|

EQUIPAMENTO BRASILEIRO CONQUISTA O EXTERIOR
Fabricantes nacionais aumentam as exportações enquanto os estrangeiros
apostam na nacionalização
Simone Ferro
Enquanto os fabricantes brasileiros reforçam a participação no exterior, os estrangeiros ampliam o índice de nacionalização dos equipamentos auxiliares de processo. A espera de dias melhores, todos investem na modernização de suas linhas. As vendas, muitas vezes abaixo das expectativas, não minaram o potencial do setor em fornecer periféricos mais produtivos, econômicos e de fácil manutenção.
| O ano foi palco de muitas inovações em todos os segmentos. De moinhos a unidades de água gelada, os transformadores brasileiros encontram opções capazes de atender a todas as necessidades e capacidades de investimentos.
Entre as novidades, destaca-se a normatização do segmento de moinhos. A fabricação de tais equipamentos, a exemplo das injetoras de plástico, também será regida por normas de segurança aprovadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). No final de outubro, a comissão, formada por representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) e por fabricantes, deverá aprovar o texto final a ser submetido à ABNT. “Os trabalhos não caminham na velocidade desejada, porém devem ser concluídos em breve”, estima o diretor da Rone, de Osasco-SP, Ronaldo Cerri, um dos membros da equipe. |
Cuca Jorge |
 |
| Cerri: produção mexicana já vai começar |
A demora decorre não apenas da dificuldade em compatibilizar as agendas dos executivos envolvidos, mas também pelo ineditismo da ação. Como não havia referências anteriores, a comissão analisou as normas internacionais em vigor. Boa parte das ações propostas já integram alguns equipamentos fabricados no Brasil, como mostrou a última edição da Brasilplast, de 10 a 14 de março, em São Paulo (ver PM no 342, de abril de 2003, pág. 42). A Rone apresentou a linha C composta por moinhos sem partes móveis em exposição. “Garante operação silenciosa e maior segurança para o operador”, afirma Cerri. Por ser de alta rotação, possui cabine para limitar a emissão de ruídos e novos materiais para absorção acústica.
| Cuca Jorge |
A Seibt, de Nova Petrópolis-RS, lançou a série BR N de baixa rotação com enclausuramento. O novo projeto reduziu o nível de ruído e facilitou a manutenção, em especial na troca das peneiras, melhorou o sistema de travamento do rotor e dificultou o acesso do operador às facas. “A abertura do bocal só ocorre quando o rotor do moinho pára”, explica o diretor comercial Breno Seibt. A nova linha substitui os modelos convencionais de baixa rotação. |
 |
| Seibt investe na promissora reciclagem |
Reciclagem – A Seibt promete novidades nos sistemas de reciclagem, mercado que continua atraindo investimentos. A empresa fabrica linhas completas para recuperação de termoplásticos, incluindo o polietileno tereftalato (PET) há mais de seis anos. O novo desenvolvimento, mantido em segredo, visa agilizar o enfardamento e reduzir o volume dos recicláveis e, conseqüentemente, facilitar a logística da operação. “Trata-se de um aperfeiçoamento da linha”, afirma Seibt, sem revelar outros detalhes. O equipamento deverá ser lançado até o final de novembro e teve como base projetos similares desenvolvidos no exterior.
|
A estréia no mercado de reciclagem ocorreu por intermédio dos moinhos. “Os clientes, satisfeitos com os resultados obtidos com esses equipamentos, pediam para ampliarmos a linha de produtos”, diz Seibt. Atualmente, a empresa fornece todo o sistema, desde as esteiras aos tanques de descontaminação e secadores, passando por moinhos e roscas de transportes, muitos deles terceirizados. “Em 2002, nossa participação no mercado de reciclagem cresceu 10%.”
Com pelo menos 15 sistemas instalados, oferece opções de R$ 100 mil a R$ 450 mil, com produções variando desde 300 até 1.000 kg/hora, de acordo com o porte do equipamento e tipo de material reciclado. Na Brasilplast, também lançou moinhos com rotores especiais para PET. As principais características da linha referem-se aos ganhos em produtividade e ao menor desgaste das facas, cujo segredo reside no ângulo de ataque.
|
Cuca Jorge |
 |
| Hess: vendas devem crescer 10% |
A feira, segundo Seibt, ajudou a impulsionar as exportações. “Fechamos negócios com empresas do Chile, Arábia Saudita, Alemanha, Paraguai e Venezuela.” Consolidar a atuação no exterior também está nos planos da empresa. “Investimos na internacionalização da marca para, num primeiro momento, torná-la mais conhecida.” Nas estimativas da empresa, as exportações poderão representar entre 15% e 30% da produção.
No México – Aumentar a participação no mercado externo também é o objetivo da Rone. De acordo com Cerri, as exportações representam 10% da produção, principalmente para países da América Latina, como Peru, Chile, Bolívia e México. Para aproveitar os ventos favoráveis, inicia em breve a montagem dos moinhos no México em parceria com a Graphtech, fabricante de impressoras. “Dois técnicos mexicanos serão treinados no Brasil”, explica.
A produção para pronta-entrega começa com os moinhos de 3 até 50 hp de potência. “Capacidades superiores serão fornecidas sob encomenda”, informa Cerri. A unidade brasileira fornecerá os itens considerados mais críticos, como as facas, eixos e blocos. Demais componentes, como carenagem e motor elétrico, ficam sob a responsabilidade da fábrica mexicana, supervisionada pela Rone. “Estimamos produção inicial de 10 moinhos por mês.”
|
Os equipamentos vão disputar o mercado mexicano com os fabricantes locais e marcas estrangeiras, principalmente dos Estados Unidos e Ásia. “Conseguimos preços melhores em relação aos americanos e qualidade superior a dos asiáticos”, avalia Cerri. Tais características, segundo ele, justificam a boa aceitação dos moinhos brasileiros naquele país, antes mesmo da fabricação local. “Trata-se de um mercado bastante promissor.”
A linha de moinhos da Rone, composta por mais de 300 modelos, vai de 2 até 200 hp de potência, além de projetos especiais desenvolvidos sob encomenda. Inclui equipamentos de baixa rotação para operação conjunta com injetoras e sopradoras; de moagem de PET; de borras e grandes peças; e de alta rotação com configurações sem partes móveis em exposição (linha C), entre outros. |
Cuca Jorge |
 |
| Linha C: mais segurança para o operador |
A empresa fabrica também equipamentos complementares para transporte e armazenamento do material moído e acessórios para moinhos, tais como rosca transportadora, aglutinadores, peneira vibratória e transporte pneumático, além dos misturadores verticais e horizontais e cabine acústica.
Apesar das dificuldades do mercado, a Rone tem conseguido manter a produção média de 30 moinhos/mês este ano. “Não é o ideal, porém o suficiente para manter a fabrica girando, sem demitir funcionários.” Entre as estratégias, Cerri cita a ampliação do número de parcelas de pagamento e a concessão de descontos para itens em estoque. “Em setembro, o setor começou a esboçar alguns sinais de reação”, avalia.
|
|