Troca interna de camisa – Lançada durante a Brasilplast pela Flexopower, de Diadema-SP, a linha Beta é dotada de inovações que já conquistaram o mercado. “É a que mais vende”, informa o diretor Ruy Mendes Vita. De acordo com ele, metade dos negócios efetuados neste ano contempla o novo modelo. Em comparação com a flexográfica Omega a oito cores, a Beta chega a ser 70% mais cara. “Mesmo assim, é a que mais vende”, reforça o diretor da Flexopower.

A empresa manteve neste ano a média de vendas do ano passado, da ordem de dez máquinas, nas contas do diretor. “Não sentimos muito a retração ocorrida no primeiro semestre do ano em função de termos pedidos para essa época”. A empresa só produz sob encomenda; na contrapartida, oferece ao cliente prazos maiores para pagamento, garante.

Cuca Jorge
Vita: set up cai para apenas 40 minutos

Para Vita, a forte aceitação no mercado da linha Beta se justifica nos recursos incorporados, em acordo com a tendência mundial de permitir a troca de camisas (porta-clichê e anilox) na própria máquina, dispositivos que reduzem de modo acentuado o tempo para troca de serviço. “O set up na linha convencional com troca das camisas fora da máquina é da ordem de três horas, no mínimo, enquanto na linha Beta cai para cerca de 40 minutos”, compara. Segundo o diretor, 70% das impressoras vendidas no mundo já incorporam o sistema de troca de camisa na própria máquina. Com velocidade de até 300 metros por minuto, o equipamento opera com largura útil do filme de 1,20 m.

Cuca Jorge

Máquina com troca de camisa interna vende mais

Mais simples, a linha Omega dispõe de bom nível de automação, mas seu projeto de operação é mais convencional, como a troca de camisas executada fora do equipamento. Mesmo assim, a máquina assegura ao usuário importantes recursos para agilizar a operação, como a unidade impressora toda automatizada, o que facilita o preparo da máquina e a troca de serviço.

Vita ainda ressalta que tanto a Omega como a Beta possuem pré-posicionamento de formato automático, pré-registro automático, troca automática de bobinas (na entrada e na saída), além de registros motorizados e sistema doctor blade com posicionamento pneumático.

“Outra tendência mundial que a Flexopower segue é a de fabricar máquinas de estruturas fechadas, com espaço apenas para a saída das camisas, diferente das impressoras convencionais, que tem o grupo impressor em balanço, ou seja, apoiado de um só lado”, diz o diretor. A vantagem das estruturas fechadas fica por conta da rigidez na unidade, traduzida em estabilidade, isenção de quaisquer vibrações, e, por conseqüência, melhor qualidade na impressão, no seu entender.

Sem engrenagens – Outra tendência mundial aponta para as flexográficas sem engrenagens, de operação à base de servomotores no comando dos vários eixos da máquina. Esses equipamentos de acionamento direto propiciam ao convertedor menor tempo de set up, economia de material, otimização do processo e flexibilidade para variados formatos de impressão. “É uma tecnologia que, aos poucos, deve tomar conta do mercado”, acredita o diretor da Flexopower. Mas, na opinião dele, a tecnologia é muito recente e ainda tem custo muito elevado.

A americana PCMC (Paper Converting Machine Company) estreou a produção local desses equipamentos no início do ano passado, quando acertou um acordo de parceria com a Feva, de Cotia-SP, contratada para terceirizar a fabricação dos equipamentos da PCMC, que ainda alugou parte das instalações da Feva para montar seu escritório. A empresa brasileira responde por toda a parte mecânica e montagem das flexográficas. Os controladores de processo são importados dos Estados Unidos.

Divulgação

Flexográfica pode ser configurada para até dez cores

Inaugurada com o modelo Avanti a oito cores, a produção brasileira atual da PCMC já contempla outro equipamento. O top de linha hoje consiste na máquina Infiniti, passível de ser configurada para operar em oito ou dez cores, à velocidade de 300 a 450 metros por minuto. Para o diretor, a nova flexográfica oferece recursos importantes, como estrutura diferenciada, sistema de camisas para os porta-clichês e anilox, monitoração dos sistemas por modem, memória para operações repetitivas, além de exclusivo sistema de secagem patenteado pela PCMC, considerado por Bicalho mais eficiente e rápido.

Denominado eXtreme Dryer, o processo de secagem emprega um compressor com alta pressão de ar e expansão rápida, eliminando o túnel superior de secagem, incorporado na flexográfica convencional. De acordo com o diretor, o sistema ainda garante os menores índices de retenção de solventes e operação a velocidades bem mais produtivas em relação aos sistemas convencionais. “A secagem pode chegar a velocidades supersônicas, de 72 mil metros por minuto, garantindo o arraste do solvente”, assegura.

A principal intenção declarada pelo diretor da PCMC brasileira Alceu Bicalho Junior é a de produzir no Brasil para exportar. “A estratégia da PCMC é fabricar aqui a última tecnologia disponível no mercado e daqui exportar para o mundo.” As exportações correm de vento em popa. Embarcou neste ano nove modelos a dez cores e um a oito cores, contra apenas três a oito cores no ano passado, informa.

Os últimos investimentos da empresa, porém, apontam para novas estratégias, com interesse em explorar também o potencial brasileiro para esses equipamentos. Os recursos injetados contemplam a reestruturação de um prédio de 3 mil m², ainda dentro dos perímetros da Feva, onde a PCMC planeja iniciar a produção de nova impressora, já no próximo ano, com projeto desenhado para conquistar também os países latino-americanos. Segundo Bicalho, a nova máquina estará muito mais próxima das necessidades desse mercado, o que lhe dá perspectivas de maior penetração na região. “Como no resto do mundo, a tendência do mercado brasileiro é de pedidos menores e necessidade de máquinas mais ágeis, trocas de serviço rápidas e qualidade indiscutível”, diz.


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