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A forte retração na construção civil aprofundou a queda no consumo da resina,
alivada no mercado externo. Já o setor de compostos lutou para manter-se em pé
Maria Aparecida de Sino Reto
Às vésperas de contabilizar os resultados do ano, o policloreto de vinila assume a última posição no comboio das commodities, com queda de 17,2% no consumo aparente, avaliado entre janeiro e outubro, em comparação a idêntico período passado. O comprometimento desse petroquímico com a indústria da construção civil – mais de 60% da produção – que também registrou tombo de 7,7% em igual período, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dificultou a busca de alternativas para salvar os negócios dentro do País.
| Cuca Jorge |
“O mercado está muito ligado ao comportamento da construção civil, que retraiu muito, então a estratégia foi exportar, principalmente para a América do Sul, Ásia e Europa”, informa Luciano Nitrini Guidolin, diretor de marketing e desenvolvimento da unidade vinílicos da Braskem, maior produtor da resina, com capacidade instalada para 479 mil toneladas anuais. |
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| Guidolin prevê ciclo de alta nos preços do
PVC até 2005 |
As vendas da empresa para o mercado externo neste ano superaram em cerca de 10% as do ano passado, diz Guidolin. Além de buscar o mercado internacional, a Braskem ainda tomou medidas para adequar a produção à demanda, aproveitando a baixa no primeiro semestre para realizar paradas necessárias à manutenção.
O último trimestre do ano sinaliza a retomada das vendas e anima o diretor a prever melhor desempenho para o 2004. “O governo deve liberar mais investimentos para infra-estrutura, e a redução nas taxas de juros deve mover o mercado com maior velocidade”, acredita. Outro motivo de alento é a recuperação nos preços do PVC, cuja tonelada chegou a descer ao patamar de 520 dólares (preço spot Ásia).
Preço sobe – O aumento de custos provocado pela escassez em âmbito mundial na oferta dos intermediários EDC (dicloroetano) e MVC (monocloreto de vinila) tende a pressionar os preços do PVC para cima. “Por isso, mesmo em períodos de baixa demanda, como final e início de ano, os preços não devem cair”, alerta. A tonelada do PVC no País está hoje em torno de 900 a 950 dólares, segundo os cálculos do diretor da Braskem. “Como teve crescimento forte nos últimos dois meses, a tendência é de estabilização até o final do ano”, diz.
Resultado da falta de investimentos maiores na cadeia soda/cloro, o mercado mundial enfrenta hoje sério problema de fornecimento do monômero MVC. Ademais, vários produtores mundiais do insumo tiveram dificuldades de ordem técnica, obrigando paradas extras, além das já necessárias interrupções anuais para manutenção. Os investimentos em novas fábricas já começaram, o resultado, porém, é de longo prazo. “O PVC está entrando em ciclo de alta e deve ter seu pico em 2005”, prevê Guidolin.
Também a Braskem programa investir em aumento de sua capacidade de produção de PVC suspensão, hoje da ordem de 450 mil toneladas anuais. A intenção é elevá-la para 600 mil toneladas nos próximos quatro anos. “Isso reflete a visão de que o déficit em infra-estrutura deve ser reduzido nos próximos anos”, justifica o diretor.
Um dos principais focos atuais da Braskem é o de esquadrias, mercado que promete deslanchar nos próximos anos. O produto ganhou mais competitividade e já atingiu várias faixas de demanda, como hotéis e edifícios comerciais. A meta da Braskem é conquistar 10% do mercado, em cinco anos, e 15% em dez anos. Pelos registros da empresa, o PVC hoje detém apenas 0,5% das esquadrias brasileiras, enquanto nos Estados Unidos o índice chega a 46% e em alguns países europeus, a 40%.
Para atingir sua meta, a empresa firmou parceria com a Tigre e a Medabil, líderes nacionais no segmento. Outra iniciativa tem como alvo engenheiros e arquitetos. “É uma ação de desenvolvimento que procura mostrar as potencialidades e especificações do PVC na construção civil para o público especificador”, diz Guidolin. A operação se completa com a criação do portal www.projetandocompvc.com.br com informações sobre as amplas possibilidades de uso e os benefícios do PVC na construção civil.
E não é só nos tubos, pisos, janelas, portas e forros que o PVC entra numa casa. A empresa gaúcha Medabil investiu US$ 15 milhões para trazer para o País, em associação com a belga Tessenderlo Chemie, a casa pré-fabricada de PVC. Imune a cupins, mofos, fungos, corrosão e fácil de limpar, o novo tipo de habitação promete disseminar no mercado também outros atrativos, como isolamento termo-acústico, resistência à chama, durabilidade de até 30 anos, com garantia de fábrica para os perfis, agilidade na construção e baixo custo.
A casa de PVC da Medabil estreou em Canoas-RS, num condomínio construído com 131 dessas moradias, montadas com perfis modulares de PVC preenchidos com concreto leve, e vigas de aço para suportar a estrutura. A construção demora, em média, uma semana e o valor médio do metro quadrado fica em torno de R$ 350,00, contra R$ 400,00 na construção padrão.
| Cuca Jorge |
Construção civil à parte, o PVC mostra fôlego para crescer nos segmentos de irrigação e agronegócios, que compensaram parte nos negócios neste ano, e também na indústria calçadista. Os solados de PVC têm ocupado espaço da borracha e do couro e se firmado nesse segmento já há algum tempo, conforme revelam as estatísticas.
Compostos – Estimado em cerca de 300 mil toneladas ano, o mercado das formulações de PVC elaboradas por empresas dedicadas à produção dessas receitas também sentiu na pele a retração no consumo. Nas estimativas de Sérgio Adriano Novais, diretor industrial da Cycian, a demanda por compostos neste ano não deve ultrapassar as 240 mil t. “A estratégia foi de sobrevivência”, na opinião de João Matulja, gerente de negócios da Ramon. |
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| Matulja: compostos sofrem com retração e
margens achatadas |
Para ele, o negócio de compostos atravessa momento bem delicado, com excedente na capacidade instalada de produção brasileira e, na contramão, forte retração na demanda. Por conta disso, o mercado ficou bastante vulnerável e convive hoje com margens achatadas.
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Há 45 anos no mercado, a Ramon concentra suas atividades nas áreas do PVC flexível, com destaque para os segmentos de calçados, fios e cabos, mangueiras, peças técnicas e embalagens. Nas contas de Matulja, compostos para o mercado de flexíveis correspondem a 90% da produção da empresa, capacitada a formular até 36.000 toneladas anuais na sua fábrica em São Paulo. |
Cuca Jorge |
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| PVC busca potencial nos calçados |
Já para a Cycian, o problema básico do setor foram os vários aumentos nos preços das matérias-primas. “A queda de volume não foi tão acentuada nos segmentos de nossa atuação, mas os preços foram corrigidos várias vezes ao longo do ano, sem que conseguíssemos repassar”, desabafa Novais. A empresa produz compostos para a indústria automobilística, de filmes, calçados e peças técnicas.
| Cuca Jorge |
De acordo com o diretor, a Cycian se dedica às especialidades, um mercado de volumes menores, porém, de maior valor agregado. “São produtos melhor elaborados tecnicamente, com características que as commodities não têm”, diz.
Em suas contas, o banco de dados já soma cerca de duas mil formulações. Segundo ele, a empresa foi pioneira no lançamento do composto de PVC micro-expandido, de características muito próximas às do EVA, ou da borracha termoplástica, tais como leveza, maciez e baixa abrasão. Em alguns nichos de mercado, este material ainda consegue competir com o poliuretano. |
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| Novais: PVC micro-expandido propicia maior
competitividade |
“O maior apelo do micro-expandido é a competitividade em relação aos outros materiais. Lançado em 2001, o produto começou a deslanchar mesmo neste ano”, informa.
A demora se justifica no fato de o produto exigir modificações no molde e no processo de injeção. “O ideal são injetoras do tipo carrossel, giratórias”, explica. Além da indústria de calçados, outros segmentos já testam o produto, em aplicações como manoplas e selins de bicicleta.
Entre os desenvolvimentos recentes, Novais menciona blendas de PVC com poliuretano e com EVA, visando a obtenção de características específicas. O PU atua como redutor da abrasividade e o EVA confere melhor toque e aderência ao PVC. Outra novidade fica por conta do composto de PVC, com pó de madeira adicionada como carga. A questão principal é o aspecto visual, mas também alivia o peso da peça. O produto tem por foco o mercado de perfis e esquadrias.
Há 32 anos no mercado e com capacidade instalada da ordem de 18 mil toneladas anuais, distribuídas em duas unidades equivalentes em tamanho (Novo Hamburgo-RS e São Paulo), a Cycian atua com maior força nos segmentos médico-hospitalar, de calçados, peças técnicas e construção civil, à exceção de tubos e conexões. |
Cuca Jorge |
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| Telles: oscilação nas vendas aponta para
bolha de consumo |
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