EXTRUSORAS

MERCADO CONSOLIDA USO DA CO-EXTRUSÃO

As previsões se confirmaram e a demanda nacional de extrusoras encolheu quase 50% este ano, segundo avaliação do presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) Luiz Antonio Delosso Simões. A estimativa tem como base o mercado em 2000, um dos últimos anos de prosperidade. “O champanhe continua na geladeira. Talvez, em 2004, seja possível comemorar a retomada do mercado”, diz.

As exportações, principalmente para a América Latina, representaram a tábua de salvação, com alta de 30%. O ano marcou ainda a gradativa recuperação da Argentina, importante mercado para as máquinas brasileiras, e a consolidação dos negócios com o México, um dos mais promissores da região. 

Ao mesmo tempo em que representa boa alternativa para escoar a produção nos períodos de vacas magras, a exportação exige maior investimento e capital de giro das empresas. “É muito complicado exportar”, lamenta Delosso, também diretor comercial da Carnevalli, de Guarulhos-SP.

Muitas empresas sobreviveram da manutenção de máquinas e venda de peças de reposição. A retração nacional fez encolher também as importações. Na extrusão de filmes, estima-se que os equipamentos fabricados no País supram mais de 90% da demanda. Segundo Simões, a retração começou em 2001, com o fantasma do apagão, e culminou com as oscilações cambiais. No final de 2002, as vendas nacionais contabilizavam algo em torno de 130 extrusoras para filmes. A queda atinge os demais mercados, porém, não há estatísticas disponíveis.

Cuca Jorge
Simões: vendas só reaquecem em 2004

A Carnevalli manteve as vendas nacionais nos patamares de 2002. As exportações, no entanto, cresceram 30%. Este ano, lançou a linha Polaris, cujo principal apelo refere-se à economia de energia elétrica entre 10% e 15% e o perfeito controle da temperatura do processo, com ganhos em produtividade da ordem de 30%, segundo o fabricante. “Garante melhor desempenho com menor motorização”, afirma Simões. Os diâmetros de roscas vão de 50 mm a 120 mm, com capacidade para processar até 700 kg/hora.

Cuca Jorge O ano também não passou em branco para a alemã Windmoeller & Hoelscher. Fabricante de extrusoras e co-extrusoras para filmes e sistemas completos de ráfia (extrusão, tear, laminação e confecção), com unidade fabril em Diadema-SP, a empresa superou os objetivos traçados para 2003. Boa parte dos resultados se deve à forte atuação no mercado de máquinas especiais, segundo a avaliação do diretor geral Reinhard Bosse. “A nacionalização das linhas permitiu oferecer ao mercado nacional tecnologia de ponta e, conseqüentemente, substituir as importações”, diz.

A W&H já alcança 80% de índice de nacionalização na linha de extrusoras para filmes. Os modelos vão de 50 mm a 135 mm de diâmetro de rosca e as larguras produzidas, de 800 mm a 3,30 metros. Modulares, os equipamentos se adequam às necessidades técnicas da produção. 

Bosse: solução para substituir importado

No caso da co-extrusão de três camadas, a configuração mais comum dispõe de duas roscas de 60 mm e uma de 70 mm. Este ano a empresa nacionalizou quatro equipamentos de grande porte, entre impressoras, extrusoras de filmes e sistemas para ráfia.

Avanços – Na área tecnológica, os fabricantes destacam o avanço da co-extrusão. Dentre as principais tendências, o gerente de negócios da AWS Brasil, de Curitiba-PR, Aparício Mesquita Sapage, representante da italiana Macchi, cita estabilização do processo de co-extrusão de três camadas em todos os segmentos, a entrada das linhas de cinco e nove camadas e o avanço do processo no segmento de chapas para termoformados. A Macchi fabrica extrusoras de três a nove camadas com produções desde 150 kg/h até 600 kg/h (filme tubular) e de 250 kg/h a 1.200 kg/h (filme plano) e diâmetros de roscas desde 25 mm a 150mm. 

O diretor da By Engenharia e Comércio, de São Paulo, Marco Antonio Gianesi também ressalta o avanço da co-extrusão. “O desenvolvimento de novas resinas e a necessidade de acondicionamento específico de vários produtos, antes embalados em vidro e outros materiais, impulsionaram o mercado das embalagens flexíveis”, afirma. A co-extrusão tornou-se, assim, uma alternativa econômica para o uso de resinas barreiras em conjunto com materiais convencionais. Cuca Jorge
Gianesi: co-extrusão cresce na embalagem

Para o segmento de chapas, o raciocínio é correlato. “Pode-se empregar de 70% a 80% de reciclado na camada interna, e resina nobre, com propriedades especificas, no exterior, minimizando o custo do produto final.” Gianesi ressalta ainda que os desenvolvimentos de novos materiais impulsionam o aperfeiçoamento das máquinas. “Roscas extrusoras, filtros, blocos de distribuição e matrizes planas, entre outros itens têm de ser compatíveis às novas exigências dos materiais.”

A By Engenharia e Comércio, de São Paulo, assumiu a representação nacional da Crompton - Davis Standard. A companhia, um dos maiores fabricantes de extrusoras da América do Norte, atua nos segmentos de filmes blown e planos, tubos, perfis, chapas, fios e cabos, reciclagem, revestimento por extrusão, equipamentos para laboratório e extrusão de borracha, entre outros. “Nos últimos anos, adquiriu empresas de renome internacional como a Egan, Betol, Brookes, Er-We-Pa, FHB/Hartig, Killion Extruders, NRM Extrusion Ku-ka-ma e Sterling”, diz. Divulgação
Extrusora para revestimento David Standard

Dentre os equipamentos, Gianesi destaca as extrusoras convencionais, com diâmetros de rosca entre 50 mm e 150 mm, L/D entre 24 e 32:1 e motorização desde 20 até 100 HP. Nas máquinas para borracha os diâmetros de roscas vão de 38 mm a 200 mm, com vazões desde 20 a 3.000 kg/hora, L/D na faixa de 10,5 até 12:1 e motorização de 10 a 700 HP. As extrusoras para reciclagem têm roscas variando de 65 mm a 200 mm, L/D de 40:1, sete a oito zonas de controle de temperatura, motorização desde 60 até 600 HP e vazões entre 45 e 1.815 kg/h.

Também fabrica linhas completas de revestimento por extrusão (extrusion coating) e para filmes planos com larguras variando de 2.000 mm a 4.800 mm, com vazões entre 540 a 1.300 kg/h e velocidades de 50 a 250 mpm (metros por minuto), além de co-extrusoras. “A Davis Standard possui inúmeros equipamentos em operação no Brasil. Sendo assim, o objetivo da representação é prestar um serviço competente de suporte técnico, fornecendo peças de reposição e manutenção quando necessários, além de ampliar o mercado de atuação com o fornecimento de equipamentos de alta performance técnica”, assegura Gianesi.

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