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MÁQUINAS GANHAM ALIADO
PARA EMBATE COMERCIAL

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex) firmaram três novos projetos setoriais integrados bienais, desenvolvidos para estimular as exportações de máquinas dos setores de plástico, agrícola e metal-mecânico. 

As empresas beneficiadas vão dispor de cerca de R$ 15 milhões. Serão R$ 6,1 milhões para o setor plástico, com aporte de R$ 2,4 milhões da Apex; o setor metal-mecânico receberá R$ 3,2 milhões, sendo R$ 1,3 milhão dos cofres da agência; e produtores de máquinas agrícolas receberão R$ 5,8 milhões, com contribuição de R$ 1,9 milhão da Apex. A verba destinada pela agência será complementada pela Abimaq e pelas empresas participantes dos projetos. 

O cronograma de atividades prevê a realização de cursos de orientação e instrução de procedimentos de exportação para empresários, seminários de mercados em destaque com representantes de países alvo, missões comerciais vendedoras e compradoras, prospecções de mercados e participação em feiras internacionais de negócios. Caso se confirmem as projeções da Abimaq e da Apex, as exportações anuais das integrantes dos projetos, até 2006, serão de US$ 66,2 milhões no setor plástico, US$ 259 milhões no agrícola, e US$ 316 milhões no metal-mecânico. 

Os alvos para essas vendas já foram definidos: Comunidade Andina, México e África do Sul são mercados pretendidos pelos produtores dos três setores beneficiados. A lista é complementada por Argentina, China, Ucrânia e Arábia Saudita (máquinas agrícolas); Rússia e Arábia Saudita (máquinas da indústria de plástico); e Argentina Canadá e China (setor metal-mecânico). 

“Para crescermos, o primeiro caminho indispensável é o aumento das exportações, tanto para gerarmos novas oportunidades de emprego e renda quanto para criarmos uma blindagem internacional para nossa economia. Se gerarmos os recursos necessários estaremos menos sujeitos às crises chamadas internacionais”, disse o presidente da Abimaq Luiz Carlos Delben Leite. Ele criticou a inaptidão de governos brasileiros, desde a década de 80, para compreenderem as causas da fragilidade nacional perante as crises do capitalismo internacional. “Os empresários devem ter em vista que nosso mercado não pode se limitar às fronteiras do Brasil. As nossas fronteiras são as fronteiras do mundo”, afirmou. 

Para o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico Luiz Antonio D. Simões, é necessário quebrar o paradigma que rotula o Brasil como país sem tradição na exportação de máquinas. “Eu tenho certeza que nas indústrias do setor plástico no Brasil é muito difícil alguém receber um pedido de representação na Ásia, na África, em algum país mais distante, ou mesmo na Europa”, avaliou.

Desde o risco dos apagões no fornecimento de energia elétrica, em meados de junho e julho de 2001, as indústrias produtoras de máquinas têm passado por sérias dificuldades, por produzirem bens de capital de longa duração – o setor ressente-se de condições econômicas estáveis propícias às decisões de investimento. Além disso, no caso específico da indústria de máquinas para processamento de resinas plásticas, “a subida maluca do dólar, em 2002”, com reflexo na matéria-prima básica do setor, o petróleo, culminou com câmbio entre R$ 3,40 a R$ 3,42, durante realização da Brasilplast, em 2003. 

A conseqüência foi o aumento dos preços das resinas, pressionando os custos dos clientes dos produtores de máquinas. “De junho do ano passado a março deste ano a matéria-prima subiu 130%”, disse Simões. Com aumentos mensais da ordem de 10% a 15%, as empresas da terceira geração petroquímica sofreram com as dificuldades de repasses de aumentos e a baixa disponibilidade de capital de giro. Para piorar, a partir de março, a queda do dólar, combinada ao acirramento da competição com resinas importadas, derrubou as cotações das matérias-primas no mercado nacional. O resultado foi péssimo: transformadores se viram com altos estoques de resinas compradas na alta, com o dólar a R$ 3,40, em um período em que a cotação da moeda americana oscilava próximo a R$ 2,90. “Isso criou uma bagunça no estabelecimento de preços de embalagens no mercado nacional”, ponderou Simões. “A sobrevivência das indústrias de máquinas nos tempos atuais é mérito da exportação. É uma vocação que tem que ser incrementada. O apoio da Apex permitirá estarmos cada vez mais presentes em feiras internacionais, levando máquinas de maior porte e mostrando a tecnologia nacional fora do País”, afirmou. 

Xadrez Comercial – As atividades estratégicas de promoção comercial da Apex tem apoio de um grupo de cerca de 40 profissionais, criado em janeiro último em parceria com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Eles monitoram 152 países, cujas transações encerram cerca de 96% do volume de comércio internacional. O trabalho do grupo subsidiou a prospecção de alguns mercados alvos, como Rússia, África do Sul e todos os países árabes. Além de entender quem faz a concorrência, quais são os clientes potenciais, o volume de vendas, o preço médio, a logística, e as barreiras tarifárias e não-tarifárias, a Apex quer saber quais são as vantagens comparativas setoriais, para inserir novas empresas e produtos no mercado internacional e também consolidar o mercado de pós-vendas.  Cuca Jorge
Quirós (esq.) e Leite: acompanhamento será mais estreito

“Não há como entrar em comércio exterior sem banco de dados de inteligência comercial. Isso é uma guerra”, disse Juan Manuel Quirós, presidente da Apex. Segundo ele, o apoio da Apex à participação de 1.882 empresários em 13 missões comerciais – sete delas lideradas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan – e 86 feiras internacionais, propiciou vendas de US$ 80 milhões, e outros US$ 553 milhões estão em negociação, conforme relataram as empresas. Essas atividades geraram 24.863 empregos diretos nos seis primeiros meses de 2003. Para o biênio 2003/2004, os projetos setoriais integrados firmados prevêem 12 feiras internacionais, 15 missões empresariais atreladas a rodadas de negócios e nove prospecções de mercado. 

As empresas integrantes dos projetos deverão apresentar relatório trimestral de ações, em encontro com representantes da Apex. A primeira parcela dos recursos é liberada na assinatura do convênio, mas a liberação das subseqüentes é vinculada à apresentação dos resultados. Fugas dos programas de execução das atividades são toleradas na primeira ocorrência, mas se em 30 dias não houver o ajuste, o projeto pode ser cancelado. A fiscalização prevê inclusive a checagem das notas fiscais de vendas.

Delben Leite enalteceu o cuidado na escolha das empresas apoiadas pela Apex. “Qualquer falha cometida por empresas despreparadas para competirem no mercado internacional eficientemente se reflete sobre as demais empresas”, disse. “A Apex introduziu instrumentos novos e um acompanhamento muito mais rigoroso, que permite o estreito da evolução dos projetos. Isso permite corrigir erros estratégicos”, completou. 

O setor de máquinas e equipamentos está praticamente consolidado como o segundo setor industrial exportador do Brasil. As vendas ao exterior neste ano devem atingir US$ 4,2 bilhões, crescimento de cerca de 20% em relação a 2002. Face ao volume internacional de comércio de máquinas, ao redor de US$ 1 trilhão, a participação brasileira ainda é irrisória, pouco mais que um arranhão. Das 4.500 empresas nacionais que compõem o setor, pouco mais de 1.900 são tradicionais exportadoras. 

Márcio azevedo

 

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