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Indac luta para mudar imagem do acrílico
O Fórum Acrílico 2003 realizado em 21 de agosto, pelo Instituto Nacional para o Desenvolvimento do Acrílico (Indac), para fortalecer a integração da cadeia produtiva desse plástico, evidenciou a necessidade de amplo trabalho de divulgação das propriedades e vantagens do material, já que profissionais de segmentos potencialmente consumidores, como o de calçados e construção civil, confirmaram que o acrílico ainda possui imagem negativa nesses mercados.
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O recém-empossado presidente executivo do Indac e diretor comercial da Resarbras Fábio Terzian abriu o evento descrevendo o panorama do mercado no final de 2000, quando foi constituído o Instituto. Não havia estratégia comercial de fomento, a conservação de segmentos conquistados era baixa, com perda de mercados para outros plásticos, e não existia trabalho de expansão dos mercados. |
Divulgação |
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| Terzian: informação no mercado é pouca |
A grande concorrência com outras matérias-primas – o acrílico perdeu espaço por anos a fio para PS, PC, PETG, vidro, lona vinílica e acrílico recuperado – era acirrada pela imagem de preço alto, como de fato ocorreu no lançamento do produto e durante os anos 70 e 80. Para piorar, o plástico tinha fama de possuir baixa vida útil, baixa familiaridade com o consumidor final e pouca resistência a intempéries.
Face à situação detectada, o Indac promoveu uma série de ações para evidenciar as propriedades e aplicações do acrílico. Terzian citou o desenvolvimento de estratégias definidas para o desenvolvimento do mercado, a criação de cursos em conjunto com o Senai para a formação de mão-de-obra, a participação em feiras e as parcerias com entidades representativas de outros setores, como a Associação Brasileira da Estilistas de Calçados e Afins (Abeca) e a Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea). “O mercado em geral ainda é mal informado e há muito a crescer”, lamentou Terzian.
Segundo o diretor, algumas das iniciativas reverteram em resultados rápidos, como no caso da mala direta gerada por grupo de trabalho criado na virada do ano 2001. Após o envio para empresas do ramo, 49 consultas de negócios foram efetuadas nos dois meses seguintes, resultando em negócios da ordem de R$ 200.000. Outra iniciativa, a confecção de duas normas ABNT-ISO para chapas acrílicas com base em norma ISO européia (norma NBR-ISO 7823-1 para chapas cast e norma NBR-ISO 7823-2, para chapas extrudadas), por si só gerou dois grandes negócios, com soma ao redor de R$ 350.000.
No rastro dos bons resultados iniciais, Terzian já planeja criar um programa de qualidade das chapas acrílicas, em convênio com o Instituo Nacional do Plástico (INP). A norma criada servirá de base para análises regulares de chapas confeccionadas por diversos produtores, com o objetivo de tornar reconhecida a qualidade do acrílico brasileiro, bem como prevenir erros na informação dos produtos, como casos de empresas que produzem peças em poliestireno, ou SAN, e as vendem como peças acrílicas. O programa deve entrar em operação no segundo semestre deste ano, e já conta com a adesão dos associados do Indac.
O ciclo de palestras teve continuidade com a professora Marjori Luengo Gallo, do núcleo de assistência às empresas do Senai Mário Amato, falando sobre os cursos de processamento e design de peças de acrílico. Formada em 1987 pela fusão do núcleo de plástico do Tatuapé-SP com o de cerâmica de São Caetano do Sul-SP, a unidade instalada em São Bernardo do Campo-SP oferece qualificação para mão-de-obra e presta serviços a micro e pequenas empresas nas áreas de cerâmica, plástico, química, borracha, além de curso superior em meio ambiente.
Um curso básico para a área de acrílico já está sendo ministrado no Senai Mário Amato, e o avançado deve começar em breve. “A parceria no curso básico de processamento de chapas acrílicas começou com a Rebasa, produtora de chapas acrílicas, com o objetivo de incentivar e auxiliar tecnologicamente o setor produtivo nacional em vários segmentos de transformação de chapas acrílicas”, disse Marjori.
Desde o início do curso, em janeiro de 2000, até junho deste ano, já foram certificados 228 alunos, entre empresários, funcionários de empresas, artistas plásticos, designers e particulares. O módulo básico capacita os participantes a transformarem chapas acrílicas em objetos criativos, e contempla teoria e propriedades do acrílico (fundamentos básicos), técnicas de transformação (cortar, lixar, polir, moldar), técnicas de colagem, impressão serigráfica e prática de oficina, com carga horária de 40 horas e preço de R$ 200. As aulas ocorrem de segundas a sextas, durante os três períodos do dia, e ainda aos sábados.
A grande receptividade do curso básico junto às empresas motivou a criação de um módulo avançado, mais abrangente. Com a ajuda do Indac, que investiu em novos equipamentos para viabilizar a iniciativa, foram adquiridas máquinas industriais como forno, furadeira, lixadeira e prensa hidráulica. O módulo tem nos transformadores seu público alvo, e de seu conteúdo constam temas como as propriedades e vantagens das chapas acrílicas, noções básicas de metrologia, noções básicas de desenho técnico (leitura e interpretação), normalização, qualidade ISO 9.000, segurança no trabalho, oficina de criatividade, técnicas de processamento de chapas acrílicas (armazenamento, preparo, corte, usinagem, lixamento, polimento e moldagem), técnicas de colagem, decoração e pintura, e práticas de oficina.
O curso ainda não saiu do papel, mas a previsão é de carga horária de 60 horas, com preço estimado em torno de R$ 300 e aulas de segundas a sextas, de manhã, à tarde e à noite, ou aos sábados. Segundo a professora Marjori, um piloto será realizado em setembro.
A professora também abordou o tema do design. No ambiente econômico atual, com mercados mais abertos, mais integrados, e produtos muito semelhantes, a necessidade de se buscar meios para tornar-se mais competitivo impeliu as empresas à busca de diferenciais. O design, cujo propósito é a melhoria dos aspectos funcionais, ergonômicos e visuais dos produtos, almejando atender às necessidades de consumo do usuário (conforto, segurança e satisfação), tem sido estratégia crescente como fator de diferenciação e de agregação de valor a produtos e serviços, sem falar em qualidade e custo. “Empresas vencedoras incluíram a gestão de design em seus planos e estratégias, visando da contínua inovação de seus produtos ao atendimento das expectativas do cliente”, disse. “Pesquisas revelam que a cada real investido em design, há retorno de cinco reais. Na produção, apenas 15% do custo final do produto é referente ao desenvolvimento do projeto do design”, concluiu.
De acordo com Marjori, a tendência retrô presente atualmente na moda, além do brilho e da transparência, favorecem o uso de acrílico, sucesso dos anos 70.
A opinião foi compartilhada pelo estilista Aldo Popischil, presidente da Abeca. O estilista utiliza o material há cerca de dois anos, e dirige a associação fundada em 1989, com sede em Novo Hamburgo-RS , Vale do Rio dos Sinos, um dos dois pólos calçadistas do Rio Grande do Sul, junto com o Vale do Paranhanas. As regiões congregam cerca de 15 cidades dedicadas à produção de calçados.
Ele atestou a onda de produção de calçados em acrílico há cerca de dois anos, mas também confirmou que a imagem do acrílico em voga, no setor calçadista, é demeritória. “Existe ainda no meio calçadista a imagem do acrílico como material ‘intocável’, ou ‘inatingível’”, disse. Conforme explicou, grandes empresas do setor criaram demanda pela produção de plataformas e componentes de solado em acrílico, mas esbarram na dificuldade de produção desses elementos – no caso de outros plásticos injetados, como PU, PVC e PE, a indústria é apta a fornecer componentes, mas isso não ocorre com o acrílico. Os transformadores não eram preparados para esse tipo de desenvolvimento, e ocorreram problemas de toda sorte, como atrasos nos prazos de entrega, dificuldades técnicas, cancelamento de pedidos e devolução por emprego de material inadequado.
Tendo em vista desmistificar o uso do acrílico em calçados e transformar o material em uma tendência de moda permanente, a partir do Brasil e independente dos centros criadores de tendências em moda, a Abeca se uniu ao Indac para produzir o Guia Acrílico Moda Brasil, com mais de 40 modelos exclusivos. Uma dessas opções serviu como inspiração para outro desenvolvimento, segundo Pospichil. “Desenvolvemos peça termoconformada em acrílico que é inédita. Temos conhecimento de produto moldado, mas termoconformado, com anatomia, não”, falou. Essa sandália é produzida pela Companhia do Porto, de Goiânia-GO, tradicional fabricante de calçados em acrílico, em parceria com a Dicopesa, fabricante das chapas acrílicas, e a Socitec, beneficiadora do material especializada em corte a laser. “O projeto também busca baratear os custos de produtos em acrílico. O processo de produção inclui pré-corte, moldagem, corte final e acabamento. O corte artesanal inviabiliza o processo, e usamos o corte a laser para diminuirmos os custos”, disse.
Na opinião de Popischil, o estímulo para a produção de calçados em acrílico vem da grande versatilidade do material, tanto na moldagem quanto no acabamento, bem como na apresentação de cores e na consistência. É possível agregar-se valor com a inserção de outros materiais no seio do acrílico, como no caso de chapas fantasia e de chapas com tecido.
O uso inadequado do plástico, contudo, pode acarretar conseqüências para sua imagem, cuja reversão pode demorar muitos anos. Henrique Cambiaghi, presidente da Asbea, demoveu os produtores mais otimistas ao testemunhar que o uso do acrílico está um pouco defasado em relação à construção civil. Contando com a adesão do Indac desde o ano passado, a Asbea tem cerca de 300 escritórios de arquitetura associados, e foca sua atuação em sistemas construtivos e materiais, bem como na evolução da arquitetura e do urbanismo no País.
“É inegável que o acrílico tem qualidades, transparência, cores, espessuras diversas, flexibilidade, peso adequado. São atributos que fazem dele um material que muito nos interessa”, afirmou Cambiaghi. Entretanto, o auge da utilização do material na construção civil aconteceu nos anos 60 e 70, quando representava uma alternativa interessante para o uso do vidro e de outros materiais que surgiam na época. Mas esse espaço foi perdido nos últimos anos, pois a tecnologia de produção de materiais vítreos evoluiu, e materiais como o PC também surgiram como alternativas viáveis.
O principal entrave, no entanto, parece ser a falta de informação. Faltam dados que atestem as possibilidades técnicas do material. Ou melhor: falta divulgá-los adequadamente. “Existe o problema da imagem. Arquitetos têm referência do acrílico como material que greta, risca, e tem baixa durabilidade. E essa imagem é quase uma unanimidade entre os arquitetos. De maneira geral o acrílico é rejeitado”, avisou Cambiaghi, esfriando os ânimos da platéia. “E confesso que eu era um desses até pouco tempo atrás”, revelou.
O presidente da Asbea, contudo, entende que o acrílico que os arquitetos conhecem não corresponde ao produto de qualidade fabricado hoje. Baseado na experiência do trato com outros materiais, Cambiaghi receitou o desenvolvimento de campanha de esclarecimento das propriedades do plástico, enfatizando qualidades dimensionais e cromáticas, e possibilidades de utilização em projetos de arquitetura, além da divulgação de obras para construtores e arquitetos em revistas especializadas, artigos técnicos e reportagens, induzindo um canal de comunicação entre os produtores de acrílico e os possíveis usuários do material. “Cada vez mais necessitamos de referências de parâmetros, então é importante ter-se comparativos de custo/benefício em relação a outros materiais. Precisamos saber quanto custa o acrílico, quanto custa o policarbonato, quanto custa o vidro, quais as vantagens e as desvantagens de cada um, onde não se deve aplicar o acrílico, e em que condições ele é competitivo”, sugeriu o arquiteto.
Pior que o ostracismo de materiais na construção civil, são as conseqüências danosas de aplicações errôneas. Cambiaghi citou caso de prédio cujo revestimento de fachada foi todo construído em aço inoxidável. O projeto apresentou diversos problemas de execução, causando manchas no aço. Como resultado, o material foi abolido por muito tempo na construção civil como revestimento de fachada, devido ao marketing negativo da obra. “Passaram-se mais de dez anos até que o aço inox, um material competitivo e eficiente para se fazer revestimento de fachadas, tornasse a ser usado”, falou. Situação idêntica ocorreu com o gesso acartonado, pois a má aplicação do produto gerou diversos problemas em algumas obras, acarretando até patologias. Segundo Cambiaghi, a reversão da imagem negativa é possível se as empresas da cadeia do acrílico bancarem o emprego do material em projetos, mostrando as possibilidades do plástico. O incentivo aos arquitetos pressupõe apoio logístico e em questões de especificação, bem como a elaboração de propostas para obras.
Um exemplo é o caso dos peitoris de terraços, em que o acrílico é uma opção viável. O vidro é uma alternativa plausível, mas cara. Ferro e alumínio também concorrem, mas, segundo Cambiaghi, uma solução em acrílico, principalmente nos casos em que há curvas, seria muito interessante. “Na medida em que há uma ou duas obras prontas, a construção se torna referência, e o material passa a ser aplicado em outras obras”, previu Cambiaghi.
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Pellin, da Mapro, agradece prêmio concedido pelo Indac
O Indac também reservou a ocasião do 3o Fórum Acrílico para a entrega do prêmio “Destaque Indac do Ano”, entregue pelo diretor-superintendente da Resarbras e membro do Conselho Deliberativo do Indac Roberto Fiamenghi para Orlando Pellin, diretor da Mapro, de Caxias do Sul-RS. A empresa foi laureada pelo sucesso na venda de chapas de polimetacrilato para o mercado moveleiro. Desenvolvido para atender às exigências do setor de móveis e decoração, o produto possui propriedades diferenciadas obtidas pelo uso de aditivos que a empresa não revela.
O ciclo de apresentações prosseguiu com Ernesto Weber, ex-dirigente da Petrobras, dando dicas de como enfrentar momentos difíceis em empresas. O consultor, com experiência em empresas de pequeno a grande porte, nacionais e multinacionais, ressaltou a importância de alguns chavões do bom gerenciamento, como trabalho de equipe, liderança com equilíbrio, criatividade, otimismo, controle de custos, relação da empresa com o cliente, e alavancagem de investimentos através de financiamentos.
Para Weber, “é importante crescer, sim, mas com os pés no chão. Nada de grandes planos mirabolantes em que pegamos dinheiro de terceiros”.
Encerrando o evento, o Dr. Paulo Paiva, médico, expôs apresentação sobre Saúde Emocional, com o tema “Motivação e Prosperidade”.
M. A.
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