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Resina coreana descobre o Brasil
| Há cerca de três anos, uma divisão de comercialização de plásticos de engenharia do Grupo Unicoba (de União Coréia Brasil), fundado em 1973 por Young Park, originou a Uniplen Indústria de Polímeros, que distribui e transforma ABS, SAN, POM (poliacetal) e PC.
O carro-chefe, o ABS, responde por 80% do volume de vendas local, que ronda entre 150 t a 200 t mensais, mais outras 250 t comercializadas na forma de importações diretas. Apesar de estarem no mercado há apenas três anos, em comparação com décadas de Bayer, Basf e GE, as grandes do segmento, a empresa já atende à cerca de 12% da demanda nacional pelo produto. “Já conseguimos um bom espaço no mercado de ABS”, comemora o gerente comercial Edson Gabriel. |
Cuca Jorge |
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| Gabriel comemora share no mercado
nacional de ABS |
Além de distribuir no Brasil com exclusividade a resina produzida na Coréia pela Samsung, a Uniplen modifica (através de aditivação, tingimento ou reforço de carga) 25% do volume de ABS que comercializa localmente. O principal cliente tem sido o segmento de capacetes para motocicletas, em que a empresa domina 90% das vendas, mas também possuem clientes dos setores automobilístico, eletroeletrônico, de informática e de tingimento. No caso das necessidades do setor de informática, a empresa figura ao lado da GE entre as poucas fornecedoras do ABS V0, com propriedades antichama. Beneficiada pela parceria com a Samsung, maior produtora mundial de componentes de informática com grande volume de vendas do plástico aditivado, a Uniplen dispõe do ABS V0 “em condição bastante diferenciada de preço”, afirma Gabriel. “Esse mercado cresce por que as exigências estão aumentado”, explica. A empresa tem crescido muito no segmento de tingimento, pois o ABS colorido é usado em muitas de suas aplicações.
Para agregar tecnologia à fração das resinas que comercializa, a Uniplen inaugurou em 2001 fábrica em Diadema-SP, onde três extrusoras japonesas operam na produção de compostos. A fabricante das máquinas é uma das produtoras representadas no Brasil por outra unidade do grupo.
Cérebro asiático – A implementação da unidade produtiva teve a colaboração decisiva de outro coreano, o engenheiro químico Jong Park, consultor experiente que participou da instalação de diversas unidades petroquímicas no país asiático. Responsável tanto pelo projeto construtivo da fábrica (Park dimensionou as instalações e especificou as máquinas) quanto pelo know how, o engenheiro transferiu os conhecimentos de tingimento e fabricação de compostos acumulados pela prática na Coréia – ele foi um dos pioneiros a introduzir a tecnologia no país – e em estudos no Japão. A dispensa de masterbatches nos processos de tingimento, desenvolvidos pela formulação das cores, também é obra de Park. “Estes tipos de trabalho não diferem muito do que existe nos sistemas alemão e americano. As máquinas e o layout da produção são bem parecidos em todas as empresas, então o diferencial é o sistema de trabalho, o conhecimento que o Sr. Park adquiriu nas fábricas da Coréia”, afirma Nasser Gorayb, gerente da fábrica de compostos da Uniplen.
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Para ele, assim como para Gabriel, a detenção da fonte da matéria-prima aliada à capacidade de fornecimento do material tingido, aditivado ou reforçado, confere certa vantagem competitiva à Uniplen. À exceção da GE, capaz também de operar nas duas atividades, os concorrentes ou dependem do fornecimento de matéria-prima, ou dos serviços de beneficiamento, caso da Basf, que oferece compostos em parceria com a Macroplast. |
Cuca Jorge |
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| Gorayb: Experiência do "mago" Park
é a diferença |
A Uniplen já é bem conhecida por distribuir e modificar o ABS da Samsung, pois, segundo os executivos, a fidelização dos clientes ocorreu por identificação com o produto (adequação de propriedades a solicitações de desempenho) e pela qualidade associada à parceira oriental. Além do carro-chefe, há os negócios complementares, induzidos pela atividade principal: fornecimento e modificação de SAN da Samsung e da Kumho, POM da Kolon e PC da Samyang, todas petroquímicas coreanas. Esses mercados, contudo, são bem menores que o do ABS, embora as cotações da resina sejam mais baixas que as do PC e do POM, e superiores apenas às do SAN.
As vendas globais têm apresentado crescimento acelerado, e a despeito do mercado retraído, a Uniplen projeta crescimento em 2003. Em três anos, a empresa triplicou seu faturamento, e pretende chegar a R$ 3 milhões até 2005.
A estratégia dos executivos volta-se agora para os segmentos de maior valor agregado. Além da efetiva entrada no setor automobilístico pela venda de blendas, principalmente ABS/PC e ABS/poliamida, querem elevar as vendas de compostos e produtos tingidos, e projetam a obtenção da certificação ISO 9.001 (versão 2000) para todos os processos da fábrica até o primeiro semestre de 2004.
No momento, entretanto, os negócios da Uniplen não ocupam toda a capacidade instalada da empresa, e a lacuna é preenchida com parcerias na prestação dos serviços de beneficiamento. A de amplo destaque, com a Polibrasil, maior produtora de polipropileno do hemisfério sul, rende atualmente a venda de 200 t/mês de alguns grades de compostos especiais direcionados principalmente à indústria automobilística. O ensejo surgiu do excedente produzido pela petroquímica brasileira, com capacidade instalada de mais de 600.000 toneladas mensais, incompatível com os volumes menores dos lotes de compostos, mais adequados à estatura da Uniplen e de suas máquinas e tipo de produção. A Uniplen oferece os três serviços disponíveis para a produtora de PP, e as resinas tem largo uso na fabricação de painéis e pára-choques de automóveis.
A homologação de compostos de polímeros requer a apresentação de ficha técnica revelando a cadeia polimérica e as ligações onde ocorreram mudanças. O processo exige investigação do material a miúde, para a identificação da compatibilidade com os aditivos e o atendimento das especificações almejadas. Por isso, as atividades industriais da distribuidora brasileira são amparadas pelo mentor Park, acompanhado por outro engenheiro químico e cinco técnicos, quatro oriundos das oficinas de plásticos do Senai.
“Há carência no Brasil de empresas com disponibilidade da matéria-prima e capacidade de oferecer produto de acordo com as exigências dos clientes. Somos os únicos a fornecer plásticos de engenharia de petroquímicas coreanas modificados, e estamos aparecendo como uma alternativa para o mercado. Acreditamos em um crescimento muito rápido até que nos estabilizemos”, diz o confiante Gabriel.
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