7° CONGRESSO BRASILEIRO DE POLÍMEROS

7° CONGRESSO BRASILEIRO DE POLÍMEROS

PHDs dos polímeros se reuniram em Minas Gerais para debater suas principais conquistas, revelando avanços na área dos nanocompósitos, biopolímeros e também na reciclagem


Rose de Moraes

As novas pesquisas empreendidas pelos cientistas brasileiros no campo dos polímeros revelam supercommodities, nanocompósitos, biopolímeros e, ainda, se preocupam em oferecer um destino final adequado aos plásticos, apresentando alternativas para a sua reciclagem. Tais estudos deram a tônica ao 7° Congresso Brasileiro de Polímeros (CBPol), maior encontro de ciência e tecnologia na área do País, realizado neste ano em Belo Horizonte-MG, de 9 a 13 de novembro, sob a organização da Associação Brasileira de Polímeros, a ABPol, com o apoio e patrocínio de 38 entidades e empresas nacionais e internacionais.

Na avaliação do chairman do 7° CBPol, professor Roberto F.S.Freitas, titular do departamento de engenharia química da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, o balanço do evento não poderia ser mais positivo. Recordes foram alcançados na exposição de trabalhos científicos, totalizando 590, sendo 390 pôsters e 200 sessões orais, além de 27 palestras técnicas e mercadológicas, reunindo acadêmicos e profissionais das indústrias, entre outras participações, somando mais de 750 interessados. Divulgação
Freitas registrou recordes nas inscrições de trabalhos

A realização do CBPol pela primeira vez em Minas Gerais, segundo Freitas, traz incentivos às pesquisas regionais, representando reconhecimento ao trabalho desenvolvido há 17 anos pelo grupo de géis e polímeros do departamento de engenharia química da UFMG, considerado pioneiro em suas áreas de atuação. 
Além disso, Minas Gerais reúne um dos mais importantes parques produtivos na transformação de plásticos do País. Sexto colocado em valor da produção e no consumo de matérias-primas, o perfil mineiro é caracterizado pelo alto desempenho nos setores de embalagem, construção civil e automobilístico, notadamente nas regiões metropolitana de Belo Horizonte, Betim e Juiz de Fora. 
Outro ponto positivo é a localização geográfica e estratégica de Minas Gerais em relação aos mercados consumidores, próxima a São Paulo, Rio de Janeiro e do Nordeste brasileiro.

Nanopartículas – A comprovação é científica: nanocompósitos constituídos de argilas e resinas plásticas elevam as propriedades dos polímeros e, por conseqüência, aumentam a qualidade e a durabilidade dos produtos finais. Nada mais profícuo, portanto, que as nanotecnologias tenham aportado no campo dos polímeros e mobilizem o melhor dos esforços daqueles que lideram as pesquisas com polímeros nas principais universidades do País. 

Para o professor Fernando Galembeck, titular do Instituto de Química da Universidade de Campinas (UNICAMP), o interesse dos pesquisadores pelo desenvolvimento de nanocompósitos de polímeros e silicatos é crescente, pois com esses materiais será possível produzir plásticos de altíssimo desempenho, utilizando-se matérias-primas relativamente comuns e baratas. 

“As nanotecnologias representam uma fronteira de conhecimento muito ampla e os nanocompósitos constituirão a primeira classe de produtos nanotecnológicos de grande vulto, produtos de baixo valor unitário, mas de altíssimo valor tecnológico”, considerou Galembeck.

Até o momento, o desenvolvimento mais notável citado pelo especialista foi feito pela Toyota, resultando em nanocompósitos de poliamida com resistências térmica, mecânica e à flexão superiores, para aplicações em componentes de maior exigência constantes de áreas nos compartimentos dos motores dos veículos. 

Outro desenvolvimento a suscitar curiosidades já se encontra patenteado pela Michelin e In Mat. Trata-se do nanocompósito de borracha cuja aplicação, direcionada à fabricação de pneus, resultará em produtos com baixíssima permeabilidade a gases. 

No Brasil, as pesquisas também estão engajadas em projetos de desenvolvimento de nanocompósitos de borracha. No Instituto de Macromoléculas “Professora Eloísa Mano”, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, desenvolvem-se processos para a obtenção de nanomateriais elastoméricos, partindo-se de nanocompósitos de borracha nitrílica carboxilada (látex de borracha nitrílica carboxilada) com xantato de celulose. Submetidos a ensaios de resistência à tração, alongamento, módulo e rasgamento, esses materiais são analisados para se chegar a interações mais efetivas entre polímeros e cargas.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFRGS, várias pesquisas também são conduzidas para se obter nanocompósitos utilizando-se vários tipos de argila, inclusive modificadas, em combinação com matrizes poliolefínicas, poliestireno, poliuretano e náilon 6, estendendo-se ainda a elastômeros, como o SEBS.

Divulgação Segundo Raquel Santos Mauler, coordenadora do programa de pós-graduação em ciências dos materiais da UFRGS, o desenvolvimento de nanocompósitos de poliolefinas é certamente uma das áreas de maior interesse, visando futuras aplicações industriais, considerando as melhorias de desempenho a serem propiciadas às embalagens, no caso de nanocompósitos de PE, e às peças e componentes técnicos empregados no setor automotivo, envolvendo nanocompósitos de PP. 
Raquel centra os estudos nos nanocompósitos de poliolefinas

“Trata-se da mais nova linha de pesquisa em desenvolvimento e com a qual estamos alcançando mudanças bastante positivas quanto às propriedades dos polímeros relativas à nucleação da cristalinidade, elevação da resistência mecânica, inclusive extensivas ao SEBS”, afirmou a professora.

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