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RESINAS SE AQUECEM NO CALOR DO NATAL
Só a chegada das festas de final de ano deve impulsionar as compras e reverter o quadro de retração no consumo interno de quase todas as resinas commodities, iniciada no segundo trimestre do ano e mantida no terceiro, admitiu José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicado das Indústrias de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp) ao divulgar o balanço do setor do terceiro trimestre do ano, comparado ao mesmo período de 2002. “A solução do mercado foram as exportações, mas as expectativas para o próximo ano são boas, com projeção de crescimento da ordem de 6% a 7% no consumo em 2004.”
Seu presságio otimista se fundamenta na expectativa de queda nos preços do petróleo com a probabilidade do Iraque e da Rússia aumentarem a oferta do produto fora da OPEP. A redução teria reflexos diretos também nos preços da nafta, subproduto do petróleo e insumo básico da indústria do plástico. “Estima-se que os preços do petróleo baixem para cerca de 22 dólares, apontando para a nafta entre 210 e 230 dólares, valor bem inferior aos praticados neste ano”, disse.
CONSUMO APARENTE DAS COMMODITIES
CAI TAMBÉM NO TERCEIRO TRIMESTRE

A tonelada da nafta vendida pela Petrobrás sai hoje por US$ 284, contra US$ 201, em 2002. A média de aumento no ano atingiu 41%, segundo os dados divulgados pelo Siresp, enquanto os preços internacionais variaram 23,3%, passando de US$ 223, em 2002, para US$ 275 na atualidade.
EXPORTAÇÕES QUASE DOBRAM E
SALVAM OS NEGÓCIOS NO ANO

Em sua estimativa, o consumo aparente neste ano será entre 1,5% e 2% inferior ao de 2002, resultado que contraria as previsões positivas do início do ano, quando a indústria petroquímica projetava evolução da ordem de 6% no crescimento das resinas. Além dos contratempos internacionais com reflexos no consumo do plástico em todo o mundo (ver reportagem no Anuário Brasileiro do Plástico 2003, pág. 10), os juros altos da economia brasileira bloquearam investimentos no setor da transformação, explicou Coelho.
O último trimestre do ano deve reverter a tendência de queda, na opinião do presidente do Siresp: “Deve ser melhor em relação ao ano passado.” O fundamento para seu palpite reside em vários fatores: ausência de estoques na transformação, aumento já detectado na demanda de resinas, crescimento nas taxas de emprego e recuperação da massa salarial.
Exportações – Tábua de salvação, as vendas ao mercado externo quase dobraram no período de julho a setembro deste ano em relação a período equivalente do ano passado, e compensaram os negócios. De acordo com os dados do Siresp, as exportações cresceram 93,2%, enquanto o consumo aparente (produção somada às importações, menos as exportações) caiu 10,8%. Depois da América Latina, destinatária de metade das exportações, o principal mercado para as resinas brasileiras foi a China. De acordo com Coelho, 30% das resinas comercializadas no mercado internacional seguiram para a Ásia, das quais 80% para a China.
O melhor resultado nas exportações ficou com o polipropileno, com 167,6% de aumento no acumulado de janeiro a outubro deste ano, contra o ano passado. Este desempenho deve-se principalmente à ampliação na capacidade de produção brasileira com a inauguração, em março, da nova fábrica da Polibrasil. A resina saiu-se bem também no mercado doméstico, conseguindo fechar o período no azul, com acréscimo de 3,1%. Graças à sua versatilidade, conquistou mais espaço em segmentos como não-tecidos e sacaria para fertilizantes, compensando queda em outras aplicações.
O PVC foi o segundo entre os melhores no comércio exterior, com 94% de alta no acumulado de janeiro a outubro deste ano, em relação ao ano passado. Na contrapartida, registrou o maior decréscimo entre todas as resinas, com retração de 17,2% no consumo aparente de janeiro a outubro deste ano, em comparação ao igual período em 2002, motivada pelo forte desaquecimento da construção civil, em particular no segmento de tubos, explicou Coelho.
O poliestireno perdeu terreno em ambos os mercados: despencou 15,9% no interno e 13,2% no externo. No primeiro caso, a queda acompanhou a baixa acentuada na produção da linha branca, de eletroeletrônicos e de embalagens para CD’s. Como os produtores brasileiros são também grandes competidores internacionais, a base para as exportações privilegiou unidades com preços mais competitivos. Daí o desempenho negativo da resina brasileira no exterior, explicou o presidente do Siresp.
Maria A. de Sino Reto
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