PET

SOPRADORA EVOLUI MAS NÍVEL DE VENDA CONTINUA NA MESMA

Com a crise na economia e os transformadores ociosos, só as exportações salvam o setor

Maria A. de Sino Reto e Renata Pachione

O mercado de sopradoras para processar PET atravessou este ano com o fôlego curto. Na verdade, as vendas já rarearam desde 2002. O motivo, um parque instalado superestimado em capacidade, operando com grande ociosidade. A crise econômica e política que assolou o mercado no primeiro semestre de 2003 só agravou a situação. 

“O que está movimentando o mercado brasileiro são casos pontuais de pequenas e médias empresas que estão crescendo e não têm mais como fugir de fazer o investimento, e mercados ainda com espaço para crescer, como água e óleo”, informa o diretor comercial da Sidel Antonio Luis Caporrino. As substituições de máquinas antigas por novas também constituem casos excepcionais. Além disso, o segmento de refrigerantes, maior consumidor de embalagens de PET, estagnou. Cuca Jorge
Caporrino: mercados de água e óleo ainda não estão saturados

Para Fernando Moraes, gerente nacional de vendas da Bekum e vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico (CSMAIP), vinculada à Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), existe grande excedente de sopradoras de PET no parque industrial brasileiro, sobretudo no segmento de bebidas carbonatadas, liderada pelos refrigerantes e que parou de crescer. A ociosidade associada à crise econômica paralisou as vendas. “O mercado está muito ruim; neste ano vendemos apenas um equipamento para PET”, disse Moraes.

Cuca Jorge Os principais modelos nacionais de sopradora da Bekum para o segmento de PET ainda são as já conhecidas RBS 440 e RBS 880, há seis anos no mercado, aptas a produzir 4.400 frascos por hora e 8.800 frascos por hora, nessa ordem. Segundo o gerente, o sistema linear, que permite às máquinas operar com moldes de 4 ou 8 cavidades, e os tempos curtos de set up são as suas principais vantagens.
Moraes: "o mercado está muito ruim"

Exportação resolve – Com o mercado brasileiro fraco, a Sidel sobrevive graças às exportações, equivalentes a quase 60% dos negócios, admite Caporrino. O destino principal ainda são os países da América do Sul, seguidos da África, Egito, México e Estados Unidos. Entre os negócios mais recentes no mercado nacional, o diretor menciona dois equipamentos da linha WM para produção de potes de boca larga. Embora os modelos já sejam tradicionais, são os primeiros do gênero de fabricação local, ressalta o diretor. Entre outros diferenciais, essas máquinas requerem sistemas específicos de alimentação e de transporte interno das preformas.

Cuca Jorge

Tradicional linha WM é fabricada no Brasil

A reconhecida marca mundial mudou de mãos há quase dois anos, quando foi anunciada a sua aquisição pela Tetra Laval. Depois de um ano de pendenga judicial, a Comunidade Européia aprovou o negócio no início deste ano. “A matriz e a direção continuam na França e a filosofia da empresa continua a mesma”, diz Caporrino.

Da holding Tetra Laval ramificam três empresas: a Tetra Pack, a D-Laval e a Sidel, que era um grupo com diversas empresas a ela ligadas, cada qual com sua marca e filosofia operacional próprias. A mudança de acionistas implicou a decisão de quais empresas permaneceriam no negócio, como as ligadas ao ramo de alimentos e bebidas, desligando as outras do grupo. Com a reestruturação, a Sidel incorpora três divisões básicas: sopro e tratamento superficial; enchimento; e engenharia e automação.

A principal sopradora ofertada pela empresa é o modelo SBO 10, parte da nova série 2 lançada na última megafeira mundial do plástico, a K de Düsseldorf, na Alemanha, no final de 2001. O equipamento francês chega a processar 20.000 garrafas de 1,5 L por hora. Com dez estações de sopro, cada cavidade do molde extrai até 2.000 garrafas por hora.

A série completa incorpora nove modelos destinados à produção de todos os tipos de garrafas de PET, com disponibilidade desde quatro até 20 moldes de sopro. Toda a linha é destinada ao sopro de preformas de PET, possibilitando fabricar embalagens desde 0,2 L até 3 L.


<<< Anterior

Próxima >>>