força de fechamento de 20 t, cujo mote reside na alta produtividade e na flexibilidade. Capaz de produzir peças de 2 litros a 20 litros, o modelo se destaca por possuir mecanismo de rebarbação automática, saída orientada e microprocessador CLP incorporado a programador de parison de 128 pontos. Segundo o fabricante, este último item torna a máquina apta a atender às exigências atuais da indústria de embalagem, por produtos soprados com designs diferenciados. “O modelo foca um nicho pequeno e específico”, afirma Cava. Essa máquina opera por extrusão contínua ou acumulação e produz cerca de 200 peças por hora.
O lançamento vai ao encontro de uma tendência observada por Cava: a maior procura por modelos mais automatizados. Do total comercializado pela empresa, neste ano, 60% correspondeu às linhas Compacta e Maximus, voltadas para médias e grandes empresas, contra 40% da linha tradicional, a Maxtec. “A
comercialização da Maxtec sempre foi maior do que a Compacta. Neste ano se igualou”, compara. Cava interpreta esse comportamento como uma preferência do cliente por máquinas mais produtivas e automatizadas. A linha Maxtec se caracteriza pela simplificação, com capacidade para soprar frascos de 10 ml a 5 litros. Na opinião de Cava, a atual exigência do transformador está relacionada à otimização de processos.
A Pavan Zanetti também anunciou novidades para o próximo ano, quando a empresa pretende acrescentar novo modelo na série HDL e outro na Bimatic. No primeiro caso, a máquina será de extrusão por acumulação, com rebarbação automática. O projeto está em desenvolvimento há um ano e deve chegar ao mercado no primeiro trimestre de 2004. Já a ampliação da linha Bimatic ainda não tem prazo definido, mas será equipamento de sopro contínuo com até dez cavidades, ou seja, de alta produtividade.
Mais sopro no PET - Outra boa nova da Pavan Zanetti fica por conta da entrada da empresa no mercado de sopradoras para polietileno tereftalato (PET). Na tentativa de acompanhar a evolução do mercado de embalagens, a empresa pretende investir em máquina para o segmento de PET, talvez, ainda no próximo ano. De acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens PET (Abipet), a demanda por embalagens PET em 2002 foi de 300 mil toneladas, contra 270 mil toneladas em 2001 e 255 mil toneladas em 2000.
“Estamos em estudo, pois a concorrência é grande entre as empresas, mas não há dúvidas quanto ao crescimento da resina”, diz Zanetti. Para ele, mesmo que a demanda por sopradoras para PET não aumente daqui para frente, valerá a pena entrar no negócio. “Se o consumo do PET se mantiver nesse patamar, já nos é interessante. Só estamos esperando conhecer melhor esse mercado, por causa do grande número de fabricantes de máquinas”, reforça.
Enquanto a Pavan Zanetti aposta suas fichas no PET, a Bekum mostra-se bastante reticente. Para Moraes, a resina está, de forma gradual, perdendo mercado para o polipropileno (PP) clarificado. Na opinião dele, o PP se consolidou sobretudo no setor alimentício, gerando queda na demanda de PET. Por isso, os modelos da Bekum para processar PET, RBS-440 e RBS-880, tiveram pouca expressividade nos negócios da empresa neste ano. Apesar dos benefícios das máquinas, como o sistema linear, responsável pela operação em moldes de 4 ou 8 cavidades e de reduzidos tempos de set up, os modelos tiveram baixa repercussão. “O avanço do PP clarificado já é uma realidade”, comenta Moraes.
O gerente geral da Milacron do Brasil Hugo Korkes concorda que a oferta de PET seja maior do que a demanda, no entanto, percebe o avanço em novos mercados, como o de peças de boca larga. Ele citou o crescente número de potes de maioneses em PET. Confiante nesse segmento, a Milacron exibiu na Brasilplast lançamento mundial da série Versapet, para soprar préformas de 20 litros de PET. O modelo produz até 300 unidades por hora, com volume máximo de 25 litros.
Novo cenário – Resultado da apatia do mercado, a Tecnoinjet, herdeira das sopradoras fabricadas pela então Semeraro/Uniloy, encerrou em junho suas atividades. Ainda no primeiro semestre, a Milacron decidiu enxugar o departamento de vendas de máquinas para sopro e focar mais seus negócios mercado de injetoras. “Estamos cada vez mais fortes na área de injeção”, diz Korkes.
No sopro, manteve a série IBS, voltada ao segmento de injeção/sopro (injection blow moulding). Indicado para a indústria de embalagens de produtos cosméticos, farmacêuticos e de higiene pessoal, o modelo produz frascos de 2 ml a 200 ml e conta, entre outras características, com acabamento de gargalo preciso e sistema hidráulico localizado sob a mesa, garantia de frascos e moldes livres de contaminação por óleo. “São máquinas bastante customizadas, voltadas para clientes especiais”, afirma. Para Korkes, o mercado de sopro está saturado de máquinas convencionais, daí a necessidade de investir em um nicho específico.
“A IBS não tem concorrente. Quem tem de comprar uma máquina injection blow, tem de comprar a Uniloy”, assegura. Seu objetivo é o de oferecer máquina ajustada às necessidades dos clientes, diz: “Não se trata de commodity, que o transformador pode comprar em qualquer lugar”, observa.
Mesmo com a reestruturação no departamento de vendas, unindo injeção e sopro sob o mesmo comando, ainda há equipe especializada para cuidar da assistência técnica das sopradoras. “Sentimos que não precisávamos ter um profissional exclusivo para as sopradoras. São poucos os clientes brasileiros com capacidade de investir na linha Uniloy”, afirma. A Milacron Brasil atua com 80% na injeção e 20% no sopro.
A baixa procura por máquinas novas também está ligada a um fenômeno percebido nos últimos cinco anos. O avanço tecnológico duplicou a produtividade nas sopradoras, permitindo aos transformadores manterem mesmo nível de produção com menos máquinas. Assim, os fabricantes viram cair o volume de suas vendas e houve uma seleção do mercado, a partir da qual muitas empresas quebraram. Na concepção de Zanetti, só sobreviveram aquelas capazes de apresentar constantes desenvolvimentos tecnológicos e serviço ao cliente. “Você tem de vender algo mais do que uma simples máquina”, ressalta.
Para ele, o desafio está na capacidade do fabricante de elaborar um projeto vencedor. “A tecnologia do sopro está acessível a todos, pois não há muita diferenciação entre os fornecedores. O que difere é seu emprego”, diz.
Por conta dessa necessidade, a Pavan Zanetti apresentou ao mercado os modelos da série Bimatic BMT 3.6D, com duas estações de sopro, e BMT 6.0S, com uma estação de sopro (capacidade até 6 litros). Lançada em 2001, a linha reforça o conceito de projetos vencedores, ou seja, de máquinas capazes de sustentar as vendas, mesmo em época de crise. Para ele, o modelo agrega os requisitos necessários para ser considerado o carro-chefe da marca.
O BMT 3.6 D ainda agrega saídas laterais dos produtos soprados, com opção de rebarbação automática, entre outras características. “A produção de frascos de um litro convencional chega a duas mil garrafas, por hora”, comenta. Destinada à confecção de frascos de 10 ml a 3.600 ml, a máquina permite a instalação de diversos opcionais, como manipuladores automáticos para auxílio nas saídas laterais para produções em cabeçotes de múltiplas saídas; extrusoras auxiliares e cabeçotes para coextrusão em até três camadas; ou ainda miniextrusoras auxiliares e cabeçotes para fabricação de linhas visoras de nível nos frascos, produzidos em até três cavidades de moldes.
A série HDL também é destaque da marca. Já tradicionais no mercado nacional, os modelos contam com sistema de sopro por baixo, sopro por calibração hidráulica duplo estágio, ou sopro lateral com cabeça perdida. Permitem a incorporação opcional de manipulador para a retirada das peças sopradas, sem interferência manual.
Contradição – “O sopro está em ascensão”, comenta Zanetti. Apesar de incoerente com os números apresentados neste ano, a afirmação é verdadeira, se considerado mais o aspecto conceitual do que o
mercadológico. Ou seja, apesar da retração da indústria, de forma geral, é perceptível o avanço do sopro em novos segmentos. Para os especialistas do setor, as sopradoras estão atingindo, de forma gradual, outros tipos de clientes além da indústria de embalagem, tradicional consumidora dos transformadores do ramo. Empresas de setores como construção civil, automobilístico, linha branca e peças técnicas estão, cada vez mais, inclinados a utilizar o sopro. Na opinião de Cava, um dos principais incrementos se deu na venda de máquinas para fabricação de materiais para construção civil, como assento sanitário e bóias. “Esse segmento tende a crescer no sopro, pois a peça se torna mais competitiva, por conta do custo reduzido e da alta produção”, explica. Outro fenômeno constatado neste ano diz respeito ao aumento da utilização das sopradoras, por novos segmentos do próprio mercado de embalagens. De acordo com Cava, o segmento de bebidas continua significativo, porém o setor teve boas surpresas, como o avanço de produtos soprados de higiene e limpeza, cosmético e farmacêutico. “Nesse ano, para se ter uma idéia, 35% das máquinas vendidas atenderam o mercado de higiene e limpeza”, afirma.
R. P.
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