MÁQUINAS

VENDA LOCAL RECUA MAS EXPORTAÇÃO SALVA O ANO 


Simone Ferro e Renata Pachione

O mercado nacional de máquinas para plástico viveu, em 2003, um dos piores momentos de sua história, contrariando as expectativas iniciais. A crise não se concentrou em um segmento específico. Atingiu fabricantes de injetoras, extrusoras e sopradoras, entre outros, sem distinção.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) Luiz Carlos Delben Leite o período ficará marcado como um dos mais difíceis para a indústria de modo geral. “O faturamento global do setor de bens de capital mecânico deverá apresentar redução entre 10% e 12% em relação ao valor de 2002”, prevê.

Porém, 2003 também será lembrado por conquistas importantes, como o crescimento de mais de 30% nas exportações, devendo ultrapassar os US$ 4,8 bilhões. Marcou ainda inúmeras lutas em prol da desoneração fiscal dos investimentos produtivos, da ampliação das exportações e da redução dos juros, para citar algumas. A expectativa é conseguir colher os frutos em 2004.

Embora as vendas tenham melhorado no último trimestre, ainda é cedo para afirmar que se trata de efetiva recuperação ou de outra bolha de consumo. A matéria a seguir traz um balanço geral do desempenho dos fabricantes de injetoras, sopradoras e extrusoras. Relembra as principais novidades apresentadas durante o ano e traça as perspectivas para 2004. 

          INJETORAS          

APOSTA EM TECNOLOGIA AJUDA A FUGIR DA CRISE 

O ano ficou aquém de todas as expectativas. O aquecimento das vendas, registrado no primeiro trimestre não se sustentou, marcando período de grande instabilidade no mercado de injetoras para termoplásticos. Nem mesmo a Brasilplast, de 10 a 14 de março, em São Paulo, conseguiu elevar o volume de negócios aos níveis esperados. Sinais de recuperação surgiram a partir do final de setembro. Sem assegurar a retomada, o modesto sopro de reação serviu para amornar as gélidas vendas e alimentar as expectativas de salvar o último trimestre, além de projetar dias melhores para 2004.

As indústrias do setor não apenas torcem, mas trabalham para isso. Muitas investiram na ampliação e modernização da infra-estrutura de suas unidades brasileiras, reduzindo custos e incrementando a linha de máquinas. Reforçaram a participação no Exterior e, com muita criatividade, buscaram novos mercados de atuação. O resultado foi positivo em alguns casos. Porém, está feliz quem igualou o faturamento ao do ano passado. Sem estatísticas oficiais, representantes do setor estimam a demanda nacional bem abaixo das mil unidades, incluindo as importações, mais retraídas ainda.

A Sandretto, com sede em Arujá-SP, deve chegar ao final do ano com o faturamento 10% inferior ao de 2002. Na avaliação do diretor geral Guido Pelizzari, o setor de plástico foi duramente castigado pelos aumentos da matéria-prima e pela recessão da economia nacional. “Vivemos um dos piores momentos dos últimos vinte anos”, diz. Estima ainda que a demanda nacional de injetoras não ultrapasse as 600 unidades, contra 800 do ano passado.

Por acreditar na retomada, a Sandretto investiu US$ 1 milhão na ampliação da fábrica, de 3.500 m² para 7 mil m² de área construída e capacidade para montar entre 300 e 400 máquinas por ano. Em fevereiro de 2004, ainda inaugura filial na Cidade do México, no México, em parceria com a matriz italiana. Com isso, as exportações, hoje em torno de 5% do faturamento, devem alcançar entre 20% e 25% já no próximo ano. Também aposta na retomada das vendas para a Argentina, entre outros países da América Latina.

A filial mexicana será abastecida com injetoras brasileiras e italianas e contará com depósito de peças de reposição, show room, assistência técnica e departamento de vendas. “Trata-se de um mercado promissor que, embora muito concorrido, representa grande oportunidade para os equipamentos brasileiros e, em especial, para a Sandretto, bastante conhecida naquele país”, afirma. De acordo com Pelizzari, pelo menos 500 injetoras da marca operam no México, contra mais de 2.700 do Brasil.

Divulgação

Linha incorpora de 70 até 200 t de fechamento

Outro ponto favorável, capaz de incrementar as exportações, refere-se ao lançamento da linha Logica, em novembro. Com modelos desde 70 até 220 toneladas de força de fechamento, a nova série tem acionamento hidráulico, fechamento por joelhos e microprocessador Seflogica. Desenvolvida em parceria com a matriz na Itália, a máquina será fabricada no Brasil e exportada para todo o mundo. A unidade brasileira cuidará dos negócios com os países da América Latina, e a italiana intermediará as vendas para os outros continentes.

Dentre as principais características do equipamento, Pelizzari cita a versatilidade e o preço. “Trata-se de uma injetora com excelente custo/benefício, indicada para pequenos e médios transformadores que não abrem mão da qualidade e da automação de suas linhas de produção.” Alguns negócios já estão em andamento na Turquia, Rússia e China.

Exportações – A Himaco, de Novo Hamburgo-RS, trabalha desde 2000 para ampliar a participação no Exterior, avaliada em 2% do faturamento. Dentre as ações, destaca-se a presença em feiras internacionais. “Em 2004, serão cinco”, afirma o gerente comercial Cristian Heinen. A agenda inclui a Argenplás, na Argentina; Plastimagem, no México; e a K, na Alemanha. Já a partir do próximo ano, pretende começar a colher os frutos desses investimentos e ampliar as vendas para a América Latina.

Divulgação/Himaco
Heinen reforçou a presença nas feiras internacionais

Promete ainda três lançamentos que, segundo Heinen, serão apresentados em feiras nacionais. “Dois deles visam principalmente o setor calçadista”, afirma, sem revelar outros detalhes. A linha da Himaco inclui modelos hidráulicos desde 120 até 450 t de força de fechamento, além de injetora elétrica. Com faturamento estimado em 30 milhões de reais, manteve o volume de vendas nos patamares de 2002. “A demanda nacional, no entanto, foi inferior”, afirma.

Utilidades domésticas e brinquedos puxaram as vendas. “O setor de autopeças também começou a reagir, embora em menor escala”, diz. Segundo ele, a empresa detém 30% do mercado nacional. As previsões para 2004 são positivas, na avaliação de Heinen. “Estamos nos preparando para vender pelos menos 400 máquinas.” 

Cuca Jorge Já a Jasot, de Novo Hamburgo-RS focou as ações no mercado interno e ampliou as bases no País. Inaugurou neste ano mais dois escritórios regionais – em Manaus-AM e Belo Horizonte-MG–, que, assim como os do Rio Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, contam com departamento de vendas e de assistência técnica. A estratégia rendeu bons frutos, segundo o gerente comercial Cleber Scherer. “Até o ano passado, São Paulo representava 80% do faturamento da empresa. Com a ampliação de outros mercados, passou a 60%”, afirma.
Scherer optou por ampliar as bases no País

Também atribui os bons resultados ao reforço nas operações regionais. “Foi um período difícil que exigiu grande esforço para manter as vendas nos patamares de 2002.” Segundo Scherer, a Jasot exporta pouco e, com capacidade para fabricar 25 injetoras por mês, prevê atender apenas a demanda interna em 2004. “Projetamos a recuperação do mercado.”

Os primeiros sinais já foram sentidos. “O mês de janeiro já está vendido”, comemora. A linha de máquinas da empresa varia de 130 a 350 t de força de fechamento. Além de injetoras para termoplásticos, a Jasot faz equipamentos para processar elastômeros. Este ano, a empresa também investiu na produção com a aquisição de tornos CNC, entre outros itens.

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