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SOPRADORAS
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PRODUTOR GANHA FÔLEGO NAS VENDAS AO EXTERIOR
Descontados os efeitos sazonais, a produção de máquinas e equipamentos aumentou 8% em setembro sobre agosto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, esse incremento não foi suficiente para os fabricantes de sopradoras apresentarem um balanço positivo de 2003.
Na avaliação da maioria deles, nem mesmo a realização da Brasilplast, em março deste ano, a principal vitrine do setor, conseguiu reverter a retração. Com a demanda doméstica em baixa, além de serem obrigadas a escoar a produção para o mercado externo, as fábricas tiveram de repensar o perfil das máquinas oferecidas à indústria nacional de transformação.
A Pavan Zanetti, de Americana-SP, uma das mais tradicionais do ramo, prevê fechar o ano com redução nas vendas da ordem de 10%, em relação a 2002, contrariando assim a expectativa inicial de crescimento de 5%. |
“A estimativa era de que faríamos bons negócios, mas a previsão não se concretizou”, lamenta o diretor Newton Zanetti. A empresa, no entanto, não espera redução de faturamento. “Ainda não fechamos os números, mas não deve haver muita variação frente ao ano passado, pois repomos a inflação nos preços”, explica Zanetti. De acordo com projeção do gerente comercial da J.A.C., de Americana-SP, Cristiano Cava, o mercado de sopradoras registrou queda do consumo de cerca de 15%, se comparado ao ano passado, quando foram comercializadas 200 máquinas.
Na opinião de Fernando Moraes, gerente nacional de vendas da Bekum do Brasil, de São Paulo-SP, e vice-presidente da Câmara
Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP), por se tratar de um setor de bens de capital é natural que o fabricante demore para sentir os reflexos do aquecimento da economia. Outro fator a ser considerado é o período, pois o final do ano não tem a tradição de gerar vendas significativas para o fabricante de máquinas. Até por esse motivo, Moraes vislumbra um cenário favorável para a reativação do setor só a partir de meados de 2004.
Fôlego vem de fora - Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revelam que o volume de exportações do setor registrou crescimento de 30,3% de janeiro a agosto de 2003, chegando a US$ 3,05 bilhões. Nos últimos 12 meses, acumulou US$ 4,41 bilhões – o nível mais alto em toda a história desse mercado. “O fabricante não ficou parado esperando que a economia melhorasse e foi atrás da exportação”, resume Zanetti, dando voz aos outros industriais do sopro.
A fórmula para garantir a sobrevivência, em tempos de crise doméstica, todos concordam que é intensificar as vendas no mercado internacional. Por conta dessa necessidade, a Pavan Zanetti aumentou a representação local fora do País e, até o momento, destinou para o exterior 25% da produção, bem além dos 17% previstos no início do ano. Em 2002, a empresa adotou a mesma estratégia para enfrentar a demanda igualmente retraída da época. Também impulsionada pela letargia das vendas internas, a J.A.C. fortaleceu a representação em outros países. “Nesse ano, entramos com o pé direito no exterior”, afirma Cava. Das 36 máquinas produzidas neste ano, 15% atenderam o mercado internacional.
Os produtos brasileiros têm caminho certo. “Em 2001 voltamos a atuar em mercados que estavam fechados, como o México. Hoje, também estamos confiantes em países, como Colômbia, Peru e Argentina, agora voltando à cena”, diz Zanetti. O principal alvo dos fabricantes nacionais são os países com necessidades similares às do Brasil. Para Zanetti, a distância entre o comprador e o fabricante de máquinas deve ser a menor possível, pois além do equipamento, o transformador prioriza o serviço associado. “O cliente precisa saber tirar todo o potencial da máquina, para conseguir otimizar o processo e ser competitivo”, explica. Na opinião de Zanetti, o fabricante só efetua a venda se agregar a esta, a rápida reposição de peças e assistência técnica adequada.
Problemas internos - A dificuldade do mercado doméstico de absorver a atual oferta de máquinas vai além dos problemas conjunturais do País, na avaliação de Moraes. Para ele, o baixo poder aquisitivo do brasileiro emperra os investimentos por parte da indústria, mas há outro nó obstruindo as negociações, as severas imposições das financiadoras. Apesar deste problema ser um velho conhecido do fabricante de máquinas, Moraes não vê um avanço neste sentido e aponta os pequenos e médios transformadores como os principais prejudicados por essa burocracia. Diante desse quadro estanque, a Bekum propõe como alternativa para atingir esse público a oferta de sopradoras dotadas de menor exigência tecnológica.
Cuca Jorge

Linha BMT sustenta as vendas na empresa
Os fabricantes se esforçam para motivar a já amplamente anunciada renovação do parque industrial brasileiro, ainda equipado com grande número de máquinas obsoletas, na opinião unânime dos especialistas do setor. “Acho que 60% a 70% delas precisam ser modernizadas”, observa Cava. Além dos equipamentos com mais de vinte anos, até mesmo os considerados novos – adquiridos na boa fase do setor vivido no início dos anos 90 –, já estão ultrapassados, frente às inovações tecnológicas oferecidas pelo fabricante nos dias atuais. Todos apontam como inadmissível o fato de alguns transformadores ainda desperdiçarem energia elétrica, mão-de-obra e resina por conta da utilização de máquinas antigas. “A renovação do parque industrial é uma questão de economia, acima de tudo”, comenta Cava.
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